quarta-feira, 20 de novembro de 2019

janela, sílica e chuva

ansiedade, avidez oral
alívio quando padecer
excentricidade animal
multidirecionado ser
sentidos são possíveis
e paixões combustíveis
infinitude de seus limites
pensamento sem convites
caminhos ilimitados
óculos improvisados
do útero ao fim doente
pirâmide, medo obediente
a forma sua sombra projeta
significada, vive na memória
delimitada pela luz, objeta
oréxis quando a tem é glória
alegra-me enfim o amanhecer
o cansaço, amigo, hei de viver



sábado, 29 de junho de 2019

Nunca mais você vai beber?

A Colisão: Bóson de Higgs

"Bebia para afogar minhas mágoas, mas as malditas aprenderam a nadar, e agora estou sobrecarregada com essa decente e boa sensação." Frida Kahlo



1.   20/12/2016

Quando um escritor põe no papel seus pensamentos, sejam eles científicos ou fictícios, o preto representa no branco um contexto histórico. Pois o homem reage a estímulos de forma primitiva, mas os estímulos mudam e muda também a linguagem.  E eis que estou sendo afligido por acontecimentos que irei contar a seguir. Permitam-me expor a minha realidade e compartilhá-las a fim de pura provocação. Hei de me dedicar nestas palavras para que você, receptor da minha mensagem, as leia. São minhas impressões sobre este mundo – o meu mundo.

As ideias que ecoam em voz alta na minha psique são aqui transmitidas através de signos visuais e representam uma potência criativa inata. Certamente, a escrita é um bom exemplo da nossa inteligência. Passados esta primeira abstração filosófica, seguem-se os fatos. Do cenário cronotópico à narrativa dos acontecimentos. Ora, pois, estou no ano de 2016, na cidade de Taubaté. Tenho um bom padrão de vida, filho de médicos, e recebi boa formação. Aos 32 anos, entendo que escolhi o caminho sinuoso da vida, repleto de prazer e de dor.

Costumo refletir sobre minhas escolhas e, frequentemente, me arrependo delas. Ontem à noite, li algumas cartas que escrevi entre 2006 e 2008. Depois de lê-las, foi difícil embalar no sono, pois havia nelas muito ressentimento. Ai de mim, infeliz nas escolhas. Dormi pensando na quantidade excessiva de lágrimas derramadas que precisei para amadurecer meus fantasmas – digerir os ressentimentos.

Hoje acordei disposto a fazer uma boa entrevista e encerrar o ano com um emprego. Tenho ciência de que nascemos para viver em sociedade e o trabalho é parte essencial das pessoas. Não estou aflito por esta conclusão óbvia, mas por faltar-me renda para sustentar meus vícios e virtudes. Há meses, optei por uma vida frugal e enfatizei o lado sóbrio da criatividade humana, ou seja, castrei o que pude do comportamento hedônico. A única recompensa que meu sistema límbico procura é o saber. Tornei-me viciado em leitura, matriculei-me em licenciatura de filosofia e deixei de lado a fruição material. Deixei outros hábitos de lado, como, por exemplo, o uso mal adaptativo do álcool, do tabaco, da canabis, da cocaína, do sexo pago, grosso modo vícios fármaco-libidinosos.

Haja vista que o conhecimento é também uma mercadoria, passei a gastar meu provento com papel recheado não de fumo, mas de informações. Bebo da fonte da sabedoria com a mesma avidez que outrora bebia da dionisíaca. Não cabem aqui maiores detalhes do meu passado, são muitas estórias que renderão outras narrativas se o futuro assim me permitir. Contudo, não achei nenhum equilíbrio nisto, porque me trouxe excesso de teorias e falta de prática. Enfim, acabou o dinheiro e preciso trabalhar.

Acordei tarde – acordar cedo é difícil – e cheguei à drogaria Bom Jesus por volta do meio-dia. O proprietário, Sr. Eduardo, é bom de papo e me propiciou duas horas de conversa fiada. Geralmente, aqueles que trabalham em drogarias de bairro são bons ouvintes, aspirantes a médico, psicólogo, padre etc. A figura do antigo farmacêutico de botica que atendia a vizinhança e substituía o médico no dia a dia está representada no comerciante, que não tem diploma, mas tem experiência e carisma.

Ó destino cruel que me apresenta provações da vida. Mesmo sem procurar, acabamos encontrando, seja por atração ou por causa Dele. A entrevista com o Eduardo foi interrompida, duas horas depois que cheguei, com a presença de uma alma. Desisti de prosseguir com a entrevista e, sem hesitar, aceitei o encanto. O acaso pode nos trazer uma avidez não planejada e isto, neste caso, decerto tornar-se-á uma infelicidade.

2.   22/12/2016

Há maneiras de dizer a verdade? Pode ser que sim, visto que a verdade é aquilo que nos convence, ou aquilo que vemos como aplicável a nossa realidade. A nossa realidade, pois a dos outros permanece numa zona de conforto que não está a fim de ser perturbada, pouco importa a sinceridade alheia.

Se adequarmos aquilo que gostarão de ouvir, conforme um dado contexto, possivelmente tornar-se-á verdade. Afinal, é difícil ouvir que você está errado, muito mais difícil é aceitar a ilusão. Quais são seus valores? Sua moral?

Cansei de viver a verdade dos outros, ora, pois, na minha visão das coisas não há espaço para a vida plena. Assistir a ruína de tudo que considero como o verdadeiro espírito humano e não me ressentir. Como? Meu desempenho acaba sendo frustrado, porque não sou bom em mentir e minhas verdades não são interessantes à realidade alheia. O que fazer?

Talvez só o desconhecido confortar-me-á. Vejo-me frequentemente diante de infinitas mudanças. Só prefiro seguir sóbrio ao invés do entorpecimento – fútil forma de fuga – que dá uma falsa sensação de prazer.

Vamos ao desconhecido. Enfrentá-lo-ei de cara limpa e consciência leve. Os desafios são inevitáveis e a dificuldade de superá-los se torna a minha motivação. Será isto a forma que achei para encarar sem medo a morte? O biopoder epistêmico – conduta vigente – diagnosticará como doença carente de tratamento. Hei de consumir um peso em serviços e produtos para normalizar minha saúde e, ainda assim, manter-me-ei fora do senso comum. Devo ser afastado, quiçá isolado?

Essa verdade já me é conhecida e não me interessa. Estive aí e não me satisfiz. Estou cá escrevendo deste ponto de vista. Talvez, amanhã, estarei lá.

Ó mundo ávido e mesquinho! Confortou minha mente ouvir Chopin, por horas, e fruir o momento de nós dois, eu e a música: linguagem suprema. Assim deixei meus pensamentos se dissolverem para dar lugar ao sono de ontem à noite. Já era tarde.

Sem internet para a música, aproveito a luz para mergulhar na leitura maravilhosa e libertadora. Ai como é bom! Trouxe “Das Parfum” e logo acabo a leitura. Arrependo-me de ter deixado “Confissões”, de Rousseau.

Ontem não tive resposta do Eduardo, nem hoje. Desde ontem à noite estou em São Paulo para a entrevista que acabei de fazer. Falei as verdades que estavam em mim e, portanto, minhas chances são poucas. Estou a caminho de Campinas para ver minha amada e para resolver questões burocráticas: a carteirinha do conselho e o encerramento do cadastro de autônomo na prefeitura. Ainda hoje hei de retornar a São Paulo. Posso também entregar a minha vida ao desconhecido.

“O prazer de ir sem saber para onde” (J-J. Rousseau); “Encontrar sem ter procurado” (Picasso); “Viver num país de fugitivos e andar na direção contrária” (T. S. Eliot); a livre associação de ideias; a entrega ao acaso dos eventos; ser sujeito livre desapegado do objeto; “Ensinar o que não se sabe, pesquisar” (R. Barthes); “Amareis a terra não descoberta, no mar mais distante” (F. Nietzsche); “esquecer para lembrar” (R. Alves); a reinvenção de si; o retorno do nada para lugar nenhum. O mestre deste ensinamento, que deveria estar apto a novas ideias e formas, é o mais aprisionado dentro de um método, de um rigor técnico: o cientista.

Aproximo-me do sofismo porque vejo que a verdade é uma ideia subjetiva, cuja potência persuasiva dependerá do sujeito. Afasto-me do sofismo quando as ideias são postas em discussão – deixo os diálogos para Platão. Cada um que seja feliz com suas próprias verdades. Pois a única verdade, universal e irrefutável, é a nossa morte. Ei-la, a morte, a ser discutida entre professores e alunos desde a mais tenra idade, pois não se trata ela de um assunto obscuro nem proibido como a cristandade tende em nos doutrinar, castrar, arrebanhar.

3.   26/12/2016

Encerrar-se-á o ano em cinco dias e eu aqui, dispondo-me em vigília para não perder um segundo sequer de vida. À base de café, testo o texto, teço o teste, para verificar como minhas ideias fluem e você, leitor, é o meu controle. Uma pena eu não poder receber a vossa opinião. Registro neste capítulo uma atividade empírica que consiste em lançar meus pensamentos sem qualquer preocupação quanto ao tema, quanto à métrica e, infelizmente, quanto à satisfação de você, leitor.

Já traguei cinco xícaras de café, sendo quatro de coador e uma espresso. Deve ser quantidade de cafeína suficiente para ativar muitos receptores centrais. Sinto meu coração bater com tônus aumentado, minha respiração alternar com uma complacência aparentemente reduzida e frequência maior. Além da superdose de metilxantina, o dia está quente. O rádio informa a temperatura: trinta e cinco graus Celsius. Não há vento. O suor escorre no meu rosto e nas minhas axilas, a camada de sebo do meu rosto mantém um brilho grudento que impermeabiliza a epiderme e intensifica a sudorese.

Há evidências acima de uma linguagem extremamente técnica e indigesta, deve ser o café. Vou parar de beber, mas não de escrever. Dedico-me ao estudo da filosofia, da literatura e da história ultimamente, e pretendo condensar os efeitos destes estudos num livro – este Livro – para dar uma finalidade à dedicação. Pois a causa é a leitura e o efeito é a minha escrita. O sujeito é o saber adquirido e o objeto é o livro.

Não me resta outra escolha, porque minhas economias se esgotaram e não aceitarei empréstimos. Faltam-me outras ideias de contribuição social neste momento de angústia. Sim, estou angustiado. Não pela falta de dinheiro em si, mas pela impotência e limitação que a situação me restringe. Poder-me-ia aceitar ajuda ou arrumar um trabalho temporário e informal, mas optei mesmo pela reclusão introspectiva da leitura. Fecho-me à realidade para entregar-me ao mundo ilusório e fantasioso da leitura. Vivo um momento em que, conscientemente, permito-me a este desenvolvimento intelectual, pois hei de voltar ao mundo real mais preparado e trocar experiências magníficas com as pessoas. Largo muita bagagem inútil que acumulei ao longo dos anos para recarregar minha consciência com vasta sabedoria. A escrita – e leitura obviamente – é um suprassumo da nossa inteligência e deve ser usada com gosto, assim como o café.

Os trovões, à distância, anunciam a aproximação da chuva. Daquelas que, como precipitação de verão, chega com violência excessiva: ventos fortes, granizo, descargas elétricas, alta pluviometria. Excesso é conceito que me acompanha há muito tempo, desde a memória do tempo da minha infância até o atual. Vejam, há poucos meses eu estava imerso em torpor, afogando-me em poças, evitando o espelho. Ultimamente, nos últimos cinco meses, eu devorei mais de dez livros, matriculei-me numa segunda graduação, dediquei-me excessivamente à leitura, debrucei noutro universo do saber, da história, da reflexão, da introspecção. Reinventei-me radicalmente, ou seja, de forma excessiva. Tenho plena consciência que foi um caminho sem volta. Não sabia para onde este novo caminho estava me levando, mas tinha certeza de tudo o que havia deixado para trás. Gostei dele e não tenho interesse em mudar o meu rumo, exceto para ter uma renda. Seria negligência demais abandonar meus conhecimentos farmacêuticos adquiridos nos últimos 13 anos, então hei de usá-los a fim de manter um trabalho dignificante que pague os meus novos prazeres.

Estou pronto para encerrar o ano corrente e iniciar um novo ciclo de translação da Terra em torno do Sol. Eis algumas intuições motivadoras que saltam da minha mente: a revolução dos astros e de nossas afecções; a mudança tanto do calendário quanto da nossa percepção; a fugacidade duma vida diante da imensurável idade do universo; o brilho finito das estrelas e as amarras da nossa vontade de potência; o recomeço como boa oportunidade de romper barreiras; encerrar velhos vícios, iniciar novos modos de agir, retomar hábitos abandonados, abrir-se a novos desafios, descobrir virtudes reprimidas; raspar a craca do casco, hastear a vela, rumar a novos mares, permitir que o vento do desconhecido refresque o ânimo da alma; fruir as formas e os sentidos plenamente; esquecer para aprender; reencontra-se com a beleza; digerir os ressentimentos e permitir a reinvenção de si.

4.   01/01/2017

Tem gente que nasceu para almejar o sucesso, a prosperidade e a propriedade. Outros nasceram para não se preocupar com estas coisas. Eis o mundo e os homens com questões suficientes para ocupar nossa mente, como poderia haver mais espaço na mente de alguns preenchido com questões materiais? Extravagâncias de comer, beber, vestir. As festividades que comemoram a carne, do tipo dionisíaco, de espírito pagão embriagado, ou do tipo falso religioso, deixaram de me interessar.

