quinta-feira, 27 de abril de 2023

A Maçonaria de Goethe

Goethe, maçom, advogado, filho de político, expoente do literatura mundial, maior escritor e poeta alemão, que inaugurou o Romantismo com a obra prima epistolar “Os Sofrimentos do Jovem Werther”.

Napoleão, Imperador francês outrora o homem mais poderoso, que lançou ofensivas e dominou territórios com espírito belicoso, temido por muitos devido a sua língua afiada e ações desmedidas.

O encontro entre o dois deu-se em 2 de outubro de 1808, em Erfurt, na Turíngia. Napoleão pediu a Goethe que escrevesse tragédias contando seus feitos, inspirado no herói Carlos Magno, por quem era obcecado. O maior Imperador desejava eternizar seu nome na história por meio de produções literárias do maior poeta.

“Era onze da manhã, entrei na sala e o Imperador estava sentado numa grande mesa circular, tomando café da manhã, cercado de seus ministros, discutindo sobre impostos, me pediu para aproximar e disse: você é um homem. Quantos anos tem? Goethe disse: sessenta. O Imperador: você está bem preservado e tem escrito tragédias. Traduziu do francês o Mahomet, de Voltaire (maçom), que não foi um bom trabalho...” Napoleão perseguia artistas e censurava informações.

Nessa conversa, sob duras críticas a respeito de posicionamentos políticos, Goethe argumenta: “um poeta pode ser desculpado por se refugiar em um artifício difícil de detectar, quando deseja produzir efeitos específicos que não podem ser criados simples e naturalmente”. Goethe não aceitou a tentadora oferta de perpetuar uma imagem heroica do homem mais poderoso do mundo. Doze dias depois, o Imperador concedeu a Goethe a Grande Cruz da Legião de Honra.

Fonte: Goethe Mélanges, Traduction Porchat, Hachette, 1863 (Annales de 1749 à 1822, p. 307-309.

 

Goethe, irmão de Voltaire e difusor de suas obras, chamava Voltaire de “A principal fonte de Luz”, mas guardava ressalvas fraternas, pois Voltaire era feroz crítico das religiões, sobretudo do clericalismo e islamismo. Já Goethe, dedicava estudos ao Islã e admirava a religião do Oriente, sendo chamado em alguns círculos de “Meccanus” – de Meca. Goethe só traduziu o “Mahomet” (ou “Le Fanatisme”) pois foi comissionado para tal pelo Duque Carl August com volumoso aporte financeiro. Na época, Goethe era presidente do Teatro de Corte de Weimar, bastião da cultura cênica e de grande influência artística e política européia, cuja sobrevivência não seria possível sem os aportes de mecenas, como os do Duque Carl August.

Frederick William III, maçom, era o Imperador da Prussia quando Napoleão caiu, aderiu a frente antinapoleônica e tomou parte no Congresso de Viena, que definiu a reconfiguração européia pós Napoleão, e tinha alianças com a Igreja Protestante.

Fonte: https://www.richtmann.org/journal/index.php/ajis/article/view/2444/2418


Os cinco tios da maçonaria: Napoleon bonaparte · 1769-1821 · joseph bonaparte · 1768-1844 · louis bonaparte · 1778-1846 · jerome bonaparte · 1784-1860 · lucien bonaparte · 1775-1840

Não há registro que evidencie a iniciação de Napoleão, mas é verificado em fontes diversas que os demais irmãos foram iniciados em Lojas maçônicas.

 

 

 

domingo, 26 de março de 2023

A CORDA DE 81 NÓS ▲ Trabalho Apr∴M∴ Dαnιεl Mιyαhιrα Guεrrαzzι ▲ A∴R∴L∴S∴ ΑΤΗΕΝΑΣ № 3.913


                                         

AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA SIMBÓLICA ATHENAS, Nº 3.913
FUNDADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2007
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO - GOSP

י

À Gl do GADU

 

 

A CORDA DE 81 NÓS

 

"A única maneira de cobrir a Loja com êxito é estar com a mente pura, o coração cheio de amor divino e cobrir contra pensamento maligno".

