sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A conspiração para censurar a internet


A conspiração para censurar a internet
“The conspiracy to censor the Internet”

18 de outubro de 2017

Os representantes políticos da classe dominante estadunidense estão empenhados em uma conspiração para atacar a liberdade de expressão. Sob o pretexto de combater as difamações e as notícias falsas, supostamente controladas pela Rússia, os direitos constitucionais mais básicos da Primeira Emenda à Constituição dos EUA estão sendo atacados.
A força política que lidera esta campanha é o Partido Democrata, em colaboração com frações do partido Republicano, a mídia de massa e o aparato de inteligência militar.
A gestão do presidente Trump ameaça uma guerra nuclear contra a Coreia do Norte, promove ataques cada vez maiores ao sistema de saúde, exige novos cortes de impostos aos ricos, deflagra guerra aos trabalhadores imigrantes e esvazia as regulamentações de empresas e ambientais. Entretanto, esta agenda reacionária não é foco do Partido Democrata, que se dedica, ao invés disso, a alegações cada vez mais histéricas de que a Rússia está “provocando divisões” no interior dos Estados Unidos.
Na mídia, sucessivas reportagens são publicadas, uma mais absurda que a outra. A alegação de que a Rússia manipulou as eleições estadunidenses por meio de $100.000 em publicidade no Facebook e Twitter foi sucedida por outras reportagens frágeis a respeito da manipulação pelo governo Putin de outros meios de comunicação.
Uma reportagem exclusiva da CNN, na semana passada, alegou que a organização “Don´t Shoot Us” - inglês para “não atirem em nós” - a qual a reportagem alega, sem evidências, que estaria ligada à Rússia, buscou “promover tensão racial e disseminar discórdia” no Instagram, Twitter, YouTube, Tumblr e até no Pokémon Go, um jogo de realidade virtual para aparelhos celulares.
Outra reportagem da CNN, na segunda-feira, informou que uma “fábrica de calúnias e difamações” russa estava envolvida em postagens de comentários críticos a Hillary Clinton, como “parte da campanha do presidente Vladimir Putin para influenciar as eleições de 2016”. Todos os comentários negativos na mídia noticiosa e outras publicações direcionadas a Clinton, dava a entender a reportagem, eram produtos de agentes russos ou de pessoas ludibriadas por agentes russos.
Assim como no período do Macartismo na Guerra Fria, o absurdo das acusações não é contestado. Elas são tomadas e repetidas por outros meios de comunicação e por políticos para demonstrar quão amplas as ações do perverso “inimigo estrangeiro” realmente são.
Se um objetivo tem sido continuar e ampliar a política externa anti-Rússia, a intenção principal torna-se cada vez mais evidente: criminalizar a divergência política nos Estados Unidos.
A expressão mais direta desta conspiração contra a liberdade de expressão foi publicada segunda-feira em uma coluna do Washington Post intitulada “Se a Rússia consegue criar perfis falsos do ‘Black Lives Matter’ [inglês para ‘vidas dos negros importam’] quem mais fará?”, da ideóloga anticomunista Anne Applebaum.
Resposta dela: o povo americano. “Consigo imaginar múltiplos grupos, muitos deles americanos orgulhosos, que podem querer manipular um espectro de contas falsas durante um tumulto ou desastre para aumentar a ansiedade ou medo”, ela escreve. Ela alerta que “grupos políticos – de direita, de esquerda, tanto faz - irão entender rapidamente” como usar redes sociais para disseminar “desinformação” e “desmoralização”.
Applebaum investe contra todos aqueles que buscam anonimato na internet. “Estamos no melhor momento de todos contra o anonimato, ao menos contra o anonimato em fóruns públicos das redes sociais e seções de comentários”, ela escreve. Ela continua: “O direito à liberdade de expressão é algo que está concedido a humanos, não a códigos de computador”. Entretanto, o alvo dela não são “robôs” operando “perfis falsos”, mas qualquer um que, temendo repressão do Estado ou punição injusta pelo seu empregador, queira fazer um depoimento online anônimo. Trata-se apenas de uma amostra do que será o caminho para silenciar a dissidência política.
Applebaum está intimamente ligada ao alto escalão do Estado capitalista. Ela é membro de think tanks estratégicos ligados à política externa e compõe a junta de diretores da “National Endowment for Democracy” - o “Fundo Nacional para a Democracia” -, fundação ligada à CIA. Casada com o ex-ministro das relações exteriores da Polônia, ela é uma feroz “falcão de guerra”. Depois da anexação russa da Criméia, ela escreveu uma coluna no Washington Post na qual pediu por uma “guerra total” contra a Rússia, uma potência nuclear. Ela representa a conexão entre o militarismo e a repressão política.
As implicações dos argumentos de Applebaum foram evidenciadas no artigo extraordinário publicado na primeira página do New York Times de terça-feira, intitulado “Enquanto os Estados Unidos enfrentam a desordem da internet, a China sai fortalecida”, a qual vê favoravelmente a censura agressiva da Internet pela China e dá a entender que os Estados Unidos estão se direcionando para um regime exatamente como aquele.
 “Há anos, os Estados Unidos e outros viam” a “forte censura chinesa como um sinal de vulnerabilidade política e uma barreira ao seu desenvolvimento econômico”, o Times escreve. “Entretanto, enquanto países do Ocidente discutem possíveis restrições à Internet e se desesperam por conta de notícias falsas, invasões de rede e intromissão estrangeira, há chineses que enxergam uma justificação da atuação do seu país na internet.”
O artigo ainda afirma que, enquanto “poucos argumentariam que o controle chinês da internet serve como modelo para as sociedades democráticas... Ao mesmo tempo, a China antecipou muitas questões que agora confundem os governos desde Estados Unidos e Alemanha até Indonésia”.
Applebaum omite qualquer referência aos direitos democráticos, à liberdade de expressão ou à Primeira Emenda à Constituição dos EUA do seu artigo do Times, que exige uma repressão sem limites às redes sociais.
A primeira emenda, que estabelece que “o Congresso não legislará… de modo a reduzir a liberdade de expressão”, é a emenda mais ampla da Constituição estadunidense. Contrariamente a Applebaum, não há qualquer ressalva que isente o discurso anônimo da proteção constitucional.  É um fato histórico que líderes da Revolução Americana e redatores da Constituição escreveram artigos utilizando-se de pseudônimos para impedir a repressão das autoridades britânicas.
The Constitution does not give the government or powerful corporations the right to proclaim what is “fake” and what is not, what is a “conspiracy theory” and what is “authoritative.” The same arguments now being employed to crack down on social media could just as well have been used to suppress books and mass circulation newspapers that emerged with the development of the printing press.
A Constituição não dá ao governo nem às grandes empresas o direito de decidir o que é “falso” e o que não é, ou o que uma “teoria da conspiração” e o que “tem respaldo”. O mesmo argumento que está sendo adotado agora para reprimir as redes sociais poderia ter sido aplicado outrora para censurar livros e jornais de circulação massiva, que surgiram com o advento da imprensa.
O movimento de censura à internet nos Estados Unidos já está muito avançado. Desde que o Google anunciou o plano para omitir as “sugestões alternativas” dos resultados de buscas no início deste ano, sítios eletrônicos de liderança na esquerda acusaram queda de mais de 50% no tráfego de busca. O tráfego de busca no Google do sítio wsws.org caiu 75%.
O Facebook, Twitter e outras plataformas de mídia social adotaram medidas semelhantes. A campanha que está sendo promovida em relação à atividade online russa será usada para justificar medidas de alcances ainda maiores.
Isso está acontecendo nas universidades que adotam medidas para dar à polícia a autoridade de vetar eventos nos campi. Há esforços em andamento para abolir a “neutralidade de rede” com o fim de prover às grandes empresas a capacidade de controlar o tráfego da internet. As agências de inteligência têm exigido a capacidade de contornar a criptografia de dados após terem sido expostas por atividades ilegais de monitoramento da comunicação por telefones e atividades na internet de toda a população.
Os governos de países “democráticos”, um após o outro, estão se voltando a formas de Estado policial. Da França, onde há permanente estado de emergência, à Alemanha, que no mês passado fechou uma subsidiária do sítio eletrônico de esquerda Indymedia, até a Espanha, com sua repressão violenta sobre o referendo separatista catalão e a prisão dos líderes separatistas.
A destruição dos direitos democráticos é uma resposta política da aristocracia financeira e empresarial diante do crescente descontentamento da classe  trabalhadora, ligada aos recordes dos índices de desigualdade social. Ela está intimamente relacionada a uma preparação para uma grande escalada de violência imperialista ao redor do mundo. A maior preocupação da elite dominante é a emergência de um movimento independente da classe trabalhadora, e o Estado está atuando para evitar isso.