Proponho agora uma relação de melhores visões, paladares, olfatos e audições, desvinculada do consumo e da ostentação. O retorno da frugalidade e da simplicidade, a essência talvez estoica que se perdeu na liquidez moderna de prazeres imediatos. Penso se sou egoísta diante de tanta orgia gozada na mina cara, ou então quem será egoísta ultimamente? Internem-me, retirem-me da sociedade, ou deixem-me e hospitalizem os demais. Utilizem não do seu senso, mas do juízo divino e julguem a humanidade. A eterna insatisfação seria o nosso destino ou é um problema meu unicamente? Feliz ano novo, babacas.

5.   02/01/2017

Não sou daqueles que abaixa a cabeça há muito tempo, metade da minha duração pelo menos. Também não passa pela minha cabeça qualquer tipo de enfrentamento ou, quando passa, é logo repreendido pela razão – superego, porque tenho índole pacífica e defensiva. Portanto resta-me a fuga, o eterno retorno à reflexão introspectiva. Castiga-me muito, desde que não possa segregar-me, a rendição ao convívio indesejado.

Entendo melhor meus ascendentes, tanto do passado quanto atuais, depois de ordenar e relacionar os fatos desta maneira. Minhas ideias no tocante da desagregação familiar eram obscuras e incômodas, porém, atualmente, vejo-as inteligíveis a mim. Tornei-me, então, satisfeito na condição de, ora cabisbaixo e atuante, ora solitário e reflexivo, sendo que a última condição tem predominado.

6.   03/01/2017

O protocolo da Vigilância Sanitária local foi emitido na tarde de hoje e encontra-se fixado na parede do estabelecimento. Sou legalmente o responsável técnico da Bom Jesus, devo colocar a casa em ordem para futuras inspeções e honrar meu ofício. Apesar de repudiar a situação da sociedade, eu já estava com saudade de desempenhar meus poderes do conhecimento farmacêutico – o poder do branco, relacionando-me com clientes. O poder sobre mim também é exercido inevitavelmente, das instâncias normalizadoras e reguladoras que fiscalizam o ramo de atividade, da expectativa e vigilância constante que o patrão lança sobre mim, da própria cobrança acerca da minha perfeição e da superação: a grande prova da vida que, se vencida, propiciará uma morte frugal.

7.   04/01/2017

A drogaria já foi assaltada várias vezes nos últimos anos, exceto em 2016, disse Rose. Fiquei espantado com a notícia, pois, embora previsível, é indesejada. Porto, no bolso da calça jeans, um canivete de aço, que não logrará êxito numa reação de roubo, mas mantém uma falsa sensação de segurança a qual a gente se consola. Numa das vezes, o delinquente puxou o gatilho mirando no ventre da Rose, mas o tiro não ocorreu. Noutra vez o Eduardo levou coronhadas na cabeça. Penso na segurança que o meu canivete poderia me oferecer e sinto-me um idiota.

Do outro lado da rua, sobre o passeio contíguo ao posto municipal de pronto atendimento à saúde, vejo minha moto Ténéré 250cc. Ela reflete a luz do sol esplendorosamente à vista de vagabundos que perambulam no bairro, como uma joia à disposição dos bandidos. A máfia do desmanche de autos é uma prática comum no país, sobretudo na região onde estou – eixo Rio-São Paulo. Minha preocupação redobrou quanto, pela manhã, recebi a visita de um representante de medicamentos. Ele bateu o olho na minha moto e disse que ela é muito visada, porque é ideal para fuga de roubo a banco. Bandido!

Considerando a estatística, uma morte violenta aproxima-se de mim. Amanhã irei cobrir a moto com uma capa e orar, pois, caso venha a morrer, terei meus débitos confessados a Ele. Sei que Deus é um mito, um ato de fé sem fatos. Sei que a capa esconde mais meu medo do que a moto. Estou arriscando-me deliberadamente a fim de trabalhar a ideia de morte, haja vista a minha família inteira aplacada por doenças e alguns próximos falecidos recentemente.

O medo da morte é uma forma de poder que pode ser rentável a capitalistas selvagens, por exemplo, aos profissionais da saúde, ao tribunal, aos políticos, à segurança pública, à mídia, à indústria bélica, farmacêutica, cinematográfica e carcerária, entre outros. Dizem os intelectuais atuais que nunca na humanidade a morte foi tão temida quanto agora. Considerem a imagem do terror que a televisão e os jornais veiculam exaustivamente, considerem as ações demagogas do Estado. Não há plano reparador e preventivo do Estado, mas uma resposta imediatista para atender ao lobby e para angariar votos quadrienalmente. O fim é o lucro que come solto, sustentado pelas promessas de aquecimento econômico e geração de empregos. Não vemos isso, mas, ao invés, vemos que os meios se alimentam da cobiça e a máfia alimenta-se de uma desigualdade social crescente.

No meio do expediente, pensei a respeito da forma de poder tão discutida por Foucault: o saber. Algumas redes de varejo farmacêutico (por exemplo, a Droga Raia, onde trabalhei) utilizam-se dessa forma de poder para esfolar seus funcionários. A rede, utilizando-se de um terceiro à paisana, vigia os funcionários de uma maneira deveras maliciosa, ei-la. Um contratado, passando-se por cliente, realiza uma compra pré-determinada a fim de avaliar a obediência dos empregados. Os últimos, constantemente receosos desta prática, passam quarenta e quatro horas por semana, em pé, encarando a todos como um possível espião. Trata-se de uma forma tirânica e perversa, baseada no medo, de montar um exército servidor. Uma prática de tortura onde o patrão sabe quem é o carrasco e o proletário não sabe. Dá-se assim uma elaborada forma de poder.

8.   11/01/2017

Sentia uma névoa pairando sobre minha mente constantemente. Era uma visão borrada sobre a realidade que deturpava meus sentidos e paixões. Empenho-me na purificação das ideias a partir de uma frugalidade há muito tempo abandonada que, apesar do melhor valor que esta busca tem, de início uma quimera, tornou-se uma enorme dificuldade.

A mudança de qualquer coisa, seja na paixão ou na razão, seja no objeto ou no sujeito, na objetividade ou subjetividade, na práxis ou na dialética, é uma ação desafiadora e difícil certamente. Pois imaginem que realizo, intencional e ordenadamente, a maior mudança que já me propus. Extingui minhas válvulas de escape e apaguei minhas rotas de fuga, portanto, estou encarando de cara limpa os inimigos, sóbrio as dores da vida. Quem disse que a vida é uma jornada de fácil percurso.

O lado bom desta iniciativa é (ó, e como é bom!) a intensidade e profundidade que as paixões me atingem, tanto as boas paixões quanto as indesejadas inevitavelmente. Sinto meu coração transbordar de emoção nos momentos de vigília, ora gozando da vida, ora frio como o inverno. Não é fácil, é um desafio agora, pois antes, ébrio, recebia todos os estímulos sempre sorrindo. A minha atual falta de reação diante dos eventos do dia a dia é a constatação de que meus valores estão apresentados numa escalaridade deveras discrepante do senso comum. Sei que a episteme médica diagnosticar-me-á como doente, inapto, outsider, louco. O tradicional doutor oriundo da cátedra, que exala um soberbo poder que ele acredita ter herdado dos patronos franceses, imiscível à realidade dos seus pacientes, prescreverá uma potente terapia farmacológica entorpecente – a reclusão psíquica induzida, a castração química da ciência, a mina de ouro das indústrias farmacêuticas.

Estou com medo. Receio que esse caminho não tem volta. Penso que sou uma mola que sofreu uma distensão além do limite e não voltará à sua origem jamais. Talvez seja um elástico esticado demais, esgarçado, prestes a romper. Ou um fluxo contínuo que excedeu seus limites tornando-se turbulento nesta humanidade tão limitada. Ontem Bauman faleceu e, portanto, ofereço a ele meus pensamentos de hoje: pós-modernidade líquida que faz minha vontade de ter filhos escoar ralo abaixo.

O medo aproximou-se de mim fortemente magnetizado às minhas fraquezas. Tenho medo de que algo de ruim está prestes a acontecer, tal como uma fatalidade. Não tenho medo de espíritos maliciosos nem da força da natureza, mas do próprio ser humano. Minha intuição funciona sóbria há meses, de forma inédita desde minha juventude, e agora acusa um iminente e injusto ataque de algum infeliz sobre minha integridade. O infeliz, meu próprio fantasma, minha imagem sempre refletida mas só agora encarada. Sinto que estou vulnerável sem a máscara das drogas. Ai de mim sem meu copo de néctar etílico, sem minha fumaça do tabaco e da cannabis. Meu límbico era abastecido pela ávida atividade oral da ingestão de líquidos e fumaças terapêuticas. Parece-me que estou no limiar de um craving. Perseverá-lo-ei, pois, afinal, desejo fruir a sã infelicidade de viver.

Eis que a nossa liberdade acabou quando recebemos uma vida ao nascer sem que pudéssemos escolher tê-la e havemos de viver totalmente dependente de cuidados nos primeiros anos. Não somos livres e nunca fomos, pois, na condição de adulto, ainda dependemos da forma de vida em sociedade. Somos um ser social, disseram os escolásticos, e um ser escravo de suas paixões e inimigo de si próprio, disse Espinoza. Muitas notícias ruins chegam aos meus ouvidos e a meus olhos, como, por exemplo, doenças nos familiares próximos e catástrofes sociais. Pretendo perceber isto como uma forma de poder que nos transmite medo da perda e, sobretudo, medo da morte. Somos formados para temer esses eventos e criados para sofrer diante de efeitos naturais e inevitáveis da vida: são coisas da vida.

9.   30/06/2019

“Aqui estou mais um dia, sob o olhar sanguinário do vigia” (Mano Brown). A vida continua, o devir nos apresenta o previsível efeito das imprevisíveis escolhas. Ora, pois permaneço sob efeito da sobriedade, digerindo meus sentimentos crus apesar do calor dos acontecimentos. O lapso temporal do último trago a hoje perfaz quase 3 anos e estou bem. Muito bem. Estou numa rotina de exercícios físicos e espirituais, em paz com meu corpo e mente, recompensando-me com um cargo público, uma sociedade empresarial, um noivado, uma biblioteca e alguns muscle-ups. Há relações que insistem em naufragar, mas o tempo é rei para os males superar. “E se não conseguir o bem de te agradar, a honra ao menos terei de tal coisa tentar” (Jean de la Fontaine, 1621-1695).

Dirijo meu olhar para o pensamento mais otimista da realidade, mesmo que ciente do conflito deste com minha intuição, cujas mensagens de perigo e efemeridade ecoam ininterruptamente. “Somos o que olhamos” (Felipe, Apócrifos).

Faço 35 anos no dia 05/07 e está previsto para 10 dias após esta data o início de uma nova empreitada. Irei trabalhar em drogaria novamente, numa escala que inclui os sábados de forma alternada e me incentiva com duas faixas progressivas de comissão, ambas de 700 Reais. O otimismo neste momento, além do vantajoso aumento de renda, segura-me numa frágil porção de convicção, pois, com o peso da idade, a revolução do fracasso poderá cavar minha cova. A sensação de arruinar-me pelo êxito é conhecida e me causa medo.

Quando as coisas vão bem, o homem procura formas para complicar. Ai de mim, que movimento inexorável! E o paradoxo do medroso? O homem que foge dos seus inimigos é um covarde. Quem tem medo vive mais. Ainda não estudei Darwin a fundo, mas me parece que o sacrifício é performatividade que favorece a perseverança da espécie.

10.           05/07/2019

Ó existência, causa de todo o de tudo. Pois, cá estou. Obrigado, mãe! Obrigado, pai! Dia de reflexão, ou melhor, oração. A mística minha sustenta-se numa fé, numa espiritualidade que transcende a Deus ou qualquer outro valor semântico encontrado em dicionários. Grosso modo, traduzo em termos de Energia e Movimento e, por meio destes signos, comunicar-vos-ei o seguinte. Neste conceito pagão de deidade – energia e movimento – procuro não me identificar com ateus e agnósticos, que negam a existência de algo extra-sensorial. Tampouco me identifico com os atos cristãos, pois, apesar de identificar-me muito com a palavra de Cristo, ritos episcopais e mantras não me encantam. Dos movimentos, o de formação de rebanho é o que mais limita a liberdade de pensamento, porque induz a uma repetição ao invés de reflexão.

Ora, há existência mais valiosa do que a memória? Permitir a uma ideia um significado tão imenso que emana aos sentimentos e transborda as fronteiras da intuição, parece-me a máxima criação humana. Glorificada memória, atinja-me como um raio de felicidade, eleve meus pensamentos e faça de minha vida uma frugal existência.

Destarte, ouso aglutinar provisoriamente energia e movimento num signo: Sol. Se preferirem, Estrela, Astro, Luz, Chama, Fogo, Rei, Deus.

Estou com rinorréia e 38ºC. É provável que os muitos medicamentos que usei estejam atuando nestas palavras. Paracetamol, pseudoefedrina, acetilcisteína, azitromicina, amoxicilina, clavulanato, budesonida, fexofenadina, dipirona, adifenina e prometazina, além de cafeína.

A palavra de salvação diz que Jesus, aos 33 anos, sacrificou-se e ressuscitou por nós. Há 35 anos eu ressuscito. Mês de julho é sempre inverno no hemisfério sul, faz frio, faço aniversário e caio enfermo. Ora, aniversário é mais uma translação ao redor do Sol, uma data para comemorarmos o ano que passou, para fazer do tempo um digestor de memórias e um mestre do saber.

O corpo não me deixa mentir, pois a cada dia 5 de julho fico muito doente, eliminando muito catarro purulento, como num reforço da memória no sentido de morrer para renascer, eterno retorno. Estou convicto de que não há motivo para se comemorar o aniversário, de que devemos reservar o dia para rever tudo o que nos aflige através de uma introspecção quase monástica, uma retrospectiva de purga, um ritual de sacrifício. Ai de mim, performando como Cristo! Hei de alterar este curso. Preciso realinhar a órbita dos planetas. Mudar a frequência deste penoso devir. Pobre quem pensa que, de sacrifício no dia 05/07, basta o nascimento.