M M José Ebran, O Arcano da Transmutação

 

Corda, cordão, utensílio primitivo usado em peças de vestuário, bélico (funda, laço, arco), carga (animais e pessoas), descanso (redes), caça (pesca, arco), transporte (velas e âncoras navais), engenharia, insígnias ritualísticas (Tzitzit Tekhelet, Vaina Sutra, Kruang, Mongkon, Corda de 81 Nós).

Na esteira dos diversos significados e utilidades atribuídos à corda, debruçar-nos-emos sobre o escopo deste trabalho, a ritualística, apontando alguns usos no mundo profano e concluindo com a maçônica Corda de 81 Nós.

O tzitzit é o nome das franjas do talit, manto sagrado do judaísmo. O tzitzit está escrito na Bíblia, como cordão azul na borda das vestes para que observemos os Mandamentos de D'us e sejamos santificados. O motivo do número de voltas entre cada espaço de nós nos tzitzit, respectivamente 7, 8, 11 e 13 é que eles totalizam o mesmo valor numérico das palavras Hashem Echad (D’us Único) que, em hebraico, é 39. Em cada borda do talit encontramos 5 nós, ou seja 20 nas 4 pontas, equivalentes às mãos e aos pés nos quais encontramos 20 dedos. Isto transmite a ideia de que todos os membros humanos encontram-se a serviço de D’us.

O Hinduísmo dedica à corda essência divina: Vajna Sutra. Vajna significa Brahma, ou Espírito Supremo, e Sutra cordão, ou união. Juntas, as duas palavras significam algo que une ou liga um homem ao seu espírito ou deus.

            A corda significa graduação de força e habilidade na filosofia das artes marciais, que são atributos de defesa de um povo ou de uma pátria. Por exemplo o Kruang, amarrado no braço, que, dependendo de sua cor, indica o grau do lutador de Muay Thai. Além do Mongkon, uma corda-amuleto que adorna a cabeça, parte sagrada do lutador, para o munir com poderes divinos, como sorte e proteção. A corda amarrada na cintura dos capoeiristas, com seu nó e borlas próprios, emblema do gingado e consagrado símbolo da cultura brasileira.

Atribui-se ao matemático grego Arquimedes (287 a.C. - 212 a.C.), de Siracusa, a frase "dê-me um ponto de apoio e eu moverei a Terra". A corda acompanha o homem desde o pretérito remoto, sendo ferramenta de vital utilidade que, como um ponto de apoio da evolução, alavancou a espécie rumo ao progresso da civilização.

Sobremaneira, a corda é uma forte mensagem na Bíblia, com variados significados, como, por exemplo, Salmos 2:3, Salmos 11:2, Salmos 21:12, Salmos 116:3, Salmos 118:27, Salmos 129:4, Salmos 140:5, Êxodo 28:28-37, Êxodo 35:18, Êxodo 39:21-40, Jó 18:10, Jó 30:11, Jó 36:8, Jó 38:31, Jó 39:10, Jó 41:1, Números 3:26, Números 3:37, Números 4:26, Números 4:32, Números 15:38, Isaías 3:24, Isaías 5:18, Isaías 33:20-23, Isaías 54:2, Jeremias 10:20, Jeremias 38:6-13, Provérbios 5:22, 2 Samuel 8:2, 2 Samuel 17:13, 2 Samuel 22:6, Oséias 11:4, João 2:15, Ezequiel 3:25, Ezequiel 4:8, Ezequiel 27:24, Josué 2:15-21, Juízes 15:13-14, Juízes 16:11-12, 1 Reis 7:23, 1 Reis 20:31-32, Eclesiastes 4:12, Eclesiastes 12:6, 2 Crônicas 4:2, Gênesis 38:18-25.

E sobre a Corda de 81 nós, que compõe a Loja Maçônica? 

