A educação, a meu ver,
pode ser vista historicamente em três períodos distintos: a antiguidade do
saber sofista helenístico, que, com forte influência estoica, levou à
transição medieval do saber romano cristão e a atual contemporânea regida
basicamente pelos preceitos da propaganda de doutrinamento. A última
educação tem uma potencia formadora de rebanho que, a partir de
material direcionado e poder de persuasão, modela um exército
de operários moldados como engrenagens dos meios de produção: Ora, Homo
technologicus, ora Homo
economicus.
A escola, assim como
outras instituições, acumulou influências dos períodos antigos, conforme
citei, e está em constante transformação no devir cronotópico. Trata-se de um acúmulo de saberes que tece uma relação de
poder entre a instituição e a sociedade, e entre o portador do saber e o aprendiz
(jovem ou adulto). Ora, os interesses das classes dominantes tem um
peso grande nas decisões pedagógicas e educacionais de um Estado. Além, é dever
dos cuidadores, conforme o disposto na constituição do
Estado, manter o menor matriculado em escola exclusivamente reconhecida
pelo sistema, que atenda rigorosamente às diretrizes curriculares estabelecidas
pelas partes interessadas.
Não critico o sistema
educacional, mas exponho o contexto histórico e os interesses envolvidos neste
nobre tema. Haja vista os avanços tecnológicos, quando comparado
ao pretérito, uma maior qualidade de vida do tempo presente é inegável,
porém, o bônus de uma minoria privilegiada neste processo trouxe um ônus para
uma maioria desassistida. Nitidamente, a população global é composta por uma
numerosa massa de proletários e por uma minoria de patrões, ambas as partes
vivendo numa desigualdade social que culmina em violência.
Nasci homem, mas sou filho
de Pandora e ou de Eva, logo expresso a gineco-histeria, aqui
representada pela excessiva curiosidade de respostas e a patológica cobiça pelo
saber. A discrepância entre classes sociais é algo normal da nossa espécie?
Tenho esperança que não. A ciência e sua tecnologia direciona a sociedade rumo
ao progresso realmente? Tenho esperança que sim. Por mais contraditórias que
pareçam ser as minhas esperanças diante da realidade, mantenho-as assim como a
matriarca Pandora as manteve, pois quem as perde é capaz de atuar nas piores
atrocidades imagináveis. Hei de invocar as ninfas em suas funções maternas, a
fim de prover a proteção necessária a um mortal ressentido por experiências
traumáticas, condicionado ao medo desde a tenra idade, entretanto egoísta na
vontade de viver. Os medrosos, sobretudo destes que atuam numa posição
predominantemente edipiana, vivem mais em virtude da excessiva cautela. Já os curiosos,
se não empregar a sua curiosidade na empreitada de um saber racional, podem morrer prematuramente em
consequência da excessiva exposição aos riscos.
O modus operandi que promove este naipe de
progresso, doravante denominado capitalismo, liberalismo, social
democracia etc., transmite uma explícita mensagem negativa à sociedade, por meio da fome,
do frio, da dor e de catástrofes ambientais. Os ruídos que a mídia propaga ad nauseam à
massa estão repletos de ruídos que causam interferências de leitura, portanto uma perversidade
da comunicação. Estamos na era digital, na liquidez pós-moderna, ao alcance de
informações imensuravelmente abundantes, disponíveis em rede global de
comunicação, com acesso amplo e instantâneo, mas nota-se que tal ferramenta se
torna objeto desfavorável ao sujeito aprendiz. Havemos de aplicar um filtro de
bom senso, com juízo e crítica, naquilo que passa pela mídia informatizada.
Ora, pois a propaganda enquanto formadora de uma opinião
pública tem seus conflitos de interesses que incidem diretamente na proposta da
educação. A primeira com uma finalidade originalmente mercadológica e a segunda
com fins humanísticos, tais como aquisição do saber, capacitação do sujeito e promoção
de sua liberdade e igualdade social. Na escola, a promessa de ideias
a fim de atingir o desejo do receptor, ora com interesses comerciais, ora
políticos, deve ser minimizado. A mensagem deve encantar o aluno pela
beleza intrínseca do saber, e não pela persuasão sistemática e
oportunamente direcionada.