Finalizo por ora com as sábias palavras estoicas de Cícero:

“Eterno é o que sempre se move, mas o ser que recebe o movimento de outro e não faz senão transmiti-lo, é necessário que deixe de viver, uma vez que cessa o movimento que se lhe comunica. Só existe, pois, um ser que se move por si mesmo, que nunca cessará seu movimento, porque nunca se cansa. Todas as outras coisas que se movem acham nele o princípio do seu movimento. Mas todo princípio carece de origem, posto que tudo nasce dele; não pode nascer ele de coisa alguma, porque, se de alguma nascesse, não seria princípio; e, se nunca começa, nunca acaba. Porque, extinto um princípio, não poderia renascer de outro, nem o criar de si, se do princípio há de emanar forçosamente. Por isso, no ser que se move por si mesmo, está o princípio do movimento; nesse ser que não pode ter nascimento nem morte sem que o céu se destrua e fique imóvel toda a natureza, sem força nova que a movesse ao primeiro impulso. Uma vez afirmada e demonstrada a eternidade do ser que se move por si mesmo, quem pode negar que a imortalidade é atributo da alma humana? Tudo o que recebe impulso externo é inanimado; todo ser animado deve ter, pelo contrário, um movimento interior e próprio; esta é, pois, a natureza e a força da alma. Com efeito, se somente ela, em todo o Universo, se move por si só, é certo que não teve nascimento e que é eterna. Exercita-a, pois, nas coisas melhores, e fica sabendo que nada há de melhor do que o que tende a assegurar o bem-estar da pátria; agitado e exercitado o espírito nessas coisas, voará veloz para este santuário, que deve ser e foi sua residência, e ainda virá mais depressa se, em sublimes meditações, contemplando o bom e o belo, romper a prisão material que o prende. As almas dos que, abandonados aos prazeres voluptuosos e corporais, foram na vida, servos de suas paixões e, obedientes ao impulso de sua voluptuosidade libidinosa, violaram as leis divinas e humanas, vagam errantes, uma vez quebrada a prisão de seus corpos, ao redor da Terra, e, só depois da agitação de muitos corpos, ao redor da Terra, e, só depois da agitação de muitos séculos, tornam a entrar nestes lugares. – A Visão desapareceu, então, e eu despertei.” Da República, Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.).

11.           21/07/2019

Ogum yêê! Jorge, desembainhe sua espada e, mesmo com água abundante, banhe-se de sangue. Guerreiro impiedoso, conquistador insaciável. O ódio mascara o medo? Não há mito sem sacrifício. Não há lenda sem ideologia. Temo o desconhecido ao menos que Ele seja convocado. Temos medo do desconhecido, medo das diferenças. Mas Deus veio a nosso conhecimento, pela semelhança de Cristo. Logo, não temerei mal algum. Guarde sua espada Jorge, pois meu único sacrifício será a busca pela sensatez. Arrepende-te então! E arrependido, Ogum se mostrou um réu confesso.

Ressurreição: com o peso da cruz, caímos recorrentemente. Mas, sob esse signo, Deus nos recompõe eretos e em movimento.

Desejo: Mesmo sem saber o porquê desejar algo, é a vontade pulsante pelo inatingível que nos induz ao grito mudo - Obrigado! A gratidão a tudo por nada é um movimento tão pretensioso quanto recompensante, um aparato ilusório de alívio imediato, um curinga de ritos ecumênicos e arsenal do poderio episcopal.

E ele quis desprender-se do mundo material desenhando suas ideias em letras. Mas queria fazer da linguagem sua melhor arma contra o vazio causado por tantos pensamentos. Entendia que para controlar os impulsos do desejo, precisava-se de muita vontade, e que isso resumia o atual paradoxo de sua existência. Seus pensamentos eram movidos por contradições. Perguntas eram necessárias. Respostas definitivas, nem tanto. Revirava o avesso em busca de respostas provisórias, mas só encontrava perguntas mais complexas. E nesse jogo, a cada degrau, a vida se tornava mais incompreensível. Para extinguir a chama do desejo, há de se desejar intensamente o desapego. Se o ser não é sensível, não há sensibilidade a ser evitada. Quanto mais conhecemos a dor, mais nos tornamos aptos a algesia. Aquela apatia de quem foi afligido pela desgraça, dora a diante pessoa deprimida.

O infinito é sempre suficiente. O finito pode ser o adequado (Sri Sri Paramahansa Yogananda). Ora, como se contentar com as fronteiras do finito sem antes navegar pelo desconhecido oceano do infinito? Da vida, temos que a busca pode ser uma fonte de insaciedade e a expectativa, uma premissa de frustração. Mais do que viver, "navegar é preciso".

"...os movimentos histéricos de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a coisa ignorada que o estava prendendo - a ignorância do movimento único, exato e libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole - durante o sábio descontrole ela tivera para si mesma agora as vantagens libertadoras vindas de sua vida mais primitiva e animal: apelara histericamente para tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara desprendendo-a da rede, na sua ignorância animal ela não sabia sequer como, estava cansada do esforço de animal libertado." Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Clarice Lispector.

12.           09/12/2019

Estabelecido em Jundiaí há duas semanas que me pareceram uma jornada de resistência. Mudanças são deveras extenuantes. Chegava a doer de tanto esforço que minha alma fazia para satisfazer a busca pelo perfeito. Busco em todos os cantos e em cada novo foco que por algum motivo direciono meu pensamento: o exterior deve ser um contrapeso do interior? Sei que aquilo que busco alhures parte de conexões nervosas forjadas por décadas.

Trabalho em Cabreúva há quase 100 dias, emprego novo, o que causou cansaço ainda maior que a mudança de casa. Novas pessoas, novas atividades laborais, tudo feito sob uma forte e incontrolável vontade de perfeição, com micropsicoses paroxísticas. Como essa busca é fatigante.

 Talvez um medo mal resolvido de ser imperfeito, de falhar ou decepcionar pessoas próximas, a começar por si próprio. Essa busca mal-humorada já é o motivo para a maior decepção de minha existência: estar aqui para ser eu mais do que o outro. Não! não há lugar para o outro quando ele se posiciona assim, um sabichão algures. Nunca interessado em compartilhar sentimentos autênticos, de cansaço, de imperfeição. Quer estar no time dos perfeitos, ou seja, sempre sozinho.

Dessarte, vejo relação entre meus medos e minha constante solidão confortável. Fico sozinho, sem ter alguém que possa verificar minhas habilidades e capacidades, ninguém que eu possa demonstrar a perfeição. Arranco então aplausos de mim mesmo ou dedico-me a compatibilidades do ser solitário: escrevo. Sinto a vaidade escorrer dedo afora, gotejando um prazer vazio teclado abaixo, que se tornará repleto caso pessoas o recebam e decifrem a mensagem em sentimentos. Quero que sintam a angústia que me atinge, vontade minha que compactuo com escritores, atores, cineastas, músicos, dançarinos, bando de narcisistas. Se eu voltar a beber, entorpeço esse fracasso ou o vício reforça o ego? No meu caso, o álcool ou outra substância qualquer mais desestruturava minha consciência do que apaziguava a dor. Imediatamente após a gostosa ebriez, a fossa profunda.

13.           01/01/2020

Algumas palavras, que darão o sabor do primeiro dia do primeiro mês da segunda década do segundo milênio.

nesse dia de calendas (nome q romanos davam ao primeiro dia do mês e que originou 'calendário'), do mês de janeiro (que homenageia Janus, Deus romano de duas faces que contemplam uma o futuro outra o passado) , mês 01, primeiro mês do ano a mando do imperador Julius César em 46 aC, histórias chegavam a um fim para alguns e a um recomeço para outros.

14.           18/02/2020

Percebi que chegou o momento de envelhecer. Digo, aumentar minha próstata com asteroide exógeno e deixar repetições de lado. O eterno retorno. Há um tempo, penso que 15 anos atrás, interrompi a atuação do tempo. Naquela época eu me referia dum fato "há quinze anos" e hoje refiro-me ao mesmo fato com a mesma ideia na mente "há quinze anos". O caminho que percorremos até alcançar a maioridade, passando pela angustiante infância, é deveras longo. Tende a se expandir quando se deseja muito a emancipação. Infância traumática? E quando atingimos 18, bom, o tempo pode relaxar e deixar se urgir. Podemos então viver eternamente nesse estado libertador e excitante da emancipação. Enfim, desejo tornar-me físico e mentalmente compatível, envelhecendo o espírito, a memória, a próstata.

Mas já faz 3 anos e meio que não dá um trago. Nunca mais você vai beber?

15.           06/06/2020

Entramos em junho de 2020. O país vive trágica e vergonhosamente a sua pandemia. Liderando o ranking de casos covid-19 e ascendendo. Colocando-se mundialmente como o exemplo a não ser seguido.

Não restou em mim sentimento de felicidade. Não restou em mim apetite nem força. Talvez pelo fato de uma febre há seis dias me abater terrivelmente. Acima de 37,5°C sentimos cansaço. Acima de 38°C, cefaleia, mialgia, anorexia. Acima de 38,5°C, enjoo, calafrios. Sintomas cumulativos que nos deixam à beira do colapso. Sensação de esgotamento físico, escatológico.

Inflamado, reajo com agressividade. Estou perdendo a batalha para um micróbio. Muita dor, falta-me um fôlego pleno. Observo indefeso meu corpo definhar. O que vale nesta vida?

Nunca pratiquei a espiritualidade nem misticismo. Ou seja, minha fé ficou adormecida para despertar quando houvesse necessidade. Agora! Não. Não funciona dessa forma. Não há saúde em mim para desenvolver qualquer pensamento elevado a fim de me fortalecer deste mal que me abate. Talvez sirva para os fiéis, devotos, aqueles disciplinados na fé, que fizeram do corpo enquanto sadio a morada inabalável Dele. Sinto que se dependesse deste quesito, como poderosa proteção adicional, estarei com minha sorte à deriva.
dia 01: 01/06 à tarde cefaléia, respiração curta
dia 02: 02/06 à noite febre T38.3, dor no corpo, cefaléia, respiração curta
dia 3: 03/06 de manhã SpO2-95, T37.8, à tarde cefaléia PA114x71 FC83 T38,4
dia 4: 04/06 de manhã cefaléia PA109x70 FC73 T37,4 FR15, à tarde cefaléia PA114x66 FC78 T38,1 FR15, à noite dipirona 500mg
dia 5: 05/06 de manhã PA114x70 FC65 T37,4 FR13, à  noite PA119x66 FC80 SpO2-96 FR15 T38,8 dipirona 500mg azitromicina 500mg
dia 6: 06/06 de manhã PA100x61 FC75 SpO2-96 FR14 T37,9 dipirona 500mg azitromicina 500mg
dia 7: 07/06 de manhã 11:00 PA110x61 FC69 SpO2-95 FR14 T37,0, à tarde 15:00 T38,2 dipirona 500mg, à noite 20:00 PA108x73 FC76 SpO2-95 FR15 T38,4 dipirona 500mg, 20:50 T38,4 dipirona 500mg azitromicina 500mg ciprofloxacino 500mg
dia 08: 08/06 de manhã PA119x76 FC63 SpO2-95 FR14 T37,2 dipirona 500mg, à tarde 16:00 PA112x69 FC69 Sp02-96 FR15 T37,2 enjoo, à noite azitromicina 500mg enjoo
dia 09: 09/06 de manhã PA114x74 FC67 SpO2-95 FR15 T37,5 mialgia enjoo, à tarde 16:00 T37,9 dipirona 1g, à noite 21:40 PA102x64 FC65 SpO2-95 FR14 T36,5 azitromicina 500mg enjoo
dia 10: 10/06 de manhã PA108x70 FC59 SpO2-95 FR14 T36,3, à tarde 16:30 PA104x63 FC62 SpO2-95 T36,8 enjoo
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dia 12: 12/06 10:15 PA96x65 FC72 SpO2-93 T36,4 omeprazol 20mg
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16.           29/07/2020

O que você quer, eu não posso. O que eu quero, você não merece. (Você merece mais)

17.           10/08/2020

O nada é tudo quando não há falta. O tudo nunca é nada quando sempre algo se quer.
Nada faltar é não querer tudo.

18.           15/08/2020

"l'imagination de détail nous suffit." Sainte-Beuve
"Hay ciertos nadas que son todo." Menéndez y Pelayo

19.           05/09/2020

Ah, eu sou filantropo. Ciente de que homens serão sempre capazes de me desapontar. Pois minha bondade é travestida numa confortável ilusão que faz do diabo um grande aliado. Quero provar a maldade do homem ao abrir meu coração indiscriminadamente? Sim, é o que recebo ao projetar nos outros a minha própria imagem: frustação. Até Narciso acharia feio.
Após os dois últimos meses trabalhando incessantemente, na expectativa de receber férias em outubro, recebi a previsível notícia: férias canceladas. Senti mais uma satisfação de ter comprovado a falta de palavra de outrem do que indignação. Sim, narcisismo e perversão são miscíveis para formar a poção que transborda minha alma e corrói minha razão. Ciente do mal, sigo acomodado nesse espectro patológico. Ai de mim!
Ou seria sadismo da minha parte? quiçá sado-masoquismo. Seja isso ou assado, encontro aí minha vez de acusar o próximo, de exercer minha tirania, empoderar-me por um instante ainda que exclusivamente na minha percepção.
Há dificuldade em me desmembrar dessa carapuça, que protege um ser ressentido desde sua tenra idade, quando a imatura capacidade de memorizar já por convicção precoce de que a vida era injusta e o mundo era cruel condenava seu futuro comportamento social armazenando fragmentos indigestos de dor.
Será um caminho à misantropia?