Da Camino nos apresenta sua leitura que, destarte, valoriza este ornamento com significados maçônicos:

"Em torno da Loja, entre o término das Colunas e o início da Abóboda Celeste, coloca-se um cordão que de espaço em espaço apresenta um nó simples, terminando as pontas do cordão em duas borlas; a grossura do cordão e o material de que é feito dependem do que disporá́ o Arquiteto da Loja. Este Cordão tem significado simbólico porque diz respeito aos próprios Obreiros. O Cordão é composto de múltiplos fios que, isolados são frágeis, mas que no conjunto apresentam-se muito resistentes, e confirma o adágio de que a União faz a Força, lembrando aos maçons que, unidos, podem lutar contra o vício. Representa, outrossim, a Cadeia de União, interrompida porque ornamento. Os nós significam os elos da Cadeia de União, ou seja, representam a todos os maçons, sem qualquer distinção, que fazem parte integrante da Loja sem, por isso, fundirem-se e perderem a individualidade. Representam os nós, também, as dificuldades da Vida, que o maçom deve esperar sempre o pior e o difícil, e que para conquistar algo, faz-se necessário o desfazimento do nó. São 81 nós, e este número é altamente simbólico porque representa a máxima multiplicação do número 9, que é considerado o número perfeito por ser múltiplo de três e sua elevação ao cubo. Desde que surgiu, o número 9 é considerado o perfeito entre os perfeitos, pois qualquer combinação que se faça com ele, o resultado será́ sempre o mesmo. É o símbolo da Imortalidade, da Regeneração e da Vida Eterna. Algumas seitas religiosas usam este cordão em torno de sua cintura e verificamos com facilidade entre os religiosos capuchinhos da Igreja Católica Apostólica Romana o cordão com nós. Serve entre alguns povos, como instrumento de oração, de alfabeto, de mensagem, e deu origem ao Rosario Católico. Os próprios indígenas norte-americanos, gravavam suas mensagens, como o faziam os incas e os astecas, por meio de nós em barbantes coloridos (...)" (1)

Da Camino, em outra abordagem da Corda de 81 nós, apresentada na obra "Aprendizado Maçônico", diz:

"A Corda dos oitenta e um nós que contorna a parte interior e superior do Templo, antes da Abóbada Celeste, tem a finalidade de simbolizar a união dos Maçons, que com os seus oitenta e um “laços”, recorde o entrelaçamento das mãos formado na Cadeia de União; essa Corda absorveria as “tensões” nervosas (elétricas) dos IIr.·., descarregando-as através dos fios das duas Borlas Pendentes. Essas Borlas deveriam ser amparadas pelos Diáconos, sustentando-as em suas mãos, quando da formação do “triângulo”, junto com o M.·. de CCer.·., protetor ao Oficiante, no momento da abertura dos trabalhos. A Borla é formada de um “botão” recoberto de fios, formando uma “franja”; o “botão” concentra as “forças” e os fios, as descarregando, pois, uma Borla sempre terá fios pendentes para baixo, em direção à terra." (2)

O Ir Mestre Maçom João Dias, da ARLS Fé, Equilíbrio e Amor n°317, do Oriente de São Paulo, diz que os três ornamentos do Templo Maçônico são o Pavimento Mosaico, a Orla Dentada e a Corda de 81 nós. Destarte, nos engrandece com suas palavras para descrever a Corda de 81 nós, em sua obra "Simbólica do Primeiro Grau":

"No Templo está representada toda Simbologia da Fraternidade Maçônica e a União dos Maçons. Segundo Plantagenet, a Corda de 81 nós tem relação direta com o Pavimento Mosaico, a Orla Dentada, a Cadeia de União e as Romãs. Cada um desses símbolos relembra que todos os Maçons espalhados pela superfície do globo formam entre si uma única família de Irmãos. A Corda de 81 Nós é, portanto, o emblema simbólico da União e da Fraternidade Maçônica. (...)

É a corda colocada na frisa das paredes do Templo, que apresenta, de distância em distância, nós emblemáticos, em número total de 81 que são chamados “laços de Amor” e primitivamente, estas cordas eram desenhadas no pequeno paralelogramo, traçado no chão, com giz ou carvão, que constituía então o Painel da Loja e que, posteriormente, foi substituído pelo “tapete”. A corda sempre foi um grande instrumento nas antigas construções (como também o é nas modernas). Serviu para arrastar pedras por planos inclinados, para construir as Pirâmides e para inúmeros outros trabalhos, incluindo-se os da navegação. A corda de 81 nós percorre sem interrupção, as paredes do Templo, terminando, de cada lado da porta do Ocidente, por uma borda pendente. Duas outras borlas (estas artificiais), são colocadas no Ocidente de modo que, ao todo são quatro borlas, duas (reais) no Ocidente e duas (artificiais) no Oriente. A razão disso é que as borlas devem representar as quatro virtudes cardiais: Temperança, Justiça, Coragem e Prudência. À coragem e à Temperança devem corresponder as borlas situadas no Ocidente; a Justiça e a Prudência são representadas pelas borlas do Oriente, devendo a Justiça ser aquela que fica ao lado do Orador." (3)

