Impressões sobre política, ciência, religião, economia etc. Relatos parciais da sociedade.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
O Brasil no contexto da primeira guerra mundial: O século XX
O Brasil mantinha um balanço comercial dependente da Inglaterra e laços econômicos e políticos com os Estados Unidos. Neste cenário, durante o governo do presidente Venceslau Brás, em outubro de 1917, o Brasil oficializa sua participação na Guerra. Apesar da oferta germânica de apoio ao Brasil com a proposta de encerrar a dependência da exportação de café à Inglaterra, o Brasil entrou ao lado tríplice entente. O produto interno do Brasil era basicamente café e a Inglaterra havia bloqueado a importação de café aos países neutros, induzindo economicamente o Brasil a entrar na Guerra.
O ato simbólico foi o ataque ao navio mercante brasileiro, Navio Paraná, do submarino alemão, que resultou na morte de três brasileiros. Esta posição foi decisiva para que Brasil garantisse sua participação no cenário mundial no final da primeira guerra, pois ingressou como membro fundador da liga das Nações. A fundação da liga foi o resultado do tratado de Versalhes em 1919, baseado na proposta dos Estados Unidos de paz mundial, que por sinal acabou se abstendo da liga.
Como resultado da guerra, a crise da economia brasileira, baseada em produtos agrícolas, foi acentuada e houve uma crise econômica, que culminou em inflação e queda de grandes produtores. Neste contexto, a urbanização foi acelerada por fluxo migratório do campo e a industrialização do país foi impulsionada, tanto por alta demanda de consumo quanto por oferta de mão de obra. A economia precisava se reerguer diante da crescente insatisfação social, sindicalização operária e revolta popular. Muitos imigrantes da Europa e Ásia, arrasados do pós-guerra, buscaram oportunidades no Brasil. Além, houve a transferência da relação comercial de Londres para Washington, devido ao crescimento industrial e comercial dos EUA no cenário mundial, baseado em técnicas de produção e publicidade de consumo de massa.
O liberalismo econômico é um modelo elaborado por teóricos como Adam Smith, Robert Malthus, John Stuart Mills, entre outros. As premissas desde modelo são baseadas na liberdade da economia, entre elas temos que a empresa deve ter autonomia para contratar e demitir operários, poderá concorrer livremente com outras empresas e terá o valor de seu produto definido por causa do equilíbrio da oferta e procura. Conceitos do tipo mão invisível e laissez faire foram definidos para sustentar esta teoria.
A teoria do liberalismo econômico puro, vigente com sucesso nos Estados Unidos, por exemplo, além de em outros países parceiros, entre o final do século XVIII e início do XX, demonstrou-se impraticável após a primeira grande guerra, com sucessivos resultados desastrosos até a eclosão da crise de 29. A partir da depressão econômica resultante, na qual houve falência generalizada e colapso do sistema econômico dos Estados Unidos, as lideranças da época propuseram o New Deal, que é um plano de intervenção do Estado no mercado financeiro e na economia a fim de manter o equilíbrio outrora nas mãos invisíveis do mercado. A retomada econômica dos Estados Unidos foi bem sucedida por meio do Estado social que ampara as forças industriais e comerciais da economia. Nos Estados Unidos essa corrente ocorreu sob o governo de Roosevelt e, no Brasil, sob o estadista Vargas.
Assinar:
Comentários (Atom)