20.           25/11/2020

Daqui um mês, o Natal.
Indigna-me a verdade do silêncio. Essa que dá vazão a todas as perguntas do ser humano.
façam-me perguntas. Não hesitem, pois não deixarei ninguém sem resposta, mesmo que falsa.
Meu sentimento familiar é a angústia da indignação. Sou experiente em criar expectativas e logo me frustrar. Vivo em silêncio. E nessa solidão tento adaptar minha vida, nessa onde há muito mais do que a minha existência individual. Pessoas, de alma mas de carne também, prontas para me encherem de perguntas e respostas.

21.           04/12/2020

A pessoa que viveu a verdade era determinada nos seus projetos, nos seus propósitos, e neles escondia o seu medo e frustração. A vida passou e o máximo que ela atingiu foram as coisas que se achava capaz. Acreditava na fronteira do possível. Por fim, olhos abertos no vazio, angústia, náusea, frio na barriga cheia de memórias indigestas. Potência de vontade que foi assim mas poderia ser assado. Uma existência demais humana, um tic-tac, um could be, um sopro contido, uma ameaça de sucesso. O convicto de que sua vida não foi um fracasso, fracassou aprioristicamente, sequer viveu.

22.           31/12/2020

E no seu aquario ela passava seus momentos mais inspiradores, quando enfim, relaxava com bons vinhos, petiscos, reflexões, tudo devidamente registrado e publicado na sua rede social. O aquario possuia uma vista do município de Itu e os registros fotográficos dos seus momentos sempre enquadravam essa paisagem como cenário de fundo.
O aquario deve ser a area “gourmet” do seu apartamento, pensava eu. Como não há janela no aquario, acho que o ambiente é climatizado com ar condicionado. Destarte, uma atmosfera favorável à temperatura ideal de consumo dos vinhos, o que, vendo o copo sempre suado, parecia ser um ponto de atenção da fruição.
Muitos vidros separam as realidades. Da paisagem pitoresca de Itu, havia o anteparo do aquario, o copo de vinho, a lente da câmera, o visor do celular dela, o óculos dela. Do meu lado, há o visor do celular, meu óculos. Entre os prédios de Itu e mim, a luz percorria, pelo menos, sete camadas de vidro.
Confesso que dispus esses fragmentos aqui na tentativa de acalmar minha mente, organizar os pensamentos, ordenar alguma racionalidade neste término de um ano que foi tão excentrico, 2020. Enfim, na tentativa de dar à minha alma a mesma transparência que tem esses vidros, totalmente transparente - que sequer reflete - a fim de extravazar minha ansiedade e cansaço de mim para o “papel”, assim como a luz livre e belamente correu de Itu para meus olhos.
Por que as postagens dela me atingiram tanto? Assunto do último capítulo do ano. Seria o aquário um ideal popular de sucesso à la Big Brother? Qual o peso do fator pandemia nesse isolamento social de aquário? Quiçá no porvir e alhures eu me debruce sobre essas perguntas em busca de respostas confortáveis e tragam-nas aqui para vossa decepção. Pobre de você, leitor, que recebe parte dessa dissipação. Aproximamo-nos de 2021. Feliz ano novo.

23.           30/01/2021

O embuste patriótico cristão é tara política do sorumbático. No trono maior, o desvairado.
Perversão, por considerar narcisismo e sadismo, é um rótulo adequado a este símbolo cheio de poder mas vazio de caráter. Paixão declarada que, excessiva e distorcida, extravaza em ódio - "pathos", que desvia para um caráter essencialmente patológico. A Busca pelo poder leva ao encontro e ao encanto. O ser arruina-se. A nação encalacra-se. O povo se cala.
Enquanto o poder demasiado torna-o ébrio, atento-me a estar sóbrio.

24.           30/03/2021

Carregamos o peso das nossas escolhas, pois isso nos pertence. Esteja ciente desse ônus e avalie se sua estrutura suporta.  Quem carrega excesso de peso, acaba por extravasar no próximo, injustamente.

25.           12/04/2021

Tempos hostis! Os dias se passam e uma parte de humano que temos fica para trás. Tornamo-nos combatentes. Somos impelidos ao campo de batalha, pois a paralisia mata! Estou vivo? Se faço guerra, logo estou vivo.
Enfim, morremos todos os dias, pois a guerra também mata! Bem aventurado aquele que ainda vive. E que vida, meu caro! Juntando os cacos de humanidade perdidos pela caminho e sobrevivendo.

26.           21/04/2021

Velho Tuibae, Sumé Onça, Maíra, Foxi. Mitos tupinambás extraídos do livro "Meu Destino é ser Onça", de Alberto Mussa.
Ó Deus misericordioso. Ó Deus justiceiro.
Quando não há sistema político ou sistema de leis e policial, como norte civilizatório, torna-se imperativo um demiurgo vingativo, que impõe o sacrifício humano, detentor da moral (pra não dizer, ações coletivas arbitrárias). De outro modo, para ponderar a tirania inata do homem empoderado com normas punitivas, torna-se mister um Deus clemente, misericordioso, que concede o sacrifício divino.
Aquele que se aproxima de mitos, afasta-se da formalidade da lei, vive suas próprias convicções.
Diria Levi-Strauss:
"Passa-se, assim, da realidade mais banal para o mito, do universo físico para o universo fisiológico, do mundo exterior para o corpo interior. E o mito que transcorre no corpo interior deverá conservar a mesma vivacidade, o mesmo caráter de experiência vivida, cujas condições terão sido impostas pelo xamã a favor do estado patológico e por meio de uma técnica obsidente apropriada." (Antropologia Estrutural - Magia e Religião, p.208).
"A técnica da narrativa visa, portanto, à restituição de uma experiência real, da qual o mito apenas substitui os protagonistas, ..." (Antropologia Estrutural - Magia e Religião, p.210)
"O fato de a mitologia do xamã não corresponder a uma realidade objetiva não tem importância, pois que a paciente nela crê e é membro de uma sociedade que nela crê. Espíritos protetores e espíritos maléficos, monstros sobrenaturais e animais mágicos fazem parte de um sistema coerente que funda a concepção indígena do universo. (...) O xamã fornece à sua paciente uma linguagem na qual podem ser imediatamente expressos estados não-formulados, e de outro modo informuláveis. E é a passagem para essa expressão verbal (que ao mesmo tempo permite viver de forma ordenada e inteligível uma experiência atual, mas que sem isso seria anárquica e indizível) que provoca o desbloqueio do processo fisiológico, isto é, a reorganização, num sentido favorável, da seqüência de cujo desenrolar a paciente é vítima." (Antropologia Estrutural - Magia e Religião, p.213)
Strauss colocando o crente místico como vítima, realmente indica o charlatanismo como caráter do mito no processo civilizatório das proto-sociedades.
Cabreúva, Quarta-feira, 18:52, vamos de macarronada à Carbonara.

27.           15/06/2021

Pela primeira vez, lucrei participando de uma atividade comercial envolvendo veículo. Comprei uma moto por $4.100, do Joaquim, paguei $500 de tributos e serviços, ao Detran, Dekra vistoria e Bestetti despachante, e vendi por $5.200 ao Felipe. Um marco, um sinal de sucesso em busca da fortuna, assimilado e performado na fantástica ilusão do valor material, do prazer pelo consumo e da segurança relativa ao acúmulo. $600, o equivalente a três plantões em drogaria ou dois plantões na prefeitura. Seria um passo no sentido de desprender-me da tara pelo trabalho pesado rumo ao ócio criativo e rentável? Gostamos mesmo é da máxima segurança aliada ao menor esforço.
Da leitura de hoje, Jürgen Habermas: "A espiral da violência começa com uma espiral de comunicação perturbada que leva à suspensão da comunicação por meio de uma espiral de desconfiança recíproca e descontrolada. (...) A boa intenção e a ausência de violência manifesta são úteis, mas não são suficientes. (...) Nessa medida, a comunicação é sempre ambígua e também uma expressão de violência latente. Mas se não virmos nela nada além do que violência, desprezamos o essencial: que só o telos do entendimento e nossa orientação em direção a esse objetivo, que é intrínseco à força crítica, conseguem romper com a violência sem reproduzi-la sob uma nova forma."

28.           22/06/2021

A vontade passa. A culpa, não.

29.           04/07/2021

A Coruja e o Jacaré

De tanto colocar-se na espreita, na caça
O estrabismo ficou marcado na carcaça
Os olhos vesgos não se alinham mais
Fez do humano o pobre dos animais

A presença, pura luz encantadora
Na penumbra, vira ave caçadora
Tamanha beleza, rainha da cidade
Mas espelho não reflete bondade

Como tumor, engrandece silenciosa
E faz viagens, sua fuga esplendorosa
Voz mansa conta histórias pra moçada
Queria eu invejá-la, espécie ameaçada

Tem sinhá mocinha herdeira do clã
Não quer fama que do moço é irmã
Coruja partiu do Jacaré crepuscular
O que restou nem Deus pode salvar

30.           15/07/2021

A um amigo.

Conhecemos o músico pelas suas músicas. O escritor, pelos seus textos. Os pais, pelos filhos.

Quando um fala algo a respeito de outro, apreendemos mais sobre aquele do que sobre este.

Pois bem, ao ver o filho saudoso, descrevendo seu desencarnado pai, podemos perceber uma bela homenagem ou apenas lamúrias, a depender do espírito de quem descreve. Ouvi de ti, amigo, um dia após o sepultamento de teu pai, uma das mais belas homenagens. Emocionou-me. Conheci, através de tuas palavras, a mais valiosa parte de teu pai, que também é tua. Homem de bom espírito, tu és.

Afortunado é aquele que se lembra de seu antepassado com a mesma beleza do brilho das estrelas em noite esplendorosa. Pobre daquele que tenta encontrar em lamentos um significado que sua ancestralidade não lhe deu. Sinta-te confortado pela Providência e confia no legado do qual tu és herdeiro. Desejo-te luz em longo e glorioso caminho avante. Protege-te. Regozija-te.


31.           14/08/2021

Fadado ao fracasso social. Dedica-te a realçar a beleza do mundo e será eleito o ser mais enfadonho. Icterícia intermitente. Não! As pessoas gostam da perturbação e nela vivem seus intensos momentos. Seja o destaque da cena! Doa a quem doer, reforce sua existência coletiva para aliviar sua vã significância individual.
Tamanha fragilidade e fugacidade da vida que embustes compensam. Tente provocar rasgos na previsibilidade sabendo que a bondade não surpreende. Aos que tem consciência, também tem o travesseiro como analista de suas confabulações.
Jogo que segue, enquanto durar. Se é rápido, que seja intenso. Diga rimas preciosas, desde que o poema fale a podridão arrebatadora da espécie.
Nascemos pecadores numa guerra inexorável. Aprimore suas armas, vá a luta bravamente. Será? Duro conflito de quem, assim como todos, nasceu com maldades mas, assim como poucos, foi criado para o bem. E na luz desse orgulho irradiante, amarro meu burro fotossintetizante.

32.           17/08/2021

Espécie de facetas. Para entrar no jogo, todos são amigos. Quando o montante sobre a mesa fica grande, o animal domado transforma-se em besta. Torna-se possível ganhar muito e perder tudo numa rodada, não há sanidade que resista.

33.           28/10/2021

Sou minhas memórias. Elas me trazem vontades e desenham cenários sensoriais. Estímulos que recebo do ambiente atingem áreas da mente povoadas de memórias e, assim, a vida acontece. Somos nossas memórias. Quando a memória falhar, seremos nada, seremos livres. Nestes anos últimos, permito intensidade de emoções desenterrando memórias e, com esforço, controlo o equilíbrio sóbrio entre a vontade e o consumo, na máxima frugalidade estóica possível. Digo "possível" pois a existência sensata requer um mínimo de fragmentos de capitalismo bem sucedidos. Nesta caminhada noturna, ouço The Doors embaixo de chuva torrencial, vestindo jaqueta de motoboy Glovo, planejando a compra do meu primeiro imóvel e o casamento com a mulher amada.

34.           01/12/2021

Último mês de 2021, mais um ciclo solar deste calendário prestes a renovar-se.
Quem procura liberta-se dos vícios hedônicos, sobretudo de psicoativos socialmente usados, como o etanol, mantenha em mente que encontrará um vazio, esse antes preenchido pelos prazeres. Vazio muito doloroso, só não mais que o causado pelo afastamento de pessoas queridas.
Para mergulharmos fundo em busca de nossa identidade, há de se desapegar daquela identidade ébria que tantos outros se assemelhavam, inclusive nos mesmos. Muitos irão afastar-se de você. Parar de beber causa um abalo, que poderia ser aliviado pelo acolhimento de pessoas queridas. Poucas manterão-se próximas. O vazio, aos poucos, vai sendo preenchido por outros conteúdos. Capriche nas escolhas.
Nunca mais você vai beber? Por que parou?
"...os pacientes se vêem face a face com a morte, possivelmente pela primeira vez. É um período em que você pode ajudá-los a examinar e a organizar suas prioridades, para basear suas vidas e seu comportamento no que realmente importa. Terapia de choque existencial, é como costumo chamar.", disse Irvin D. Yalom, em seu livro "Mentiras no Divã".
Tive meu auto exame, meu cuidar de si. E, como das palavras de Sócrates, um belo e leve universo resplandeceu. E eu o contemplei, por anos. Do milenar oráculo de Esculápio para a prática estóica pós moderna, surpreendentemente!