O Ritual de Aprendiz do REAA, Grande Oriente de São Paulo, página 26, descreve a Corda de 81 nós concisamente:

"Rodeando as paredes, pelas frisas, estará um cordão com 81 nós, cujo nó central estará no meio, ao fundo do Oriente, e suas extremidades terminarão em cada um dos lados da porta de entrada, com uma borla em cada ponta, que representarão respectivamente, Justiça (ou Equidade) a do lado Norte, e Prudência (ou Moderação) a do lado Sul." (4)

 

VOCÊ SABIA QUE...

O Ir João Barbosa de Oliveira diz que não há menção da Corda de 81 nós antes da Cisão de 1927. Esta provável origem indica que a Corda de 81 nós foi introduzida nos Ritos sem profundas explicações. Na literatura antiga estrangeira não há referências à Corda de 81 nós.

Ritos que utilizam a Corda de 81 nós são o REAA, Moderno, Brasileiro e o Adonhiramita.

A Corda de 81 nós guarda relação com o número 3, pois (3²)²= 3²x3²= 3⁴= 3x3x3x3= 81. Sendo o 3 número trino, a tríade repleta de significados na Maçonaria, cujos significados merecem estudos dedicados.

A Corda de 81 nós possui 1 nó central com 40 nós de cada lado. O nó central remete ao Uno, Unidade, Princípio indivisível. Lembremos da definição n° 1 de Euclides, pai da geometria e da matemática: ponto é aquilo de que nada é parte. (5) O número 40 nós indica penitência e expectativa quando relacionados à Bíblia, pois 40 foram os dias do dilúvio (Gênesis, 7, 12), 40 foram os dias de Moisés no monte Sinai (Êxodo, 34,28), 40 dias durou o jejum de Jesus (Mateus, 4, 2), 40 dias Jesus esteve na Terra após sua ressurreição (Atos, 1, 3), 40 dias dura a Quaresma.

O número 81 é estudado por maçons sob a Luz da Cabala, pois representa os 72 Arcanjos que guardam o trono de D'us (Semanphores) somados aos 9 Mestres construtores do Universo (Elohims). Se dividirmos a unidade do tempo (hora) pelo número 3, temos 20 minutos, logo, a cada 20 minutos um Arcanjo visita a Terra, o que resulta em 72 Arcanjos diariamente.

Na Cosmogonia dos Druidas, as Tríades dos antigos Bardos eram em número de 81 e os três círculos fundamentais de que trata esta doutrina têm como valor numérico o 9, o 27 e o 81, todos múltiplos de 3.

Sobre a Posse do Ir Louis Philippe Joseph d'Orléans, duque de Orleans eleito Grão-Mestre da Grande Oriente da França em 23 de agosto de 1773, não há registros oficiais, portanto, temos como lenda que na ocasião da transmissão da Palavra Semestral e da Posse estavam presentes 81 Grão-Mestres e a decoração da abóbada celeste continha 81 estrelas. O Sereníssimo Grão-Mestre Louis foi guilhotinado em 6 de novembro de 1793, aos 46 anos, durante o Reino do Terror. (6)


POESIA

 "Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou o cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, e fazemo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de tirar conclusões, ou pela necessidade absurda de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.

Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.

Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, e processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados."

Fernando Pessoa, "Livro do Desassossego".


REFERÊNCIAS

(1) Rizzardo Da Camino. Endereço eletrônico pelo URL https://dacamino.com.br/a-corda-de-81-nos/, acesso online em 02/04/2023.

(2) Rizzardo da Camino. “Aprendizado Maçônico”, Livraria Maçônica Paulo Fuchs, 2001.