Andre Damon e Joseph Kishore
Traduzido por Daniel Miyahira Guerrazzi


Texto original em inglês, no sítio: http://www.wsws.org/en/articles/2017/10/18/pers-o18.html





terça-feira, 17 de outubro de 2017

EX-TRESSE DE MISSÃO



Demissão

Quando atingimos o limiar, o impulso é deflagrado.
Melhor conseguir controlar e não perder o gingado.
Mas o astuto é motivado pelo aperto e pelas faltas.
Quando surge o problema, enfrenta todas as pautas.

Não se deve cair na tentação da maçã ou da caixa.
No lugar da Eva, mantenha você a tentação baixa.
No lugar da Pandora, saiba que se melhorar, piora.
Então não se sinta mal, pois fugir disso é normal.

O acomodado logo se ofusca na cegueira da rotina.
É um cego burro, porque tem cérebro e tem retina.
Como uma chama fraca que arde em silêncio total.
Mas não queima para aquecer o pelo nu do animal.

O cheiro é insuportável, só aguenta seus comparsas.
Engana a si e faz da existência um oceano de farsas.
Seres dessa estirpe tem um coração podre e gelado.
Por isso hoje a demissão. Sigo feliz ao andar pelado.

Tem várias coisas boas para o meu tempo ocupar.
Se não fosse a crise, em cargo público hei de estar.
Leitura de obras epistolares no dia a dia me desafia.
Percorrer sebos, saborear frutas e estudar filosofia.