35.           08/12/2021

Registro aqui uma conversa que tive, hoje mesmo, com o amigo Vitor Barbiroto. Não pela riqueza do conteúdo, mas pela importância desse tipo de conversa com amigos, ainda que por Whatsapp.
[8/12 09:46] @: [20/08/2020 09:33] @: "A famosa fotografia, "Os três fazendeiros alemães", que mostrou ao mundo as mudanças que a produção em massa de ternos fez na mente de trabalhadores, quando permitiu que, esteticamente, passassem a se parecer com membros de outra classe social

A imagem, captada por August Sander, meses antes do início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, mostra três jovens, vestidos com ternos e portando bengalas, enquanto caminhavam até um baile, a alguns quilômetros de suas casas.
À primeira vista, Sander acreditou que eles eram fazendeiros, proprietários das grandes terras, onde se plantavam quantidades enormes de repolhos. Mas, na verdade, eram jovens agricultores pobres, que mais tarde lutariam na Grande Guerra. 
O que levou o fotógrafo experiente a acreditar que esses jovens eram ricos? O terno, comprado em uma loja na cidade, e a bengala, artefato típico de empresários e grandes proprietários. 
August Sander observou, naquele momento, que nascera ali, a partir da produção em massa, toda uma cultura de afastamento da identidade de classe através do poder de consumo. Esses jovens compraram as roupas para se diferenciarem de seus iguais, para mostrarem aos desconhecidos da cidade próxima que pertenciam a uma classe abastada, ou que teriam qualificação para isso.
Essa alteração cultural na mente das pessoas enfraqueceu a solidariedade entre trabalhadores e favoreceu a ideologia da ascensão social através do consumo.
Há quem duvide do impacto do acesso a roupas de elite pela classe trabalhadora. Porém, no Brasil, por exemplo, em qualquer balada ou na Faria Lima, podemos observar filhos da classe média baixa vestindo roupas absurdamente caras e se endividando para manterem o fetiche e a satisfação psicológica de acreditar que, através das roupas, estão ascendendo socialmente e se identificando mais com a riqueza do que com a pobreza.
Aliás, qual a próxima promoção no Outlet da Lacoste?" Texto - @joelpaviotti
[20/08/2020 09:36] @: origem da palavra "Smoking", que se refere ao traje: vestimenta usada durante o uso de tabaco para proteger a roupa do odor forte do fumo, acessível apenas aos nobres ingleses séculos atrás
[20/08/2020 09:49] @: a la.. de novo.. cabeca de papelão..  vivemos algo que não somos né.. ou queremos sempre ser algo que não é nosso.. uma ambição ou admiração causa de insatisfação
[20/08/2020 09:51] @: proletario da indústria.. me vejo há 6 anos.. batendo ponto na Libbs, encantado com o salario e iludido com uma carreira..  trampando de camisa, calça social, sapato de couro.
[8/12 09:59] @: eu não dava valor à moda. achava coisa inútil puramente consumista..   hoje já vejo nela um poder enorme de protesto, de transformação cultural, de novos paradigmas,  inclusive foi a principal atividade da primeira revolução industrial, né
[8/12 10:04] @: de todas as indústrias, a textil é a única não fundamentada na ciência, né.  lógico que a ciência influencia demais, mas a moda e suas tendências ditam muito mais o crescimento de toda a cadeia produtiva têxtil
[8/12 10:10] @: hoje têm tecidos sintéticos, balísticos, térmicos, refletores, bactericidas, elásticos..  Talvez a influência da ciência esteja quase superando a da moda no padrão de consumo. Além da "beleza" e do "status", a roupa deve ter utilidade, num mundo acelerado e competitivo.
[8/12 10:16] @: tive uma linha de aprendizado da moda parecida com a da arquitetura, no sentido de utilidade, protesto, consumo.  É algo não imprescindível para a vida que os humanos desenvolveram e cultivaram enorme poder.
[8/12 16:26] @: acho que não me expressei bem, apesar da intensão. Talvez moda, arquitetura e afins sejam bons exemplares de Arte e a Arte, por sua vez, seja importante por expressar bem aquilo que não cabe em palavras.

36.           28/12/2021

O ruído que o silêncio pronuncia pode ser o mais barulhento e indecifrável dos ruídos. Em verdade vos digo. Vigiai.

37.           07/01/2022

A beleza leve e inocente, quando disposta no lugar e momento errados, torna-se o fim dos tempos. Parou de beber. De fumar. Buscava preencher o vazio criado com saberes imaginários e o ar mais puro. E morreu em plena saúde. Como? Num desses respiros profundos engoliu um mosquito, que parou na garganta causando uma tosse persistente. Antes tivesse aspirado o mosquito dando gargalhadas.

38.           12/01/2022

Abandonamos tudo aquilo que é compreendido, ainda que apenas o suficientemente. Cada sinal de expor sua essência se torna um impedimento para aqueles que a buscam. Há coisas que devem permanecer além do palpável, flutuando no campo das ideias, para serem apreciadas, admiradas, unicamente, e seguras, fora de alcance do profano raio desmistificante. Ver também Cântico 5,6 e Hom. 6.

39.           04/02/2022

Concordo totalmente no Amor como valor dignificante, que faz a vida valer a pena acima de dinheiro, digo amor incondicional e transcendental, incognoscível, nos leva a iluminação.
O problema: A ideologia exagerada pode superar valores como o amor. Comecei a notar isso, no Brasil, em 2013, numa crescente que teve seu auge elegendo Bolsonaro. Vi famílias se separando, amigos se distanciando, fraternidades ruindo, pessoas boas atingidas pela dor e entregando a vida e a alma por desespero. O movimento que combate isso é o de União. A história nos mostra que a formação de Unidade foi possível por meio de crenças comuns, por isso no vazio procuramos apoio nessas ideias abstratas. Apesar disso, tento segurar toda forma de impulso ideológico, pois mesmo tendo nome de profeta acho que não alimentamos a união trazendo argumentos na base do convencimento e refutando as diferenças. Aí faço minha mea culpa e me ajoelho para redimir, pois percebi atuação mediada por impulso. Enfim, Não quero assistir a vida escoar enquanto eu trabalho duro pra pagar contas meio a polarização e ofensas. O momento político é triste e danoso ao alicerce social, abarca a economia, as religiões, a família. Triste e difícil de suportar, esgota nossas esperanças. O fim disso conseguimos imaginar: sofrimento. Por isso, reforço minha admiração e respeito a todos que têm esperança, deixando as diferenças de lado, peço desculpas e permaneço de prontidão para ajudar. Que o orgulho não nos impeça de nos rebaixar pelo próximo quando for isso que o próximo quer, sentir-se acima, pois quem sobe assim tem a queda de recompensa. Se Deus é Amor, mais leve fica a vida quanto mais pesada for a cruz? Forte abraço e um ótimo Fim de Semana a todos!

40.           25/03/2022

Para que haja um socialista, sempre haverá acima dele um capitalista pagando a conta.

41.           22/04/2022

Dia de Tiradentes. Feriado prolongado: para mim, que irei trabalhar, não.
O artifício do diário, ou confissões epistolares, como este que estou fazendo, é algo que beira à preguiça. Cômodo, pois dou-me a liberdade de pincelar focos de lamúria, ou faíscas de uma vida frustrada, trapos, em vez de elaborar um texto completo, enredado num tecido de trapos coloridos e costurados caprichosamente.
O ser é apegado às coisas mundanas na medida em que não percebe a importância maior que as pessoas têm. O passo crucial para a transcendência do amor e da paz é na direção do ser humano, de costas ao apego material, aos prazeres. Neste sentido, quando nos cansamos das pessoas, quando desistimos da esperança, ficamos desamparados. Nada mais nos vale. Nada. E quando chega este momento o ser vira uma besta. Passa a correr riscos a agir como um animal não humanizado. Passa a tratar os demais como se fossem animais também, pois a percepção de que são seus semelhantes mantém-se incólume, ainda que o ser tenha se distanciado demasiadamente da matriz comportamental que determina a sua espécie.

42.           24/04/2022

Comprei um pandeiro. Estou tentando retomar essa prazerosa prática que experimentei durante a faculdade.

Início do Sec XX, Rio de Janeiro era a Capital do país. Uma bela cidade, com uma vida social agitada, pós-abolicionista, ávida por progresso mas incapaz de superar seu espírito escravista. Sua nobreza branca, latifundiária e conservadora ditava o poder (como é em Brasília ainda hoje). A Libra Esterlina era a moeda mais forte, o conceito de sucesso era eurocêntrico, o controle social era austero e, no ímpeto da riqueza, os pobres foram marginalizados fora do alcance da vista, nos morros, a fim de "higienizar" o centro. A cultura aristocrática pujante do Rio era modelo para a desejada indentidade nacional, das práticas de conduta e vestimenta, artística, gastronômica, intelectual, destacando a musical. O Código Penal era rudimentar e a leitura jurídica do crime de vadiagem incentivava uma repressão policial arbitrária e sistemática, que subjugava pessoas sem um trabalho formal, sem residência fixa, que praticavam ritos não-europeus, como o Candomblé e o Samba. A coerção aumentava conforme a cor da pele, sendo o cidadão reprimido, agredido, preso, quiçá torturado e assassinado. O pandeiro era o símbolo dessa vadiagem, instrumento usado tanto nos ritos de matriz afro quanto na música popular. A aceitação da cultura popular verdadeira do Brasil, do Samba, do Carnaval, do pandeiro, foi lenta e persistente, às custas de sangue, vencendo no gingado a desgraçada aversão praticada pela elite. Ainda hoje, cem anos passados, há quem veja um pandeiro e diga "coisa de vagabundo!".
"Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar!"

43.           10/05/2022

Daquele que honra seus deveres, com retidão e compromisso na missão a qual está designado, sua autoridade emana por si, naturalmente, e surge dele uma estrutura social robusta.
Já o outro, haverá de impor sua autoridade com ameaças e chantagens, através de desejos e medos alheios, em constante mudança, com parcialidade e fragilidade.

44.           27/07/2022

"As coisas duram o seu tempo e, na sua hora, tudo se acaba." Essa frase, que me veio a mente, parece um jogo tautológico, parece o óbvio, um sofismo autotélico, moralismo fraco que nem serve em para-choque de caminhão. Poderia ser conteúdo de auto-ajuda, como solução simples para coisas complexas. Ou, simplesmente, um devaneio quimérico meu. Ainda que essa frase constitua algum valor alhures, haveria uma exceção a ela: DEUS. Destarte, recomendo a Coleção "Patrística", da Editora Paulus, que traz vasto arsenal literário de teologia, exegese e filosofia do cristianismo, platonismo e neoplatonismo ao leitor lusófono. Em Orígenes, garanto-lhes que, mesmo aos ateus e agnósticos, a existência de Deus far-se-á inteligível. Deus não se liga a tempo, não começa, não termina (cabe aqui uma comparação entre Chronos e Kairós, o que estenderia esse texto). Deus está em nós independentemente de crenças e fé, como o brilho da luz, como sabedoria, bondade, fogo devorador, espírito, amor, beleza, liberdade, criador, mônada... Orígenes explica melhor! Acredito que as 43 obras dessa Coleção sejam úteis a fim de enriquecer o nosso conhecimento sobre a humanidade, sendo que muitas delas são traduções inéditas, incluindo (além de Orígenes) Agostinho, Ambrósio, Basílio, Atanásio, Jerônimo, Cipriano e outros da Antiguidade.
Enfim, dessas frases que me vêm a mente, tenho outras. Todas inexoravelmente péssimas e profanas! Aqui vão algumas, à la "Sentences Et Maximes Morales", de La Rochefoucauld, ou "Poor Richard’s Almanack", de Benjamin Franklin:
1. Frequente lugares bem frequentados: Você se torna o que você pratica;
2. Pratique a transformação desejada: Você se torna o que você dá;
3. Você dá aquilo que tem e você tem aquilo que dá;
4. Quem mais se suja, mais tem o que limpar;
5. Quanto mais religiosa a cerimônia, mais pagã a recepção.
6. As coisas duram o seu tempo e, na sua hora, tudo se acaba. (Refiro-me ao mundo material, não ao intelectual ou das paixões, logo, não guarda relação com "infinito enquanto dure", de Vinicius de Moraes. Quiçá, com a popular "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.

45.           04/08/2022

De Orexis

Tive vontades desde a primeira idade,
Todas mundanas, faltava maturidade.
Queria ser belo, achava-me horroroso.
Na puberdade, belo e também famoso.
Na juventude, belo, famoso e abastado.
Hoje, quero saúde para erigir um legado.
Para tanto, pago a Esculápio sacrifícios.
Atento às fraquezas, superando os vícios.
Estou dedicado a alcançar a nobreza.
Digo, nobre de alma, de amor e pureza.
Materializar ações duradouras do bem.
Ensinando? E como servidor também.
Espírito de nau que enfrenta o alto mar.
Tenha fé, seja livre, aprenda a navegar.
Terás o regozijante poder, varão sagaz.
Láudano da concórdia que se compraz.
Alvo brilho do farol que ilumina aos teus
A vontade de estar na Cidade de Deus.