(3) João Dias. “Simbólica do Primeiro Grau”, 2° Edição, Fundação Biblioteca Nacional, 2016.

(4) Grande Oriente de São Paulo. “Ritual de Aprendiz”, Rito Escocês Antigo e Aceito, 2022.

(5) Euclides. “Os Elementos”, Tradução de Irineu Bicudo, Editora Unesp, 2009.

(6) Wikipédia. Luís Filipe II, Duque de Orleães, Endereço eletrônico pelo URL https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Filipe_II,_Duque_de_Orle%C3%A3es, acesso online em 02/04/2023.

 

 


 

Trabalho feito pelo Apr M Dαnιεl Mιyαhιrα Guεrrαzzι

ARLS ΑΤΗΕΝΑΣ № 3.913 - GOSP - R.E.A.A.

  

 

ABRIL 2023

sábado, 11 de março de 2023

DISPOSIÇÃO DE CARGOS EM LOJA ▲ Trabalho Apr∴M∴ Dαnιεl Mιyαhιrα Guεrrαzzι ▲ A∴R∴L∴S∴ ΑΤΗΕΝΑΣ № 3.913


                                         

AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA SIMBÓLICA ATHENAS, Nº 3.913
FUNDADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2007
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO - GOSP


י

À Gl do GADU

 

 

DISPOSIÇÃO DE CARGOS EM LOJA

 

"O Maçom deve encontrar esses momentos agradáveis, leves e que conduzem à paz interior. O Maçom ao fugir da agonia do mundo profano, tão acentuado em nossos dias, pode recolher-se em si mesmo e encontrar essa inefabilidade mento-espiritual".

Rizzardo da Camino

 

 

Amados e Valorosos Irmãos, apresento meu primeiro estudo, que é sobre a disposição de cargos em Loja. Ciente das minhas limitações de conhecimento nos augustos mistérios, como é de se esperar do grau de Aprendiz, que me permite apenas voos rasos na quase escuridão por não suportar a Luz plena, pretendo compartilhar meu entendimento sobre algumas leituras do assunto “Disposição de Cargos em Loja”, de forma concisa e não exaustiva, a fim de apreender saberes Maçônicos e desbastar as arestas de neófito, paramentado com avental branco de abeta alçada, munido de maço e cinzel, no Norte, do meio-dia à meia-noite, trabalhando-me a Pedra Bruta.

O Ir Rizzardo da Camino, M M iniciado em 1946, na Loja Electra nº 21, da Grande Loja do Rio Grande do Sul, membro emérito do Supremo Conselho do Grau 33 do R.E.A.A., membro fundador da Academia Maçônica de Letras, com mais de 40 livros de Maçonaria publicados e que nos alumia do Or Eterno, diz "das Luzes e dos Oficiais da Loja", que são as seguintes: (1)

1. Venerável Mestre

2. Primeiro Vigilante

3. Segundo Vigilante

4. Orador

5. Secretário

6. Tesoureiro

7. Chanceler

8. Primeiro Diácono

9. Segundo Diácono

10. Mestre de Cerimônias

11. Hospitaleiro

12. Primeiro Experto

13. Segundo Experto

14. Porta-estandarte

15. Porta-espada

16. Guarda do Templo

17. Cobridor

18. Arquiteto

19. Mestre da Harmonia

20. Mestre de Banquetes

Rizzardo diz quem são as Luzes da Loja. E o que é a Luz?

Na 14ª Instrução de Grau Apr, que se chama A Recepção da Luz, dialogando com o Ven, o 2º Vig diz:

- A Vend nos olhos simboliza a ignorância, a ilusão e a incapacidade que impedem o candidato de ver a essência da Verdade. A queda da Vend representa a vitória final do iniciado sobre o profano, o fim de sua escuridão espiritual. A sua primeira visão após longo período de recolhimento concentra-se sobre as Três Grandes Luzes da Maçonaria: o L da L, o Esq e o Comp (2)

Nenhuma sessão inicia se na Loja faltar o L da L, o Esq ou o Comp

Na 17ª Instrução de Grau Apr, que se chama Conquistando a Luz Mental, dialogando com o Ven, o 1º Vig diz:

- O Vértice representa a síntese do saber iniciático que nos inspira quando da especulação da verdade transcendental e nos ilumina o caminho quando da aplicação prática da virtude. A Luz Mental, que ilumina a caminhada iniciática, nasce no vértice do Comp. É fruto da fusão do saber refletido, a partir das leis físicas e biológicas do Universo, com o saber intuído, inspirado, originado da especulação transcendental e da sensibilidade anímica aos impulsos da Virtude. (2)

Podemos dizer que as Luzes também são os Cargos da Loja?

