AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA
SIMBÓLICA ATHENAS, Nº 3.913
FUNDADA EM 29 DE NOVEMBRO DE 2007
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO - GOSP
י
À Gl∴ do G∴A∴D∴U∴
A CORDA DE
81 NÓS
"A única maneira de cobrir
a Loja com êxito é estar com a mente pura, o coração cheio de amor divino e
cobrir contra pensamento maligno".
M∴ M∴ José Ebran, O Arcano da
Transmutação
Corda, cordão, utensílio primitivo usado em peças
de vestuário, bélico (funda, laço, arco), carga (animais e pessoas), descanso
(redes), caça (pesca, arco), transporte (velas e âncoras navais), engenharia,
insígnias ritualísticas (Tzitzit Tekhelet, Vaina Sutra, Kruang, Mongkon, Corda
de 81 Nós).
Na esteira dos diversos significados e utilidades
atribuídos à corda, debruçar-nos-emos sobre o escopo deste trabalho, a
ritualística, apontando alguns usos no mundo profano e concluindo com a
maçônica Corda de 81 Nós.
O tzitzit é o nome das franjas do talit, manto
sagrado do judaísmo. O tzitzit está escrito na Bíblia, como cordão azul na
borda das vestes para que observemos os Mandamentos de D'us e sejamos
santificados. O motivo do número de voltas entre cada espaço de nós nos
tzitzit, respectivamente 7, 8, 11 e 13 é que eles totalizam o mesmo valor
numérico das palavras Hashem Echad (D’us Único) que, em hebraico, é 39. Em cada
borda do talit encontramos 5 nós, ou seja 20 nas 4 pontas, equivalentes às mãos
e aos pés nos quais encontramos 20 dedos. Isto transmite a ideia de que todos
os membros humanos encontram-se a serviço de D’us.
O Hinduísmo dedica à corda essência
divina: Vajna Sutra. Vajna significa Brahma, ou Espírito Supremo, e Sutra
cordão, ou união. Juntas, as duas palavras significam algo que une ou liga
um homem ao seu espírito ou deus.
A corda significa graduação de força
e habilidade na filosofia das artes marciais, que são atributos de defesa de um
povo ou de uma pátria. Por exemplo o
Kruang, amarrado no braço, que, dependendo de sua cor, indica o grau do lutador
de Muay Thai. Além do Mongkon, uma corda-amuleto que adorna a cabeça, parte
sagrada do lutador, para o munir com poderes divinos, como sorte e proteção. A corda amarrada na cintura dos capoeiristas, com seu nó e borlas próprios, emblema do gingado e consagrado símbolo da cultura brasileira.
Atribui-se ao matemático grego
Arquimedes (287 a.C. - 212 a.C.), de Siracusa, a frase "dê-me um ponto de
apoio e eu moverei a Terra". A corda acompanha o homem desde o pretérito
remoto, sendo ferramenta de vital utilidade que, como um ponto de apoio da
evolução, alavancou a espécie rumo ao progresso da civilização.
Sobremaneira, a corda é uma
forte mensagem na Bíblia, com variados significados, como, por exemplo, Salmos
2:3, Salmos 11:2, Salmos 21:12, Salmos 116:3, Salmos 118:27, Salmos 129:4,
Salmos 140:5, Êxodo 28:28-37, Êxodo 35:18, Êxodo 39:21-40, Jó 18:10, Jó 30:11, Jó
36:8, Jó 38:31, Jó 39:10, Jó 41:1, Números 3:26, Números 3:37, Números 4:26,
Números 4:32, Números 15:38, Isaías 3:24, Isaías 5:18, Isaías 33:20-23, Isaías
54:2, Jeremias 10:20, Jeremias 38:6-13, Provérbios 5:22, 2 Samuel 8:2, 2
Samuel 17:13, 2 Samuel 22:6, Oséias 11:4, João 2:15, Ezequiel 3:25,
Ezequiel 4:8, Ezequiel 27:24, Josué 2:15-21, Juízes 15:13-14, Juízes 16:11-12,
1 Reis 7:23, 1 Reis 20:31-32, Eclesiastes 4:12, Eclesiastes 12:6, 2 Crônicas
4:2, Gênesis 38:18-25.
E sobre a Corda de 81 nós, que compõe a Loja
Maçônica?