46.           16/08/2022

E assim nasceu o Brasil, sem planos de colonização a priori.
As primeiras armadas, com naus e caravelas aportando pra carregar de pau brasil, peles, penas e papagaios, deixaram muitos portugueses, castelhanos, franceses e florentinos para trás, pois, ao verem os chefes das tribos litorâneas oferecendo estadia e várias de suas mais belas "índias" em troca de armas e boas relações comerciais, os marinheiros desistiam de vender suas mercadorias por uns bons Ducados nos portos de Porto, Lisboa, Bilbao, Dieppe, Le Havre, Calais, Antuérpia... Muitos ficavam naufragados ou por vontade própria e só voltavam pra Europa décadas depois, quando já senis, levando consigo dezenas de filhos mamelucos. Outros não voltaram e criaram as primeiras cidades do Brasil: Caramuru, Bacharel de Cananéia, João Ramalho (genro do cacique Tibiriçá). Lembrando que muitos desterrados e degredados decidiram pelo seu "dia do fico" muito antes de D. Pedro I, pois, incumbidos de trazer informações ou mercadorias à Coroa em troca de perdão, negaram seu soberano para tentar fortuna entre os povos da floresta (vida poligâmica, sonhando com o ouro inca, em entrepostos de madeira, traficando escravos, escaramuças, heresia pura). Cinco séculos se passaram e, no Carnaval atual, mulatas e mamelucas com cocares, quase nuas, exibem a carne como ritual hedônico que transcende à liberdade total de espírito inebriado ao som da bateria e com o corpo como isca... para fisgar um repórter fidalgo casado embriagado, vulgo Celso Russomano. (vídeo de Celso Russomano cobrindo o Carnaval como reporter na década de 80)

47.           02/09/2022

Seria interessante se os originários tivessem a escrita pra comunicar essa empreitada, mas coube exclusivamente aos europeus (e muito bem escrito por Camões, Morus, Pessoa...).
Antes de Portugal virar potência Bélica e incendiar o mundo em 1500, apanhou muito dos árabes. Perceberam que isolados são alvo fácil, saíram com mil canhões para o norte da África, depois aos extremos leste e oeste. Encontraram povos mais doidos. Na Índia apanharam, só conseguiram Goa. No Brasil levaram flechada e viraram churrasquinho. Por aqui, tribos guerreavam entre si e viram que europeus tbm guerreavam entre si: viram nisso uma oportunidade. Não eram grupos unidos, eram inimigos entre si, por isso em vez de expulsarem as Naus à la vietcongs, trocavam escravos e madeira por pólvora e aliança. Casaram suas mais belas filhas com os brancos mais arrojados, buscaram dominância, venderam inimigos como escravos pois comê-los assados ficou fora de moda, cortaram e venderam todo o pau brasil da costa. Está aí pra contar o Caramuru, Bacharel, Hans Staden, Ramalho, Tibiriçá, Anchieta, Gabriel Soares de Sousa. Os índios tbm perceberam que isolados são alvos fáceis, e muitos se dedicaram às Bandeiras, formando o mapa do que hoje conhecemos como Brasil.

48.           16/10/2022

Como o menino está? Laconicamente desassossegado. Represando um oceano de memórias. Esgotado potencial de devir. Cansaço. Impaciência. Pessimismo. Frustração. Lendo e escrevendo, ou visitando cemitérios para suportar.

49.           29/10/2022

Amanhã o Brasil decidirá pela pessoa que ocupará a cadeira de chefe do Executivo pelos próximos 4 anos. O clima é o pior possível, numa mistura de ódio e intolerância, própria de uma sociedade polarizada, de políticas chauvinistas pautadas em maniqueísmo e proselitismo nos últimos 20 anos, que ventilam desejos totalitários de dois antagônicos que jogam um xadrez populista de ideologia versus utopia. A expectativa para os próximos três dias é de plantões seguidos na UPA de Valinhos e de uma tragédia nacional. A conversa íntima do casal foi a seguinte (uso da terceira pessoa inspirado na leitura em andamento, "De Minha Vida", de Goethe).

[29/10 09:04] Daniel: No cálculo político, as apostas estão na vitória do Lula.
[29/10 09:06] Daniel: o fato é já termos o Congresso dominado por terraplanistas, neopentecostais e militares. 
Complicado tomar partido. O conflito polarizado ainda será longo e sangrento
[29/10 09:37] Pati: Concordo
[29/10 09:37] Pati: Me preocupa esse clima
[29/10 09:37] Pati: E os posicionamentos
[29/10 09:38] Daniel: as forças de poder desse país sempre foram de matriz militar-conservador
[29/10 09:44] Daniel: Dos últimos 30 anos, que ventilaram ares progressistas, o PT governou por 13 anos e se tornou uma grande máquina corrompida e autoritária.
[29/10 09:45] Daniel: é muito difícil apoiar o Lula. O favoritismo dele é proeza do Bolsonaro, que conseguiu absurdos ainda maiores que o PT
[29/10 09:52] Daniel: eleja que for, a situação que estamos é tão escatológica que coisas piores podem acontecer em clima de normalidade. Parece que o sistema passará por turbulência
[29/10 09:54] Daniel: parece que o presidencialismo está em cheque e que todo o estado democrático de direito será abalado
[29/10 09:56] Daniel: nossa vida segue inexoravelmente, com alta capacidade de nos adaptar e manter dignidade
[29/10 10:01] Daniel: Nessa loucura, o lado certo que me posiciono é o de fora. A mudança necessária passa longe de qualquer opção que temos. 
O otimismo se dá nessa possibilidade, de grandes mudanças trazerem dor mas pintar um cenário vindouro melhor
[29/10 11:08] Pati: Escolho por esse lado tbm
[29/10 11:17] Daniel: acabei de ler duas reflexões interessantes:

"Democracia sustenta-se no princípio da incerteza, não há dono da verdade, há eleições, há inquietação. Pois essa tranquilidade de espírito que depende de um sistema político de crenças que nos diga o que é certo e o que é errado é própria ou do cemitério ou do autoritarismo." Raúl Enrique Rojo

"Amas a incerteza e serás democrático." Adam Przworski
[29/10 11:21] Pati: Mas me preocupa... pois a opinião pode ser o lado de fora... mas estamos inseridos nesse lado de dentro... 
Não consigo prever um mínimo de como vai ser, independente de resultado de eleição, fica tudo a flor da pele
[29/10 11:21] Daniel: vendo desse ângulo, não é crise, senão o auge da democracia.
[29/10 11:35] Pati: Por esse lado, é até reconfortante
[29/10 11:35] Daniel: sim, tentei definir o que se aparenta esse lado de dentro. Achei coisas tão próximas para nos atingirem, mas tão distantes do nosso controle:
maniqueísmo
proselitismo
chauvinismo
totalitarismo
[29/10 11:36] Pati: Acho que o me preocupa são as ações da polarização... quase sempre resultando em violência e agressividade
[29/10 11:42] Daniel: como isso fermenta e cresce a ponto de nos atingir vc sabe melhor do que eu, como as massas entram num pensamento coletivo de /ideologia/utopia/medo/histeria
[29/10 11:43] Daniel: eu tento aprender um pouco sobre. é um bom momento para entender , exemplos práticos e intensos
[29/10 11:48] Daniel: sim eu fico triste e preocupado.. nos atinge e dói.. sociedade dividida, violenta, perdendo renda e direitos
[29/10 11:49] Daniel: tem que mudar.. tentei dizer que a mudança passa longe das opções atuais. O lado de fora que fico é da esperança em A ou B
[29/10 11:52] Daniel: se eu pudesse votar nesse 2 turno, votaria nulo.
[29/10 11:59] Daniel: independente de quem ganhe, terei muito esforço para rever meu lugar e minha conduta constantemente, futuro turbulento... corda bamba no pé e rija no pescoço

50.           09/11/2022

ENTRA NA POLÍTICA QUEM DO PAÍS DESISTE, NÃO QUEM QUER MUDÁ-LO
Os protestos de 2013 foram grandes, o povo estava unido, amarelos e vermelhos reivindicando melhorias em uníssono, havia uma causa comum e esperança, mudaríamos o país se houvesse uma liderança popular e independente. Lá estava eu e vos digo convicto. Era pujante e amplo a todas as formas de poder o sentimento de injustiça, de abusos, de corrupção. Invadimos a Paulista, as Rodovias, as prefeituras, palácios, o Congresso, o alicerce foi abalado! Assustamos a elite e seus asseclas políticos, que prontamente reagiram em 2014, contestando o sufrágio universal (Aécio), difamando um Partido específico (PT) e criando uma quimera ufanista na direita (MBL, Novo) e ultradireita (Bolsonaro), sintetizados na idéia "Lava-jato". Prometeram uma nova política, até parlamentarismo ventilaram, prometeram o fim da corrupção. Sarcástico engano. Uma massa desordenada tomada por forte ânimo é uma potencial catástrofe, o caos. Reascender o bastião da ordem e progresso, da pátria, família e Deus foi o efeito reacionário da elite, uma contrarrevolução. Mas algo ainda pior ascendeu.
Com a direita assentada no trono e após 8 anos de destruição do estado social democrata (Temer e Bolsonaro), e uma radical polarização social, que desmobilizou a massa outrora unida, o PT volta ao poder. Qual o foi o balanço? Bolsonaro disse no discurso da derrota: "pelo menos, agora temos uma direita". Sim, ele conseguiu transformar rapidamente a primavera num fascismo.
Seguem direita e esquerda manobrando as massas com opinião pública onerosa na base do clientelismo maniqueísta e proselitista, e assim perpetuando a ilusão de democracia onde o povo vota obediente e sustenta a pesada máquina. Bolsonaro deve mil favores ao Lula e vice-versa. Ambos são elementos da mesma equação no cálculo político pelo poder. Leiam menos Marx e Olavo, leiam mais La Boethie. É patético o fim da apaixonada sociedade brasileira, queria eu ser político nessa terra!

51.           19/11/2022

Fui no Bosque dos Jequitibás. Buscava na natureza respostas para minhas dores e, onde quer que eu concentrava meus pensamentos, lá elas estavam, as minhas dores.
Na arara enjaulada, que achou distração numa folha seca, mas me olhava com tristeza e cantava desanimada, rouca.
Nas árvores frondosas que me faziam sombra, mas indefesas às trepadeiras que, sugando-as dos pés à copa, parasitavam sua seiva.
Nas cutias que saltavam e comiam brotos, mas medrosas, medindo cada passo e com olhares atentos, tentando perseverar na base da pirâmide alimentar.
Nas jaguatiricas que descansavam sobre um tapete de folhas, mas abanando os rabos aflitas pois insetos alados pousavam e sugavam seu sangue aos montes.
Nas aves, ainda que livres a voar e coloridas a cantar, anunciavam sua beleza tanto para o acasalamento quanto a seus predadores, e zarpavam no primeiro sinal de ameaça.
Saio do Bosque dos Jequitibás com imensa gratidão à natureza, mais próximo de mim, e com reforçada convicção do inexorável destino nosso de viver sob dolorosas tensões.
Além de cavar masmorras aos vícios e erguer templos às virtudes, o homem, quando se recolhe em si mesmo, monástico em filosóficas introspecções ou reflexivo às suas percepções mundanas, depara-se violentamente com encrustadas aflições.
E é nesse momento em que nossas línguas descansam para ouvirmos a razão. Razão essa nunca incólume de emoções. Na busca por algum momento de silêncio, a fim de apaziguar as dores, ruídos  reverberam em frequências descontroladas.
Nesse momento, encerro esse registro e saio do bosque, porque muitos mosquitos me picam e a fome acusa-me o horário, 13:40. Tentar alimentar a alma deixa o corpo com fome.
“Sob a ação da mesma chama, brilha o ouro, fumega a palha” Santo Agostinho
“Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas” Salmos 64:3
“Há alguns que falam palavras como estocadas de espada, mas a língua dos sábios é saúde.” Provérbios 12:18
“Pois a palavra de Deus é viva e poderosa e corta mais do que qualquer espada afiada dos dois lados.” Hebreus 4:12

52.           12/12/2022

O homem que é imaturo não atua numa grande guerra para progresso próprio.
O homem que é atuante fica a um passo de uma grande guerra, ainda que contra si próprio.
No entanto, atuar no propósito da paz é a maior maturidade que o homem pode ter.

53.           17/12/2022

Ign. Nat. Ren. Int.
Em vaga ilusão de furioso oceano.
Vagas de ilusão em furioso oceano.
Furiosa ilusão de oceano em vagas.
Vagas de oceano em furiosa ilusão.
Ilusão de oceano em vagas furiosas.
Oceano em vagas de furiosa ilusão.

54.           29/12/2022

Retomo as palavras registradas em 19/11/2022:
"Fui no Bosque dos Jequitibás. Buscava na natureza respostas para minhas dores e, onde quer que eu concentrava meus pensamentos, lá elas estavam, as minhas dores. (...) Nas árvores frondosas que me faziam sombra, mas indefesas às trepadeiras que, sugando-as dos pés à copa, parasitavam sua seiva."
Deparo-me nos noticiários de ontem, 28/12/2022, uma quarta-feira chuvosa, após seguidos dias de chuva, com uma triste informação.
Uma das árvores do Bosque caiu hoje. Uma árvore grande caiu, devido ao seu peso, à pouca estrutura radicular e ao solo encharcado. Uma dessas árvores que eu observei semanas atrás caiu sobre um carro tirando a vida de um moço.
Do exato Bosque onde eu me retirei para apreciar a natureza veio a triste notícia. A mesma natureza toca-me novamente, com a mesma intensidade mas com carga oposta. Refaço minhas reflexões mas, desta vez, pensando no jovem que, num infeliz instante, teve seu sopro vital interrompido no plano material, pela inexorável e violento efeito da força natural.

55.           31/12/2022

Querido Irmão,
2022 penso que foi o mais especial dessa minha jornada terrena, pois fiz dois juramentos no ano. Um ao ser casado e outro sendo iniciado. Não posso dizer que não haverão anos melhores, mas em verdade te digo que morri duas vezes em 2022.
Hoje, fazendo a leitura de um livro que comprei no Sebo do Sonho há dois dias, fui arrebatado por felizes memórias. Permita-me compartilhar o trecho abaixo, que adaptei de "Paulo de Tarso", pp.44-50 (Rohden, H.), como meus melhores e fraternos votos.
E que 2023 seja repleto de momentos que se transformarão em felizes memórias! Como me disse um Poderoso Ir∴ horas atrás: "A vida é um Espetáculo Imperdível!"