Na Primeira Instrução do Apr, conforme o Ritual de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Ven Mestre dirige-se aos AApr

- O procedimento de ingressar no Templo é precedido pela bateria, a qual consiste em três batidas igualmente espaçadas. A bateria pode ser dada de diversas formas. Como por exemplo, com malhetes, quando as Luzes estão desempenhando seus trabalhos... (3)

O Ritual de Emulação apresenta as três Luzes Menores, que são as três velas ou castiçais do Leste, Sul e Oeste, denotando o Sol no seu ascendente, meridiano e poente para iluminar os homens em seus trabalhos e que simbolizam:

-O Mestre para governar sua Loja.

-O Sol para governar o dia.

-A Lua para governar a noite.

Esta referência remonta aos mais antigos catecismos, e as tais luzes, como dito, se referem às posições do Sol, tanto como um lembrete de ser o tempo fugaz e o dia regular, como a Luz material para ser usada na leitura das Escrituras. A denominação de Luzes Menores foi empregada na Inglaterra, porque foi associada às Preleções dos Antigos.

Segundo a Preleção do Aprendiz, a finalidade filosófica das Três Luzes Menores é para mostrar o devido curso do Sol que, nascendo no Leste, atinge o seu meridiano esplendor no Sul e se põe no Oeste; também para iluminar o homem no percurso, durante e no seu retorno do trabalho.

A justificativa para não se ter nenhuma Luz no Norte é o fato de o Sol estando abaixo da linha do horizonte, não há incidência de seus raios daquele quadrante para o nosso hemisfério. (6)

Veremos quem são as Luzes e onde Elas estão desempenhando seus trabalhos. 

Sob o dossel, num estrado de três degraus, estão o Trono e o Altar do Venerável, de forma retangular.

Sobre esse altar, um candelabro de três braços com três velas, um malhete, um exemplar do Estatuto e Regulamentos da Loja, a Espada Flamejante e o Ritual para os trabalhos. Além disso, também estarão sobre esse altar um Compasso e um Esquadro. (4)

Façamos a leitura de Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, sobre a criação do mundo, cuja autoria é atribuída a Moisés. No primórdio, o G∴A∴D∴U∴ criou o pecador, vestido de túnica de pele, que, do Oriente, deu lugar a querubins com espadas inflamadas para que guardassem o caminho.

"E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu. Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente. O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3:21-24

    Querubins são mensageiros e guardiões de Deus, que integram a primeira ordem na hierarquia angelical, citados várias vezes na Bíblia, como, por exemplo, em Gênesis 3:24, com espada flamejante guardando a árvore da vida, e em 1 Reis 8:6-7, cobrindo a arca da aliança com suas asas estendidas.

O Esquadro, ferramenta de trabalho do Ven Mestre, Joia Móvel símbolo da retidão e das ações pautadas na justiça. O Nível, ferramenta de trabalho do 1° Vig, Joia Móvel símbolo da igualdade, e o Prumo, ferramenta de trabalho do 2° Vig, Joia Móvel símbolo da dignidade e altivez.

Sobre os altares dos Vigilantes, também haverá candelabros de três braços com três velas, e um malhete. No altar do Primeiro Vigilante haverá um Nível, e no altar do Segundo Vigilante, um Prumo. (4)

O Presidente da Loja leva o Título de Venerável Mestre. O Venerável Mestre, assim como o Primeiro e Segundo Vigilantes são chamados de Luzes e, juntamente com o Orador e o Secretário são as Dignidades da Loja. Somente o Venerável tem o título especial, acima referido; os demais membros da Loja são indistintamente tratados por Irmãos. (4)

Temos que os Cargos da Loja são ocupados por mestres e que, dentre os Cargos, há três Luzes, que são o Ven Mestre, o 1° Vig e o 2° Vig. Os demais cargos são chamados de Oficiais da Loja.

