The Economist: A humanidade vacila à beira da guerra mundial
30 January 2018
30 de janeiro de 2018
The Economist magazine, the influential London weekly described by Karl Marx over 150 years ago as the “European organ” of the “aristocracy of finance,” has devoted its latest issue to discussing “The Next War” and “The Growing Threat of Great Power Conflict.” Its lead editorial opens with a chilling warning:
A revista The Economist, a influente semanal de Londres, descrita por Karl Marx há mais de 150 anos como o “órgão europeu” da “aristocracia financeira”, dedicou seus últimos assuntos à discussão da “Próxima Guerra” e à “Crescente Ameaça de um Conflito de Grande Poder”. Seu principal editorial abriu com um alerta arrepiante:
In the past 25 years war has claimed too many lives. Yet even as civil and religious strife have raged in Syria, central Africa, Afghanistan and Iraq, a devastating clash between the world’s great powers has remained almost unimaginable.
Nos últimos 25 anos, a guerra ceifou muitas vidas. Apesar de conflitos civis e religiosos terem arrasado a Síria, África central, Afeganistão e Iraque, um conflito devastador entre as grandes potências mundiais permaneceu quase inimaginável.
No longer … powerful, long-term shifts in geopolitics and the proliferation of new technologies are eroding the extraordinary military dominance that America and its allies have enjoyed. Conflict on a scale and intensity not seen since the Second World War is once again plausible. The world is not prepared.
Não obstante, mudanças poderosas e de longo prazo na geopolítica e a proliferação de novas tecnologias estão deteriorando a extraordinária dominância militar que os Estados Unidos e seus aliados usufruíram. Um conflito numa escala e intensidade não visto desde a Segunda Guerra Mundial é novamente plausível. O mundo não está preparado.
The Economist envisages a dystopian, violent future, with the American military deploying to intimidate or destroy purported challenges to its dominance everywhere.
A The Economist previu um futuro distópico e violento, com a força militar estadunidense posicionando-se para intimidar ou destruir supostos desafios a sua dominância em todos os lugares.
The Economist predicts that in the next 20 years “climate change, population growth and sectarian or ethnic conflict” are likely to ensure that much of the world descends into “intrastate or civil wars.” Such conflicts will increasingly be fought at “close quarters, block by block” in cities ringed by “slums” and populated by millions of people. The future for large sections of humanity is the carnage that was witnessed during last year’s murderous battles over the Iraqi city of Mosul and the Syrian city of Aleppo.
A The Economist antecipou que nos próximos 20 anos “mudança climática, crescimento populacional e conflito sectário ou étnico” provavelmente irão garantir que a maioria do mundo decaia em “guerras intraestado ou civil”. Tais conflitos serão crescentemente travados em “áreas fechadas, bloco a bloco”, em cidades cercadas por favelas e povoadas por milhões de pessoas. O futuro para amplas porções da humanidade é a carnificina que foi testemunhada durante as sanguinárias batalhas do ano passado na cidade iraquiana de Mosul e na cidade síria de Alepo.
But more chilling are the series of scenarios it outlines for a major escalation in tensions between the United States and Russia and China, presented as Washington's strategic adversaries, which at any momednt threaten to spiral into a nuclear holocaust.
Mas mais arrepiantes são os diversos cenários apontadospara uma maior escalada das tensões entre os Estados Unidos, Rússia e China, apresentados como adversários estratégicos de Washington, que a qualquer momento ameaçam convergir num holocausto nuclear.
In July of 2016, Mehring Books published David North’s A Quarter Century of War, which noted:
Em julho de 2016, a Mehring Books publicou “A Quarter Century of War” (Um Quarto de Século de Guerra), de David North, que observou:
Beginning with the first Persian Gulf conflict of 1990-91, the United States has been at war continuously for a quarter century. While using propaganda catchphrases, such as defense of human rights and War on Terror, to conceal the real aims of its interventions in the Middle East, Central Asia, and Africa, as well as its confrontation with Russia and China, the United States has been engaged in a struggle for global hegemony. As the US seeks to counteract its economic weakness and worsening domestic social tensions, its relentless escalation of military operations threatens to erupt into a full-scale world war, between nuclear-armed states.