Em Damasco, na casa de Judas, realiza-se a sessão de iniciação de um famoso profano. No Oriente, versado nas Escrituras, senta Ananias. Na Câmara das Reflexões, em tríduo solitário, Saulo.
Saulo ainda trazia, no bolso, a ordem de prisão expedido pelo Sinédrio contra o Nazareno Ananias, mas o lobo de Jerusalém ajoelhou-se e virou um manso aprendiz.
Ananias disse com voz firme: "Irmão Saulo, a Luz, que te apareceu no caminho, enviou-me para que recuperes a vista e sejas repleto de um espírito santo."
Pela primeira vez ouve o tarsense essa linda e fraternal saudação - "Irmão". Saudação que desde então ecoa através de todas as suas Epístolas. Como eram bons, esses amigos de Nazareno! E não era apenas uma frase convencional, era o reflexo de uma jubilosa realidade. Aqueles que amavam a D'US em essência e existência, tratavam-se como irmãos! Saulo entrou nas águas do rio Barada, e Ananias o mergulhou numa consagração simbólica. Saulo compreendeu o simbolismo do ato: entrou na água um homem profano, que ali morreu, e emergiu da água um homem sagrado! Tinha a impressão de que lhe caíssem escamas dos olhos. Amanhecera a vida nova!...

56.           26/04/2023

Em tempos de dificuldade o homem mostra o que tem. Expõe seu coração, sem filtros, pois a sobrevivência torna-se uma necessidade maior do que o bom convívio.
Neste contexto, digo que sinto falta da sinceridade, a qualidade nobre e para corajosos. Pois nobreza não cabe em tempos de sobrevivência e os mais corajosos são os primeiros a sucumbirem. Tempos assim forçam a tendência evolutiva selecionar os mais perspicazes, menos corajosos e, portanto, menos sinceros.
Não nego que ser sincero é um ato de inconsequência, pois muitos são os efeitos desejados e, sobretudo, indesejados. A bondade do homem tem natureza oscilante e, nos vales de ganância e vaidade, a maldade prevalece. Nos vales escuros e profundos da natureza residem seres pouco sinceros. Na crista, lugar raro onde reina a paz dos justos, há espaço para sinceridade.
Sinto falta da sinceridade. Sinto desprezo pelo ser humano, mas me esforço para manter a mente nas virtudes. O homem de caráter existe e é capaz de carregar o peso da humanidade e assumir os riscos da sinceridade. Não é justo com os bons semear a misantropia. E eu não sou mau nem hipócrita. Serei, em primeiro lugar, justo comigo mesmo, ainda que me sentindo na escuridão meio a muitas dificuldades. Um desabafo.

57.           10/05/2023

São Bento do Sapucaí, chegamos hoje. Deitados na rede, lembranças diferentes, vagalumes de alegria e aranhas de pavor. Vinte graus, chuva, noite agradável à meia-noite. Congestão e tosse.
LEMBRANÇA
vagalumes pelo o campo brilham sem parar,
pisca pisca reluziam as luzes pelo ar,
encantado e atento o menino quer saber,
encosta o carro a avó e espera anoitecer,
carinhosa ela diz como voa e ilumina,
nunca houve aqui tanta verde lamparina,
traz consigo uma luz o menino contente,
luz que não se voa perece de repente,
luz que não se apaga é amor e esperança,
que ela ainda se lembre assim como a criança.

58.           16/09/2023

Iste tanto é insuportável, mas nada menos me satisfaz.

59.           20/09/2023

Ontem, 12/09/2023, por meio de uma monografia publicada, o FDA sinalizou a proscrição da Fenilefrina de uso interno (via oral), por não comprovar eficácia. Esta decisão resultará na retirada de produtos que movimentam 1 bilhão de dólares, por ano, no mercado dos EUA. A Fenilefrina foi patenteada em 1927 (Frederick Stearns & Co.) e está em uso na medicina desde 1938.
Você acha que a Anvisa seguirá uma harmonização regulatória neste sentido? Se a decisão repercutir no Brasil, indústria, varejo e usuários terão a péssima experiência de perder produtos consagrados e acessíveis, indicados para o alívio dos sintomas gripais e que tanto movimentam a economia: Benegrip, Cimegripe, Coristina, Decongex, Descon, Fluviral, Gripalcê, Gripen, Multigrip, Naldecon, Onegripe, Perfenol, Resfredryl, Resfegripe, Resfenol, Resfriliv, Resfriol, Resfryneo, Stilgrip, Vick Pyrena e seus genéricos.
Qual seria a outra opção de vasoconstritor oral aprovado? pseudoefedrina. (Menor seletividade e maior lipofilicidade, facilidade para ação central, alteração da pressão arterial e frequência cardíaca. A despeito da maior eficácia, requer atenção!)
E outras opções? vasoconstritores de uso externo, via nasal, de ação local. (Cuidado com uso prolongado! Causa uma condição indesejável e difícil de reverter, a congestão de rebote)
Aos fabricantes regulados pelo FDA, cabe a tarefa de descontinuar os produtos ou alterar a formulação destes, considerando a necessidade de, no segundo caso, comprovar a qualidade, eficácia e segurança, cujos recursos alocados serão percebidos no preço final.
(O trecho a seguir é a resposta minha a uma indagação feita por Daniel Asato, pelo Facebook.)
A priori, este assunto é sensível e a discussão é muito merecida! A Fenilefrina é um vasoconstritor comercializado há quase 100 anos e consagrou dezenas (centenas?) de medicamentos antigripais, em associação com analgésico (geralmente paracetamol) e anti histamínico (clorfeniramina etc.). As associações em dose fixa mostram-se seguras, com interação farmacocinética muito bem estudada, e eficazes sob esquema posológico definido, com sinergia ou aditismo dentro das faixas terapêuticas, estatisticamente satisfatórios para o registro em agências sanitárias do mundo todo, FDA, Anvisa etc. o que foi comprovado por meio de estudos clínicos controlados em respeitosas instituições e publicados em periódicos também de respeito, com rigor científico e revisão de pares.
Eu mesmo, quando sofro com sinais de gripe, recorro a esse medicamento e fico satisfeito com a melhora. No balcão, indico a pacientes sem hesitar.
Mas o que aconteceu no FDA, então? Eu entendo que o FDA e as instituições que participaram das discussões neste painel têm muito mais informação hoje, após um século de vastas publicações e de extenso uso popular, para avaliar a eficácia do ativo com maior amostragem de dados, com exaustivas revisões sistemáticas no mais alto nível de evidência, e concluir que não se cumprem os requisitos mínimos necessários para sustentar o registro. O ativo é seguro, mas não se mostra tão eficaz à luz da atualidade. Trata-se de uma atualização e não do reparo de um engano. Poderíamos pensar que o erro do tipo 1 - o erro mais sério - foi evitado inicialmente e o erro do tipo 2 foi revertido em um segundo momento, pois este só tem a sua probabilidade reduzida com um tamanho de amostra maior? O FDA poderia aprovar uma associação parecida de paracetamol, loratadina e pseudoefedrina, por exemplo, se a formulação for estável e o interessado cumprir os requisitos regulatórios de segurança e eficácia (e se apresentar mercado que viabilize tal investimento). Atualizações impulsionam o progresso, são desejáveis e muito frequentes, felizmente. Já me empolgando numa abordagem filosófica, prossigo.
Meu entendimento é de que a ciência é dinâmica, está acumulando cada vez mais informações e sempre se atualizando. Podemos provocar ao dizer que a ciência está sempre refutando a si mesma e trazendo a tona sua intrínseca falseabilidade, na teoria de Popper, por exemplo.
A ciência acompanha as façanhas da natureza e a curiosidade do homem. A indústria farma acompanha a ciência aplicada ao mercado. As agências sanitárias acompanham a ciência, o homem, a natureza, a indústria farma e o mercado! Trabalhei por um período como autoridade de Vigilância Sanitária local e exponho meu profundo respeito e admiração por essa nobre e desafiante responsabilidade de zelar pela saúde.
Quanto aos suplementos, entendo que há muitos produtos de ótima qualidade no mercado, mas também há charlatanismo de dourar pílulas lucrando com panaceias mercadológicas! A Anvisa tem se debruçado em constantes atualizações na regulação de suplementos, que devem comprovar suas alegações cientificamente, mas são destinados a pessoas saudáveis, por conceito. Eu gostarei de entrar nessa outra discussão também.
A seguir, concluo. Meu esforço nesta narrativa é de expressar meu entendimento, ainda que pateticamente falho. Trata-se do meu ponto de vista hoje. Pode ser que amanhã eu mude de opinião diante do inexorável devir.

60.           04/10/2023

No dia 03/10/2023, o Prof. Dr. Rafael de Freitas Leão, do IMECC/Unicamp, entrou em confronto físico com um aluno que, junto com muitos outros, praticava atos políticos de apoio à greve dos metroviários de SP. Rafael foi filmado investindo com uma faca contra o aluno, o que resultou em grande repercussão nas mídias e redes sociais. O fato foi gravíssimo e uma tragédia maior foi evitada pelo trabalho rápido e eficaz de seguranças.
A seguir, transcrevo a minha leitura da ocorrência, feita a partir das poucas e fragmentadas informações disponíveis:
Diante de possível crime e das graves e irreversíveis consequências que poderiam decorrer, a conduta acertada desta instituição é apurar a ação de todos os envolvidos e cooperar para que as devidas penas sejam aplicadas em todas as esferas cabíveis. Aliás, o fato já causou consequências irreversíveis e poderá escalonar tragicamente! Parabéns aos seguranças, que agiram rápido e evitaram o pior durante a contenda. Ainda que ambos trocaram a razão pela emoção e estejam pateticamente errados, atacar alguém com arma é muito sério e não há protesto político, defesa do direito de dar aula, fé pública ou desacato a servidor que justifique. Quando o diálogo não resolver, toda a humanidade perdeu.
"Omne regnum in se divisum desolabitur: nam principes ejus facti sunt socii furum"
Todo reino dividido sucumbirá; pois que seus príncipes se tornarão comparsas dos ladrões. Provérbio antigo.
Divisão neste nível não é bom para ninguém. Triste ver defesa de A ou B, numa altura dessa. Opino que, diante de tão grave situação, a apuração deve se estender a todos os envolvidos.
Num mundo sem diálogo e união, a humanidade sangrará num lamaçal de muita mentira e pouca razão. Todos sabem aonde estas ideologias polarizadas nos levarão em sofrimento coletivo e em prol de apenas alguns.
Na lógica, duas idéias contraditórias não podem ser ambas verdadeiras. Resta saber que é possível invalidar as duas.
A diferença entre remédio e veneno está na quantidade. É evidente que ambas as ideologias mais intoxicam do que curam atualmente. E matam!
Liberdade é uma prática que passa longe de qualquer Universidade pública. Ou está num lado ou noutro, preso num útero onde suas verdades lhe confortam e protegem.
Acusações vazias e agressivas de terceiros que leio, do tipo, fulano é fascista bolsonarista, sicrano é sindicalista socialista petista, convém pra quem? Agrega o que? Está num nível intelectual duma Unicamp?
Entre as duas vertentes, mais do que nunca, fica evidente a vontade maior de, por meio de discursos que permeiam interesses públicos, atingir o fim, que é a supremacia de um grupo no poder. Oligarquia? Democracia que não. Em ambas, o trabalhador quem pagará com sua mais-valia ou sua vida.
Houve uma contenda violenta que quase resultou numa tragédia! Foi filmado. Estava num contexto de militância política e contaminado pela polarização ideológica. Justo que todos sejam objeto de uma apuração imparcial e legal a fim de elucidar todas as responsabilidades.
Aos que criticarem este tipo de pensamento dizendo que isso não dá política, ou que a práxis transforma a teoria, recomendo boas leituras de Aristóteles, Séneca, Cícero etc.
"You can choose a ready guide in some celestial voice. If you choose not to decide, you still have made a choice.
You can choose from phantom fears and kindness that can kill. I will choose a path that's clear, I will choose Freewill" Neil Peart
Quem semeia a injustiça colhe a maldade. Provérbios 22:8
Deus tenha misericórdia!

61.           07/10/2023

Acho estranho o Dilan receber a láurea de literatura, prêmio Albert Nobel, uma vez que sua obra criminaliza medalhas oriundas de armas e guerras. No mínimo, conflitante na essência. Vamos ao próximo.
Acho também estranho o outro escritor que criminaliza o consumidor, a civilidade, o progresso e a humanidade, de forma geral. Que ataca todas as culturas exceto a dele e, no entanto, vende palestras e livros, assume cargos políticos, voa para Europa, torna-se um imortal. Dedica-se para e alcança máximo sucesso no seio da sociedade alvo de suas próprias críticas. Estou lendo um dos seus livros e parece-me uma bela ilusão (ou desilusão), motivada por certa ambição e imersa em hipocrisias. Estou tendo dificuldade em ler prazenteiramente e receio abandonar o livro pela metade, assim como fiz com Olavo e alguns outros. Destarte, como os ilustres são dignos de contradição, permito-me também ser e parabenizo o mais novo eleito para a cadeira 5. Reconheço como marco importantíssimo na história do Brasil uma pessoa descente dos povos originários, um indígena, ocupar uma cadeira tão significativa quanto a da ABL. Airton Krenak, parabéns pela sua imortalidade em vez da Del Priore.
Internet é lugar aberto para opiniões e intromissões de ignorantes que se comportam como especialistas. A idade nos cansa, tira os cabelos pretos e os filtros. Perdoe-me.

