quarta-feira, 28 de junho de 2017

Taciturna Star Noturna

São as estrelas que precisam ver!

Além da comida posta na mesa,

Ou de um trabalho numa empresa:

Identidades e requintes de prazer.



Com fronteiras, ficamos cercados.

Com dúvidas, ficamos ainda mais.

Queremos primeiro ser amados,

Para depois amarmos nossos pais.



Estamos em fuga, tão ameaçados,

Estamos todos aqui encarcerados,

Afasto-me mais, logo se aproxima,

Abismo cá abaixo, céu lá em cima.



A ameaça torna-me mais animal,

Não quero aceitar, deixa-me mal.

É um risco o ato de aproximação,

Injuria-me e me cega de emoção.



São as estrelas que precisam ver!

Não aguento mais, não identifico.

Está demais, será que saio ou fico?

O tempo urge, todos querem lazer.



Não quero contatos, só artifícios!

No vago conforto do objeto in silica.

E na minha vã existência gentílica,

Antes eu satisfeito, sem sacrifícios.



Não olho as estrelas, me sinto vadio.

Quero ser amado e, então, me amar.

Me visto medonho, pra não ser vazio.

Espelho de água, mas não vejo o mar.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O SABER E O SABOR: Sapiem et Saporum - PARTE II

Mandei essa reflexão há pouco a um amigo. Compartilho aqui também a vocês, caros, como sugestão de leitura.


Cântico:
"a sabedoria é radiante, não fenece, é facilmente contemplada por aqueles  que a amam e se deixa encontrar por aqueles que a buscam. Ela mesma se dá a conhecer aos que a desejam... Ela faz brilhar sua nobre origem, vivendo na intimidade de Deus, pois o Senhor de tudo a amou".

Tao-Te-Ching:
"os que têm saber não são sábios; os que são sábios não têm saber.".

Rubem Alves:
"os conhecimentos nos dão meios para viver.
A sabedoria nos dá razões para viver.
Sábias são as pessoas que sabem viver. Tolo é aquele que, tendo defendido tese sobre barcos e mapas, não sonha com horizontes, não planeja viagens, não imagina portos. Anda sempre em terra firme por medo de naufrágio".


Lembrando que as escrituras sagradas antigas indicam o caminho para viajarmos ao templo do Altíssimo divino, a fim de termos sabedoria para viver plenamente, contemplando o cosmos.

O sábio não se injuria porque tudo podem tirar dele, exceto a sua personalidade. A sabedoria para o sábio basta e, portanto, nem o Imperador é capaz de atingi-lo, dizia o master estoico Sêneca. O imperador Nero era, de fato, aluno e amigo de Sêneca e, não suportando essa sabedoria, ordenou que o seu mestre fosse executado. Semelhança com Sócrates e Jesus?

 Muito disso foi elaborado entre os dois lados. Babilônia, Grécia, Irã, Egito, Índia etc. Ciro e Salomão talvez eram suficientemente sábios para reinar o seu povo, o que não vemos hoje, infelizmente. Eis que, num dado momento, o lado do ocidente passou a negligenciar a mística e a sabedoria divina. Tomando o renascimento e a reforma como marco, ao desvirtuarem o helenismo filosófico e religioso, o saber passou a prevalecer na sociedade, gerando ciência, tecnologia e mercados lucrativos. Aonde chegamos, humanidade?

Saber ≠ Sabedoria.

terça-feira, 20 de junho de 2017

O SABER E O SABOR: Sapiem et Saporum

Negociamos diariamente conosco, na intimidade do nosso ser, um simples mecanismo de recompensa. Muito fazemos, mas nós pouco elaboramos nesses impulsos cotidianos nos quais o prazer domina a razão.

Não haveria atuação sem o presente dilema. Ainda que controlássemos o subconsciente e a intuição, ambas as substâncias manter-se-iam imóveis aguardando um estímulo recompensador.

Em transformação natural ininterrupta, que o devir nos apresenta, ora condicionada pelo sujeito, ora ao acaso do objeto, mantemos uma posição de negociação. Há de se apontar o prejuízo que o físico recebe em troca da satisfação do ego.

Mas, além de efeitos como a akrasia, a paixão movida à recompensa estimula a renovação de esperança. Sem esperança, a vida se esgota. O desejo pelo prazer envolve também a perseverança das pessoas amadas, não só a preservação de si próprio com requintes de gozo.


O corpo sente e a cabeça julga. Corpo limitado pela natureza do ser e pelas idiossincrasias do sujeito. Julgamento transitório entre o consciente e o subconsciente que retorna ao corpo a orexis da vida, a vontade de potencia. A energia há de fluir saudavelmente entre as partes através do órgão mediador: o coração. Ora, pois o corpo ingere, o coração absorve e a cabeça digere. Algo é transformado e assimilado, ora em alimento da alma, ora em excremento. Mantenha-se alimentado e não enfezado. Coma bem e cuide do teu intestino, pois somos o que comemos.