Diz uma lenda que há alguns séculos, no novo mundo - extensa terra fértil de lucrativas empreitadas -, o homem virtuoso criou os “ismos” da vida moderna (liberalismo, presidencialismo etc). Os “ismos” serviam ao homem e nunca o inverso. Logo, caberia a nós mesmos elevar esses sistemas a outros patamares, conforme a nossa necessidade. Não haveria problema NENHUM em criticarmos, elaborarmos novas ideias, propormos melhorias ao coletivo. Mas os criadores dos “ismos” veneravam pirâmides. Criaram-se pirâmides altas e colocaram-se no topo delas, de onde podiam vigiar a larga base e punir qualquer desobediente que ousasse se manifestar contrariamente. Em nome Dele, ó sagrado tesouro do Oriente! Vinde a mim e eu vos aliviarei.
Com muita dedicação (ou por herança) era possível atingir o topo, uma posição almejada que representava o máximo poder. Uma vez lá, fazia-se de tudo para não se rebaixar. O poder era tanto que até me lembra antigos mitos politeístas. Ora, mas a base - ampla maioria - comportava-se sob servidão voluntária. Ai de mim, tamanho poder que subtrai do sábio a virtude de julgar com um peso e uma medida. Perceba que quanto mais alto gritar o nome Dele um servo, maior será a expectativa de enfrentarmos um ser corrompido. Faithless.
Com muita dedicação (ou por herança) era possível atingir o topo, uma posição almejada que representava o máximo poder. Uma vez lá, fazia-se de tudo para não se rebaixar. O poder era tanto que até me lembra antigos mitos politeístas. Ora, mas a base - ampla maioria - comportava-se sob servidão voluntária. Ai de mim, tamanho poder que subtrai do sábio a virtude de julgar com um peso e uma medida. Perceba que quanto mais alto gritar o nome Dele um servo, maior será a expectativa de enfrentarmos um ser corrompido. Faithless.
A maior ditadura e mais difícil de ser superada é nós mesmos. Viemos de tempos selvagens. Nossos ancestrais tinham que obedecer cegamente aos seus impulsos senão a natureza os esmagava. Fome, disputa, frio, predadores. Uma pergunta: mecanismos de recompensa (ou prazer) como meio de perseverar em si implicam na nossa condição de escravos da própria individualidade ou de escravos da sobrevivência da espécie? Dizem que os medrosos vivem mais. Dizem também que os egoístas estão em constante insatisfação.
As religiões abordam isso lindamente, em especial para mim o Budismo e o Hinduísmo. Hoje, superado isso às custas de extinções em massa, o primitivo comportamento virou um resquício tormentoso que havemos de carregar e é PESADO. Vontade, apetite (“orexis”), hedonismo, acrasias em geral.
As religiões abordam isso lindamente, em especial para mim o Budismo e o Hinduísmo. Hoje, superado isso às custas de extinções em massa, o primitivo comportamento virou um resquício tormentoso que havemos de carregar e é PESADO. Vontade, apetite (“orexis”), hedonismo, acrasias em geral.
Outra pergunta: será que está superado? Se somos servis aos “ismos”, isso se deve ao fato de que dependemos de uma figura forte do estado paternalista, que organize os meios sociais e mantenha a tal “ordem e progresso”. Os “ismos” seriam perfeitos se o homem não fosse lobo do homem. Após outubro, decerto, a imperfeição de outros “ismos” assumirá o comando de nossa personalidade. Identificar-nos-emos com Consumismo, Fisioculturismo, conformismo, pessimismo, abismo. Quanto a mim, falta-me altruísmo e sobra cinismo.
Mais um pouco de mim, pobre que sou, seria incapaz de elaborar algo assim. Entretanto, tento por meio de uma confissão encontrar algum alívio. Alguma coisa das leituras de La Boétie, Galeano, Huxley e filósofos populares que me transformou nessa farsa produtora de plágios, tenha o leitor gostado ou não.
Mais um pouco de mim, pobre que sou, seria incapaz de elaborar algo assim. Entretanto, tento por meio de uma confissão encontrar algum alívio. Alguma coisa das leituras de La Boétie, Galeano, Huxley e filósofos populares que me transformou nessa farsa produtora de plágios, tenha o leitor gostado ou não.