62.           23/12/2023

As músicas de Gilberto Gil "A Paz" e "Filhos de Gandhy" têm alguma relação? Na cabeça de Gil, certamente! Algumas informações coletadas permitem-me sugerir uma.
Há 2 semanas, estive na Casa de Gandhi, em Ahmedabad. O local é um belo ponto turístico do estado de Gujarat, de acesso gratuito, com museu e uma loja de livros e roupas, que arrecada recursos. Além de livros e roupas, eu trouxe boas lembranças. Uma das mais marcantes foi a das cartas e fotos que Gandhi trocou com o MM.'. Tolstoi, após aquele se encantar com "The Kingdom of God Is Within You". O segundo Ashram (templo) que Gandhi sagrou na África do Sul foi batizado de Fazenda Tolstoi, em homenagem ao amigo.
Filhos de Gandhy foi um cordão (depois afoxé) fundado por estivadores soteropolitanos e recebeu este nome, em 1949, em homenagem a Mahatma Gandhi, que mais tarde recebeu Obá Gil como ilustre membro.
Gil, em sua casa, se inspirou no livro "Guerra e Paz", de Leo Tolstoi, para dar vida à canção que João Donato trouxera. A música "A Paz" representa a contradição, o paradoxo.
Gandhi também viveu muitas contradições, que são narradas em seus livros. Como ser um fiel súdito britânico cursando direito na Inglaterra e atuando na África do Sul e, depois, liderar a luta pela independência da Índia, ora pacificamente, ora com violência. Ora em longas caminhadas, ora jejuando.
Não só Gil reviveu a união de Gandhi e Tolstoi. Modi, o Primeiro Ministro da Índia, também natural de Gujatat, fez caloroso discurso em 2019 sobre Gandhi e Tolstoi tentando uma aproximação geopolítica entre Índia e Rússia.

63.           28/01/2024

Evito uma ruptura porque receio que minhas fraquezas expor-me-ão ao ridículo. Minha insistência deve-se ao medo do fracasso na resiliência aterrorizar-me. Pura vaidade. Sim, manterei meu desbastar rumo ao terceiro degrau. Consigo sustentar os efeitos de mudanças bruscas, apesar do desgaste físico e mental. Mas, dessa vez, não quero mudar. Prefiro o risco inerente à constância ao da fuga. Estou manejando o peso pois arrependimentos já me são indigestos.

64.           17/03/2024

Se Juntarmos as peças dos três poderes, não salva uma Boa alma no tabuleiro. Talvez raras exceções.
A corrupção é tanta que democracia e Estado de direito existem apenas parcialmente, desde a criação destes conceitos.
Prenderam o Lula para o Bolsonaro reeleger. Agora prenderão Bolsonaro para Lula reeleger. Meio a assassinatos e tramas com mafias, como ocorre na ditadura russa, por exemplo. A conta desse jogo sangra a pátria, nos bolsos e nas almas dos brasileiros.
A centenária polarização global, calcificada pelos anos de Guerra Fria e revigorada em 2013, no Brasil,  só aumenta e uma hora vai explodir, literalmente. O fermento de extremos ideológicos cria uma guerra civil onde a primeira vítima sempre é a verdade. Quanto mais demorar, pior. Num sistema que só podemos escolher A ou B, não há liberdade faz tempo.
Penso que o Comunismo já foi um grito de revolta e esteve na moda, mas hoje é um câncer maligno proposital e oportunamente instalado em Repúblicas fracas com interesses geopolíticos nefastos.
Não posso acusar ninguém de golpista nem de radical, pois escavando minha mente acho vontades como a de, por exemplo, separar o Estado de São Paulo. Mas, logo me lembro que quem manda aqui é o crime organizado, infiltrado econômica e politicamente até às últimas entranhas do Estado.
A desilusão de pensar assim tirou de mim o hábito de ler notícias, coisa que eu fazia na esperança de ver alguma indicação de mudança positiva. Isso é péssimo! Preciso retomar acesso às grandes mídias e voltar a me iludir com os cantos de sereia da comunicação de massas. Eu era mais feliz.

65.           15/05/2024

Nem sempre fui assim. Já me arrastei e já voei por vários cantos do Universo.
mais feliz.

66.           09/12/2024

Hoje, um amigo de Avaré, de codinome que lembra as dançarinas da Xuxa, enviou-me um áudio relatando o seu momento, que inclui uso abusivo de álcool, e sinalizando entrelinhas uma vontade de apreender a partir da troca de experiência. Pois, a seguir, o texto que elaborei a ele a fim de corresponder ao áudio:
Sei de tudo que nos dá prazer e não sou hipócrita mano. Estou sóbrio há 8 anos como única opção de ficar vivo. Sou susceptível a exageros e preciso de auto vigilância permanente. A nossa morte virá a qualquer hora, só tento tirar uma possível culpa quando essa hora chegar. Egoísmo? Talvez. Vejo tanta gente com vontade de viver morrendo, que me sinto na obrigação de valorizar a própria vida pelo menos. Não deixa de ser um sacrifício, um culto a si mesmo. Não sei se estou fazendo o certo. Só sei que estou muito melhor hoje do que há 8 anos.
Até quando seguirei assim? Não faço ideia.
Algumas coisas me ajudaram a renascer em outra vibração, a mudar o lado do disco, como estudar, ler muito, escrever, tentar praticar religião, esporte, trabalhar com certa ambição de prosperidade, exercitar corpo e alma sobriamente e estar em relacionamento com uma pessoa compatível com tudo isso, entre outras coisas que apreendo todos os dias. Não é fácil tanta disciplina, talvez medicamentos e terapia ajudem em algum momento. Aniquilar a vida social repentinamente e manter um constante sorriso no rosto é uma missão de gente grande, requer real vontade. Ao longo das semanas e meses, os benefícios são percebidos e viram combustível. Hoje, após 8 anos de caretice, meus desafios ainda são muitos. Um dia de cada vez...
Escrever tudo isso acaba sendo ótimo pra mim. Organizar meu pensamento e reforçar minha vontade. Agradeço por tocar nesse assunto e conte comigo para conversar sobre. É só um relato pessoal dentre infinitas possibilidades e jamais significará uma fórmula de sucesso geral.

67.           23/01/2025

Hoje, terceiro dia do segundo governo Trump. A mídia pulula factóides, a economia reage. Certamente, a civilização sente o impacto de ter esse caricata de volta ao poder da maior economia mundial, que anuncia seu repetido plano de uma nova Era na qual a America será tão grandiosa como nunca. Diante dos czares em polvorosa pelo poder, com seus frenesi e grilhões, mercados tentam extrair oportunidades. Dentre dezenas de assuntos sensíveis, tratados como se fossem pratos de entrada do grande banquete Trumpista, destaca-se a tarifação como barganha para o reequilíbrio da balança comercial. Veja se concorda com esse ponto de vista e opine:

Trade War:

"Currency war" and "Tariff war" are known to be tools able to boost exports and improve trade balance. The first weaks domestic currency and the second weaks foreign competitiveness. Both play a key role harmonizing the global market. It would be reasonable to balance both tools, but we know that no wealthy businessmen want to see their saves and power of bargain reduced. Also, this Keynesian business promotes the wealth of high-priced lobbyists by extracting funds from ordinary consumers.

A strong currency makes it more feasible to sponsor the Gulf of Mexico, Panama Channel, Greenland, third World elections, mass media, Global security umbrella and more, but it also empowers cheaper imported Chinese goods and parts. Let people hope that Tariff war alone will be a good deal for the US domestic industry and economy. Tariff war alone doesn't seem to be positive for trade balance definitely. American industry when exporting will be retaliated with high tariff abroad, and when importing parts will absorb the increased tax burden. Then the US economy shall rely just on domestic market under a scaled up inflation. Now Americans should consume as never before to support the new golden age. As per President plan, the solution for that is the national reserves of liquid gold aka oil. I will help ordering some Mars t-shirt and Bitcoins. It would be nice if the dollar is strong and tariffs are low at the Brazilian border. God bless.


68.           02/03/2025

Sei o suficiente da tua vida para viver o resto da minha tranquilo.

Nuances:

O homem carrega consigo o valor de Deus. Carrega a ciência também. Nosso destino é traçado nessa sinergia, que tem alguns princípios comuns.

Estes trabalham na direção de anular o erro pelo acaso, mas o erro pode satisfazer uma condição da evolução.

Dentro de uma tendência de valores aceitáveis, há ocorrências espúrias, que são discriminativas e não podem ser desprezadas.

Uma amostra com poder e significância suficientes para falhar a rejeição de uma hipótese verdadeira é válida para representar a sua totalidade.

O ponto é o todo e o infinito. Todo ponto é elemento de origem e toda reta tem o ponto final.


69.           07/03/2025

Sobre o título de Doutor que a Unicamp deu ao Racionais MC. Muitas críticas na internet, positivas e negativas. Tanto o grupo de Rap quanto a Universidade fazem parte da minha vida, portanto interessei-me em dedicar alguns minutos para pensar a respeito. Afinal, o Racionais MC divulga a crítica social e é digno de Doutor. Vamos às criticas.
O título de Doutor Honoris Causa é a máxima distinção concedida por uma Universidade a pessoas que se destacaram em suas áreas de atuação, contribuindo para a sociedade, a cultura, a ciência ou a educação, após indicação e aprovação do Conselho. Ouvi muito Racionais na infância, comprava os CDs, memorizava as letras etc. Hoje, não ouço mais, mas guardo a convicção de que são o bastião do rap nacional e um nome forte da nossa cultura, representando uma parte significativa da sociedade com suas rimas poderosas de alcance social.
A sociedade está dividida e, obviamente, metade desagradou-se por não se sentir representada. Aos extremos polarizados, digo que politicagem e viés ideológico estão implícitos em qualquer jogada. A vida é uma inevitável encenação política onde você pode ser ator ou espectador. Se espectador, aplaudindo ou vaiando, sempre pagará caro pelo ingresso. A militância ideológica vociferante, que ataca sem argumentos, é um comportamento muito primitivo e deletério, que só favorece os ídolos sejam eles quem for. Não cause sofrimentos por isso. Não vale a pena. Em vez, seja protagonista da mudança que quer, começando pelo teu interior pessoal.
Uma reflexão sóbria sobre qualquer assunto nunca é demais. Portanto, estenderei esse texto com as seguintes colocações. Numa busca rasa pelas redes sociais, notei críticas de todo o espectro político e social, positivas e negativas. Vivemos num ambiente tóxico onde a felicidade de um é a ira do outro. O sucesso de um é a causa do fracasso do outro. Apontamos erros e culpados para os males sem examinar a nossa participação e responsabilidade. O país está super polarizado e toda decisão será questionada, sobretudo envolvendo um grupo musical famoso e uma das maiores Universidades do país. Hoje, não escuto nem sigo mais o grupo Racionais. Isso não o apaga da história. É fato que eles fazem grande sucesso desde a década de 90, alcançando gerações e presentes na cultura de milhões de brasileiros. Ainda que não justifique o título acadêmico máximo, as músicas que escrevem narram a realidade desafiadora dos subúrbios num ritmo enérgico e com rimas cativantes. As letras traduzem as nossas dores cotidianas numa linguagem popular, acessível. As frases sincopadas tocam a memória e a emoção, o que nos identifica, muito além de fenótipos e classes sociais. O Rap está aí e você pode consumi-lo para buscar uma vida melhor. Aos que acusam o Rap do Racionais de apologia ao crime, entendo que essa hipotética má influência aplica-se aos imaturos ou vulneráveis. Argumento fraco. Alguns dizem que o grupo enriqueceu com o dinheiro do povo e seus membros tornaram-se hipócritas. Ora, a arte não precisa ser explicada. A arte tem a permissão histórica de questionar o sistema no qual está inserida. Se o artista é bom e fez sucesso, terá uma boa recompensa material. Nem por isso, será um hipócrita que renega sua origem popular. Sim, cantam sobre a miséria vivendo no luxo. Uma provocação: Você conhece a frase famosa? "O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria são os intelectuais." Um título acadêmico máximo está adequado ao povo ou aos intelectuais? O título de Doutor Honoris Causa é digno de intelectual mas foi concedido aos representantes do povo. Infelizmente, hoje, a política carrega uma polarização tóxica que divide a sociedade. Que façam Rap criticando essa polarização, efeito colateral do sistema. Não acho que tocarão nessa ferida, pois, sim, é um grupo cuja base de seguidores levanta bandeira de ideologias parciais e de cunho político militante. Traduzindo, uma bandeira que defende causas que são convenientes a somente um grupo, muitas vezes por sub-reptício. Se a simpatia não é unânime, que haja respeito entre todos. Racionais, manos do Rap e Doutores Honoris Causa pela Unicamp.
final.

70. 07/10/2025

19:50] Dαnιel: minutos após a luz de atar cinto apagar, o alarme de fumaça soou. A tripulação, preocupada e cumprindo o protocolo de emergência inflight fire, correu para o fundo. Os passageiros demonstraram pânico, incluo-me. Foram longos segundos de apocalipse. Um comissário dispara à porta de emergência e interfona. Senti que o voo acabaria ali, a 900kmh e 35mil pés de altitude, direto ao solo. A mensagem para a cabine foi, "tem um fdp fumando no toilet". O comandante atravessou a nave e, em pessoa, repreendeu o jovem e irresponsável passageiro, que ainda estava no toilet. No mais, o voo continuou muito bem, sem novas intercorrências. Lh0507. 07OCT2025
[07/10, 19:56] Ir.: Cmte Rogério Tadeu: Daniel, pior emergência para 100% dos tripulantes é inflight fire.