Começando pelo primeiro conflito do Golfo Pérsico de 1990-91, os Estados Unidos estão em guerra continuamente por um quarto de século. Enquanto usa lemas de propaganda como defesa dos direitos humanos e Guerra ao Terror, para encobrir os verdadeiros objetivos de suas intervenções no Oriente Médio, Ásia Central e África, bem como seu confronto com Rússia e China, os Estados Unidos têm se dedicado na luta pela hegemonia global. Enquanto os Estados Unidos buscam neutralizar sua fraqueza econômica e tensões sociais domésticas agravadas, sua implacável escalada de operações militares ameaça culminar em uma ampla guerra mundial, entre estados munidos de armas nucleares.
Less than two years later, much of this assessment has been echoed by one of the most significant political organs of Anglo-American capitalism. But the conclusions drawn by the Economist, speaking as the unalloyed representative of financial and corporate oligarchs whose wealth is bound up with American imperialist global dominance, are the exact opposite of North’s stated aim of helping build a “new antiwar movement.”
Após menos de dois anos, muito dessa avaliação tem ecoado por um dos órgãos políticos mais significantes do capitalismo anglo-americano. Mas as conclusões esboçadas pela The Economist, falando enquanto a total representante da oligarquia financeira e empresarial cujas riquezas estão atreladas à dominância global doimperialismo estadunidense, são o exato oposto do objetivo declarado por North de ajudar a construir um “novo movimento antiguerra”.
Rather, the Economist urges the United States to develop the “hard power” to defend itself against “determined and able challengers,” presenting the sociopathic argument that peace is best safeguarded by America’s ability to utterly destroy its adversaries.
Ao invés, a The Economist incita os Estados Unidos a desenvolverem o “poder forte” para se defenderem contra “desafiantes determinados e capazes”, apresentando o argumento sociopata que a paz é mais bem protegida pela habilidade estadunidense de destruir seus adversários.
The premise of the special report is that urgent action must be taken by the United States to stem the decline of its hegemony. It asserts that if the Chinese and Russian ruling classes are permitted to realise their ambition of dominant influence in their own regions, the “plausible” consequence will be a “devastating clash between the world’s great powers”—a world war fought with nuclear weapons.
A premissa do relatório especial é que a ação urgente deve ser tomada pelos Estados Unidos a fim de restringir o declínio de sua hegemonia. O relatório afirma que se as classes dominantes chinesas e russas são permitidas a realizar sua ambição de influência dominante em suas próprias regiões, a consequência “plausível” será um “colapso devastador entre as grandes potências mundiais” – uma guerra mundial travada com armas nucleares.
China and Russia, its editorial in the January 27 edition declares, “are now revisionist states that want to challenge the status quo and look at their regions as spheres of influence to be dominated. For China, that means East Asia; for Russia, eastern Europe and Central Asia.”
China e Rússia, seu editorial da edição de 27 de janeiro declara, “são agora estados revisionistas que querem desafiar o status quo e olhar para suas regiões como esferas de influências a serem dominadas. Para China, isso significa Ásia Oriental; para Rússia, Leste Europeu e Ásia Central”.
The conclusion advanced by the Economist is that America must end “20 years of strategic drift” under successive administrations, which has allegedly “played into the hands of Russia and China.” In a series of articles, its special report advocates that the US spend staggering sums on new nuclear weapons and conventional weapons systems, including robotic and artificial intelligence (AI) technology, to ensure that it retains the military superiority that has, until now, inspired “fear in its foes.”
A conclusão antecipada pela The Economist é que os Estados Unidos devem encerrar os “20 anos de manobras estratégicas” através de sucessivas administrações, que alegadamente “realizaram nas mãos da Rússia e China”. Em uma série de artigos, seu relatório especial defende que os Estados Unidos gastam expressivas somas em novas armas nucleares e sistemas de armas convencionais, incluindo tecnologia de inteligência robótica e artificial (AI), para garantir que seja mantida a superioridade militar que inspirou, até o momento, o “medo em seus inimigos”.
It warns: “The pressing danger is of war on the Korean peninsula, perhaps this year ... Tens of thousands of people would perish, many more if nukes were used.”
Alerta-se: “O perigo iminente é de guerra na península coreana, talvez esse ano... dezenas de milhares de pessoas morreriam, muito mais se armas nucleares fossem usadas”.
The US military is ready to launch such a war. It has B-2 and B-52 nuclear-capable bombers forward deployed at Guam, and hundreds of jet fighters and an armada of warships in other Pacific bases. There is ample reason to believe that the confrontation Washington has provoked with North Korea, through its demand that Pyongyang give up its nuclear weapons program, is a massive rehearsal for a future nuclear stand-off with China.