Qual é a disposição de Cargos em Loja?

Tomemos como requisito o prévio conhecimento da disposição e decoração do Templo. Destarte, nos debruçaremos sobre a disposição dos Cargos em Loja.

No Or, tomam assento as Dignidades da Loja: o Ven Mestre, o Orador e o Secretário. Também tomam assento no Or o Ir Primeiro Diácono, os Mestres Instalados, Deputados, Juízes, Grão Mestrado, Assessores, Coordenadores e demais Autoridades presentes, seja do quadro da Loja ou visitantes.

Sob o dossel vermelho com franjas de ouro e sobre o estrado de três degraus, estão o Trono e o Altar do Venerável Mestre.

O Ven Mestre é o chefe executivo eleito que preside os trabalhos, nomeia os Oficiais, representa, fiscaliza e supervisiona todos os trabalhos da Loja, dentre outras competências previstas no Regulamento Geral do Grande Oriente de São Paulo.

O Grão-Mestre tem assento na cadeira situada ao lado direito do Ven Mestre, de onde dirigirá os trabalhos se assim o desejar. Caso o Grão-Mestre Adjunto esteja presente sem o Grão-Mestre, ele ocupará o assento ao lado direito; na presença dos dois, deverá ser providenciado assento ao Grão-Mestre Adjunto ao lado do Grão-Mestre ou ao lado do Ven Mestre. (3)

"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo toma assento à direita de Deus." Colossenses 3:1

Ao lado direito do Venerável, logo abaixo do estrado, fica o lugar do Primeiro Diácono. Em ambos os lados do trono ficam as autoridades maçônicas, e nos demais assentos do Oriente, ficam os Mestres Instalados. De cada lado da Balaustrada, há mesas retangulares com assentos, à direita do Venerável para o Orador (Nordeste), e à esquerda para o Secretário (Sudeste)(4)

Compete ao Secretário lavrar as Atas, atualizar os arquivos e Livros, comunicações com o Grande Oriente entre outras competências previstas no Regulamento Geral do Grande Oriente de São Paulo.

Os aprendizes sentam-se no topo da coluna do Norte, e os companheiros no topo da coluna do Sul. Os Mestres sem cargo tomam assento na base das colunas do Norte e do Sul. Os Oficiais Arquiteto e Mestre de Banquetes não têm lugar definido em Loja, podendo ocupar qualquer assento compatível com seu grau. (4)

Os Aprendizes têm de se colocar na região escura, Norte, porque não podem suportar a luz plena do meio-dia do meridiano, onde se encontram os Companheiros e Mestres Maçons.

No Ocidente, à frente da Coluna do Norte e sobre um estrado móvel de dois degraus, há uma mesa e o assento para o Primeiro Vigilante. Esta posição permite ao Primeiro Vigilante observar todo o Ocidente, que está sob sua direção e orientação. Na parte Sul em seu meridiano, está uma mesa com um assento, sobre um estrado de um degrau, destinada ao Segundo Vigilante. (4)

Os Vigilantes, de seus tronos, vigiam a Loja com diligência e cautela, atentos às restrições de presença e comportamento no Templo a fim de garantir o espírito fraterno durante a Sessão. (5)

Esotericamente, o Primeiro Vigilante comanda e protege o Setentrião, perscrutando o íntimo dos irmãos para responder ao Venerável Mestre que todos os presentes são maçons. (5)

A Segunda Vigilância empresta harmonia e beleza às colunas e comanda a sua própria, dando ordens ao Guarda do Templo e zelando pela segurança da Loja.

Aos Vigilantes são prestados obediência e respeito, enquanto Luzes do Templo e substitutos legítimos do Venerável Mestre. (5) Demais competências dos Vigilantes estão previstas no Regulamento Geral do Grande Oriente de São Paulo. 

