O canto
da sereia, o douramento da pílula, métodos que encantam e condicionam a gente.
A manipulação da sociedade, dos primórdios do sofismo helenístico à
contemporânea programação neuro-linguística, entra como pauta na seguinte
abstração de ideias.
A
Ilustríssima - Folha de SP - de 19 de março, está com conteúdo muito
interessante sobre questões sociais. Apesar de criticar o medo induzindo mais
medo, há boas análises em minha opinião, principalmente do indiano Pankaj
Mishra e do francês Marcel Mauss. Pegam os registros do pretérito, relacionam
com o presente para prever o futuro. Depois da guerra fria encerrada, criou-se
uma expectativa social que foi atendida a uma minoria, frustrando a maior parte
da sociedade globalizada. Culminamos na eminência dum Trump e na consequente
iminência doutra guerra nuclear. Ocorrências de violência pontuais ocorrem
mundo afora desde sempre, ininterruptamente, mas algo catastrófico pode ser
deflagrado por um evento inesperado qualquer. Resumindo, levanto esses dois pontos
pertinentes que formam um ciclo de retroalimentação crescente e perigoso.
(1) A pessoa
frustra-se por não receber aquilo que lhe foi anunciado, sente-se ameaçada
diante da desvantagem, culpa uma das partes envolvidas, torna-se radicalmente
intolerante e apega-se à promessa da outra parte;
↑↓
(2) A
promessa salvadora dessa outra parte, geralmente demagoga e agressiva, por sua
vez, obviamente não se realiza e a pessoa retorna a seu estado de frustração,
mas numa intensidade muito maior.
Exemplo
de promessas:
·
In hoc signo vinces.
Constantino I;
·
Progresso, bem-estar social e qualidade de vida com
a industrialização, laissez-faire e liberalismo;
·
O Estado democrático de direito militarizado é o
apogeu da política e da segurança pública.
Exemplos
de agressão frutos de frustração ameaçadora:
·
Crise do feudalismo baseado no clero e a reforma
religiosa, perseguição aos protestantes e aos judeus;
·
Crise pós 2a rev. industrial séc. XIX – XX,
quebra da bolsa, WWII e o holocausto;
·
Crise do sistema jurídico policial e a prática do
tribunal popular, colapso prisional e perseguição fruto da opinião popular.
E, se
esse textão ameaçar a minha reputação ou me frustrar por destruir minha confortável
farsa, abandono o grupo de fulano, termino a amizade de ciclano, deixo de
seguir beltrano. Tá muito fácil conseguir o meu mimo. Hei de ser sempre
atendido!
Ora,
pois, é sabido que o capital transmite uma clara mensagem à sociedade por meio
da fome, do frio, da dor, que atingem aqueles atrás da coxia, que você, da
plateia, não percebe entretido com os ruídos que a mídia propaga para
interferir a leitura e compreensão da realidade.
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