A força militar estadunidense está pronta para iniciar tal guerra. Ela tem bombardeiros B-2 e B-52 de capacidade nuclear posicionados em Guam, centenas de caças e uma armada naval em outras bases do Pacífico. Há razão suficiente para acreditar que o confronto provocado por Washington com a Coréia do Norte, através de sua exigência que Pyongyang desista do programa de armas nucleares, é um ensaio robusto para um futuro impasse nuclear com a China.
The Economist opines that “a war to stop Iran acquiring nuclear weapons seems a more speculative prospect for now, but could become more likely a few years hence.”
A The Economist opina que “uma guerra para impedir o Irã de comprar armas nucleares parece um prospecto mais especulativo no momento, mas poderia se tornar mais provável daqui a alguns anos”.
It asserts that the US is threatened by the so-called “grey zone” in which China, Russia, Iran and other countries are seeking to “exploit” American “vulnerabilities” in parts of the world without provoking an open conflict. It gives as examples Chinese territorial claims in the South China Sea, Russia’s annexation of Crimea and Iran’s political influence in Iraq, Syria and Lebanon.
Afirma-se que os Estados Unidos estão ameaçados pela então chamada “zona cinza” (grey zone) na qual China, Rússia, Irã e outros países estão procurando explorar as vulnerabilidades estadunidenses em partes do mundo sem provocar um conflito aberto. Isso dá como exemplos as pretensões territoriais chinesas no mar da China meridional, a anexação russa da Criméia e a influência política do Irã no Iraque, Síria e Líbano.
US imperialist meddling, however, is considered entirely legitimate by the Economist. In Syria, the US has overseen seven years of civil war for regime-change to overthrow the Russian- and Iranian-backed government. Washington’s announcement this month that it intends to effectively occupy one third of the country and assemble a 30,000-strong proxy army from Kurdish and Islamist militias has created conditions for direct clashes not only with Iran and Russia, but also with its nominal NATO ally Turkey.
As intromissões imperialistas dos Estados unidos, porém, são consideradas completamente legítimas pela The Economist. Na Síria, os Estados Unidos supervisionaram sete anos de guerra civil pela mudança do regime, a fim de derrubar o governo apoiado pelos russos e iranianos. O anúncio de Washington esse mês sobre a pretensão de ocupar efetivamente um terço do país e organizar um forte exército aliado de 30.000 curdos e militantes islâmicos criou condições para conflitos diretos não somente com Irã e Rússia, mas também com seu aliado nominal da OTAN,a Turquia.
Predictably, amid the frenzied moves in the US and internationally to impose state control and censorship over the Internet, the journal accuses Russia of seeking to “undermine faith in Western institutions and encourage populist movements by meddling in elections and using bots and trolls on social media to fan grievances and prejudice.”
Previsivelmente, em meio às frenéticas movimentações nos Estados Unidos e internacionalmente para impor o controle do estado e a censura da Internet, a revista acusa a Rússia de querer “minar a fé nas instituições ocidentais e encorajar movimentos populistas ao interferir nas eleições e usar bots e trolls nas mídias sociais para disseminar ofensas e preconceitos”.
Technology companies, it insists, must be even more integrated with the military, while Internet corporations must work with the state apparatus to suppress access to oppositional views, on the fraudulent pretext of combatting “influence operations” and the “mass manipulation of public opinion.”
As empresas de tecnologia, a revista insiste, devem ser ainda mais integradas às forças militares, enquanto empresas de Internet devem trabalhar com o aparato doestado para suprimir o acesso às opiniões de oposição, por meio do fraudulento pretexto de combater as “operações de influência” e a “manipulação de massa da opinião pública”.
It notes in passing that for the American government, which already runs annual budget deficits approaching $700 billion, “finding the money will be another problem.”
Oberva-se de passagem que para o governo estadunidense, o qual já opera um déficit orçamentário anual de aproximadamente 700 bilhões de dólares, “encontrar o dinheiro será outro problema”.
The truth is that the subordination of every aspect of society to war preparations will be paid for by the ongoing destruction of the living standards and conditions of the American working class, combined with the elimination of its democratic rights and repression of opposition.
A verdade é que a subordinação de todos os aspectos da sociedade para os preparativos da guerra será paga pela destruição em curso dos padrões e condições de vida do proletário estadunidense, associada à eliminação de seus direitos democráticos e à repressão da oposição.