Junto à balaustrada, em seu lado Ocidental, ao lado do Orador, há uma mesa para o Tesoureiro, e à sua frente senta-se o Hospitaleiro. Simetricamente, ao lado do Secretário haverá uma mesa para o Chanceler, sentando-se à sua frente o Mestre de Cerimônias. (4)

Cabe ao Chanceler controlar a presença dos Irmãos em Sessões, expedir Certificados, atualizar o registro dos Irmãos do quadro, dentre outras competências previstas no Regulamento Geral do Grande Oriente de São Paulo (GOSP).

Ao Tesoureiro são designadas as competências de arrecadar e pagar despesas, controlar e assinar papéis de natureza contábil, administrativa, financeira, econômica e patrimonial da Loja, dentre outras previstas no Regulamento Geral do GOSP.

Os demais cargos não citados previamente encontram assento em lugares adequados aos seus trabalhos realizados em sessão. Verificam-se suas disposições conforme planta vigente do Templo do seu respectivo Rito, não havendo pormenores divulgados nas referências estudadas nem no Regulamento Geral do GOSP.

O Ritual de Aprendiz do REAA de autoria do GOSP, em sua edição de 2022, apresenta a planta do Templo ilustrada e a disposição de Cargos em Loja, aprovado através de Decreto nº 154 / 2021-2024, publicado no Boletim nº 2844 de 20 de agosto de 2022 EV

 

VOCÊ SABIA QUE...

Enquanto no Rito Escocês Antigo e Aceito dizemos que o Apr senta-se no Norte, no Rito Adonhiramita dizemos que o Apr senta-se no Setentrião.

No Ritual de Banquete Ritualístico do REAA, por ser Loja de Mesa, tem protagonismo e disposição de destaque o Mestre de Banquete, revestido de suas insígnias, seu avental e sua Joia de Colar com uma Cornucópia, que tem assento de frente para o Ven Mestre, após o Alt dos JJur, sendo ali um local estratégico para o desempenho de seu múnus.

O número de Oficiais e seus assentos em Loja são específicos para cada Rito. Por exemplo, o REAA é realizado por até 20 Oficiais, enquanto o Ritual de Emulação do Grau de Aprendiz Maçom apresenta 18 Oficiais. O nome dos Oficiais também é relacionado ao Rito. Por exemplo, comparando o Rito Escocês Antigo e Aceito com o Rito de Emulação, o Orador do REAA é denominado Capelão no Rito de Emulação, apesar do Capelão não abrir o L da L. O Mestre de Harmonia do REAA é denominado Organista no Rito de Emulação. O Chanceler do REAA assemelha-se ao Esmoler do Rito de Emulação. (6)

A disposição das Luzes no Rito Adonhiramita difere da do REAA Tanto o Primeiro Vigilante quanto o Segundo Vigilante tomam assento no Ocidente. O Primeiro Vigilante no Sudoeste e o Segundo Vigilante no Noroeste. Quanto à disposição dos Oficiais, o Rito Adonhiramita também difere do REAA, por exemplo, o Orador toma assento à esquerda do Ven Mestre, no Sudeste, em vez do Nordeste.

 

REFERÊNCIAS 

(1) Rizzardo da Camino. Simbolismo do Primeiro Grau, Aprendiz, 9ª Edição, Madras Editora.

(2) Tito Alves de Campos. Instrucional Maçônico, Grau de Aprendiz, 5ª Edição, KCM Editora.

(3) Grande Oriente de São Paulo - GOSP. Ritual de Aprendiz, Rito Escocês Antigo e Aceito, 2022.

(4) Maxell Egens. O Ritual Maçom do Grau de Aprendiz, Acesso online em 17/03/2023: https://pt.scribd.com/document/382911818/Ritual-de-AM-Do-REAA-Na-Integra-Maxell-Egens

(5) Rizzardo da Camino. Breviário Maçônico, 6ª Edição, Madras Editora, 2014.

(6) Fabio Mendes. Ritual de Emulação do Grau de Aprendiz Maçom, 1ª Edição, Editora do Autor, 2011.

 

 

 

 

Trabalho feito pelo Apr M Dαnιεl Mιyαhιrα Guεrrαzzι

ARLS ΑΤΗΕΝΑΣ № 3.913 - GOSP - R.E.A.A. 

 

  

 

ABRIL 2023