São as estrelas que precisam ver!
Além da comida posta na mesa,
Ou de um trabalho numa empresa:
Identidades e requintes de prazer.
Com fronteiras, ficamos cercados.
Com dúvidas, ficamos ainda mais.
Queremos primeiro ser amados,
Para depois amarmos nossos pais.
Estamos em fuga, tão ameaçados,
Estamos todos aqui encarcerados,
Afasto-me mais, logo se aproxima,
Abismo cá abaixo, céu lá em cima.
A ameaça torna-me mais animal,
Não quero aceitar, deixa-me mal.
É um risco o ato de aproximação,
Injuria-me e me cega de emoção.
São as estrelas que precisam ver!
Não aguento mais, não identifico.
Está demais, será que saio ou fico?
O tempo urge, todos querem lazer.
Não quero contatos, só artifícios!
No vago conforto do objeto in silica.
E na minha vã existência gentílica,
Antes eu satisfeito, sem sacrifícios.
Não olho as estrelas, me sinto vadio.
Quero ser amado e, então, me amar.
Me visto medonho, pra não ser vazio.
Espelho de água, mas não vejo o mar.