In an unintended echo of George Orwell’s “Newspeak,” the Economist concludes that “a strong America”—armed to the teeth and permanently threatening its rivals with obliteration—is the “best guarantor of world peace.”
Em um eco não intencional da “Novilíngua” Orwelliana, a The Economist conclui que “uma América forte” – armada até os dentes e ameaçando permanentemente seus rivais com obliteração – é a “melhor garantidora da paz mundial”.
The most chilling aspect of the report, however, is that it is pessimistic about its own prognosis for US imperialism succeeding in intimidating its rivals into submission. The very development of an ever more aggressive military stance toward China and Russia raises, not lessens, the likelihood of war.
O aspecto mais arrepiante do relatório, entretanto, é que ele é pessimista sobre seus próprios prognósticos para o imperialismo estadunidense suceder à intimidação de seus rivais pela submissão. O próprio desenvolvimento de uma postura militar ainda mais agressiva perante a China e a Rússia aumenta, não diminui, a probabilidade de guerra.
“The greatest danger,” it states, “lies in miscalculation through a failure to understand an adversary’s intentions, leading to an unplanned escalation that runs out of control.”
“O maior perigo”, declara-se, “reside no mau cálculo através de uma falha de entendimento das intenções do adversário, levando a uma escalada não planejada que sai do controle”.
What is being referred to is escalation to a nuclear holocaust. The article quotes Tom Plant, an analyst at the RUSI think tank: “For both Russia and the US, nukes have retained their primacy. You only have to look at how they are spending their money.”
O que está sendo referido é uma escalada a um holocausto nuclear. O artigo cita Tom Plant, um analista do Think Tank RUSI: “Para ambos a Rússia e os Estados Unidos, armas nucleares mantiveram sua primazia. Você apenas deve olhar em como eles estão gastando o próprio dinheiro”.
The US is upgrading its entire nuclear arsenal over the coming decades at a cost of $1.2 trillion. Russia is upgrading its nuclear-capable missiles, bombers and submarines. China is rapidly expanding the size and capability of its far smaller nuclear forces, as are Britain and France. Discussions are underway in ruling circles in Germany, Japan and even Australia on acquiring nuclear weapons so they can resist the nuclear-armed states.
Os Estados Unidos estão aprimorando o seu arsenal nuclear inteiro nas últimas décadas por um custo de 1,2 trilhões de dólares. A Rússia está aprimorando seus mísseis de capacidade nuclear, bombardeiros e submarinos. A China está expandindo rapidamente o tamanho e a capacidade de suas muito menores forças nucleares, assim como estão a Inglaterra e a França. Discussões estão em andamento nos círculos dominantes da Alemanha, Japão e até Austrália a respeito da compra de armas nucleares para que eles possam resistir aos estados nucleares.
The madness of a nuclear arms race in the 21st century arises inexorably from the contradictions of the capitalist system. The struggle among rival nation-states for global geostrategic and economic dominance is the inevitable outcome of capitalism's intractable crisis and the ferocious conflict for control over markets and resources.
A insanidade de uma corrida nuclear no século XXI provém inexoravelmente das contradições do sistema capitalista. A luta entre estados-nações rivais para a dominância geoestratégica e econômica global é o resultado inevitável da intratável crise do capitalismo e do conflito selvagem para o controle de recursos e mercados.
The epoch of world war, wrote the Marxist revolutionary Vladimir Lenin, is the epoch of world socialist revolution. The overthrow of the capitalist system, which gives rise to the war danger, is an urgent necessity for the survival of human civilization.
A época de Guerra mundial, escreveu o revolucionário marxista Vladimir Lenin, é a época de revolução socialista internacional. A queda do sistema capitalista, o que dá origem ao perigo de guerra, é uma necessidade urgente para a sobrevivência da civilização humana.
The International Committee of the Fourth International and its sections are working to build an international anti-war workers’ movement fighting for socialism. The open discussion on the prospect of nuclear war in the pages of journals like the Economist should motivate all serious workers and young people to join our struggle.
O Comitê Internacional da Quarta Internacional e suas seções estão trabalhando para construir um movimento antiguerra internacional dos trabalhadores de luta pelo socialismo. A discussão aberta sobre o prospecto de guerra nuclear nas páginas de jornais, como a The Economist,deve motivar todos os trabalhadores sérios e os jovens a aderirem à nossa luta.
James Cogan
Tradução: Daniel Miyahira Guerrazzi