Da Camino nos apresenta sua leitura que, destarte,
valoriza este ornamento com significados maçônicos:
"Em
torno da Loja, entre o término das Colunas e o início da Abóboda Celeste,
coloca-se um cordão que de espaço em espaço apresenta um nó simples,
terminando as pontas do cordão em duas borlas; a grossura do cordão e o
material de que é feito dependem do que disporá́ o Arquiteto da Loja. Este Cordão tem significado simbólico porque diz
respeito aos próprios Obreiros. O Cordão é composto de múltiplos fios que,
isolados são frágeis, mas que no conjunto apresentam-se muito resistentes, e
confirma o adágio de que a União faz a Força, lembrando aos maçons que, unidos,
podem lutar contra o vício. Representa, outrossim, a Cadeia de União, interrompida
porque ornamento. Os nós significam os elos da Cadeia de União, ou seja,
representam a todos os maçons, sem qualquer distinção, que fazem parte
integrante da Loja sem, por isso, fundirem-se e perderem a
individualidade. Representam os nós, também, as dificuldades da Vida, que
o maçom deve esperar sempre o pior e o difícil, e que para conquistar algo,
faz-se necessário o desfazimento do nó. São 81 nós, e este número é
altamente simbólico porque representa a máxima multiplicação do número 9, que
é considerado o número perfeito por ser múltiplo de três e sua elevação ao
cubo. Desde que surgiu, o número 9 é considerado o perfeito entre os
perfeitos, pois qualquer combinação que se faça com ele, o resultado será́
sempre o mesmo. É o símbolo da Imortalidade, da Regeneração e da Vida
Eterna. Algumas seitas religiosas usam este cordão em torno de sua cintura
e verificamos com facilidade entre os religiosos capuchinhos da Igreja Católica
Apostólica Romana o cordão com nós. Serve entre alguns povos, como
instrumento de oração, de alfabeto, de mensagem, e deu origem ao Rosario
Católico. Os próprios indígenas norte-americanos, gravavam suas mensagens, como
o faziam os incas e os astecas, por meio de nós em barbantes coloridos (...)" (1)
Da Camino, em outra abordagem da
Corda de 81 nós, apresentada na obra "Aprendizado Maçônico", diz:
"A
Corda dos oitenta e um nós que contorna a parte interior e superior do Templo, antes da Abóbada Celeste, tem a finalidade
de simbolizar a união dos Maçons, que com os seus oitenta e um “laços”,
recorde o entrelaçamento das mãos formado na Cadeia de União; essa Corda
absorveria as “tensões” nervosas (elétricas) dos IIr.·., descarregando-as
através dos fios das duas Borlas Pendentes. Essas Borlas deveriam ser
amparadas pelos Diáconos, sustentando-as em suas mãos, quando da formação
do “triângulo”, junto com o M.·. de CCer.·., protetor ao Oficiante, no
momento da abertura dos trabalhos. A Borla é formada de um “botão”
recoberto de fios, formando uma “franja”; o “botão” concentra as “forças”
e os fios, as descarregando, pois, uma Borla sempre terá fios pendentes
para baixo, em direção à terra."
(2)
O Ir∴ Mestre Maçom João Dias, da A∴R∴L∴S∴ Fé, Equilíbrio e Amor n°317, do
Oriente de São Paulo, diz que os três ornamentos do Templo Maçônico são o
Pavimento Mosaico, a Orla Dentada e a Corda de 81 nós. Destarte, nos engrandece
com suas palavras para descrever a Corda de 81 nós, em sua obra "Simbólica
do Primeiro Grau":
"No Templo está representada toda
Simbologia da Fraternidade Maçônica e a União dos Maçons. Segundo
Plantagenet, a Corda de 81 nós tem relação direta com o Pavimento Mosaico,
a Orla Dentada, a Cadeia de União e as Romãs. Cada um desses símbolos
relembra que todos os Maçons espalhados pela superfície do globo formam
entre si uma única família de Irmãos. A Corda de 81 Nós é, portanto, o emblema
simbólico da União e da Fraternidade Maçônica. (...)
É a corda colocada na frisa das paredes do Templo,
que apresenta, de distância em distância, nós emblemáticos, em número
total de 81 que são chamados “laços de Amor” e primitivamente, estas
cordas eram desenhadas no pequeno paralelogramo, traçado no chão, com giz ou
carvão, que constituía então o Painel da Loja e que, posteriormente, foi
substituído pelo “tapete”. A corda sempre foi um grande instrumento nas
antigas construções (como também o é nas modernas). Serviu para arrastar pedras
por planos inclinados, para construir as Pirâmides e para inúmeros outros
trabalhos, incluindo-se os da navegação. A corda de 81 nós percorre sem
interrupção, as paredes do Templo, terminando, de cada lado da porta do
Ocidente, por uma borda pendente. Duas outras borlas (estas artificiais),
são colocadas no Ocidente de modo que, ao todo são quatro borlas, duas
(reais) no Ocidente e duas (artificiais) no Oriente. A razão disso é
que as borlas devem representar as quatro virtudes cardiais: Temperança,
Justiça, Coragem e Prudência. À coragem e à Temperança devem corresponder
as borlas situadas no Ocidente; a Justiça e a Prudência são representadas
pelas borlas do Oriente, devendo a Justiça ser aquela que fica ao lado do
Orador." (3)
O Ritual de Aprendiz do R∴E∴A∴A∴, Grande Oriente de São Paulo,
página 26, descreve a Corda de 81 nós concisamente:
"Rodeando as paredes, pelas frisas, estará
um cordão com 81 nós, cujo nó central estará no meio, ao fundo do Oriente, e
suas extremidades terminarão em cada um dos lados da porta de entrada, com uma
borla em cada ponta, que representarão respectivamente, Justiça (ou Equidade) a
do lado Norte, e Prudência (ou Moderação) a do lado Sul." (4)
VOCÊ SABIA QUE...
O Ir∴ João Barbosa de Oliveira diz que não há menção da Corda de 81 nós antes da Cisão de 1927. Esta provável origem indica que a Corda de 81 nós foi introduzida nos Ritos sem profundas explicações. Na literatura antiga estrangeira não há referências à Corda de 81 nós.
Ritos que utilizam a Corda de 81 nós são o R∴E∴A∴A∴, Moderno, Brasileiro e o Adonhiramita.
A Corda de 81 nós guarda relação com o número 3, pois (3²)²= 3²x3²= 3⁴= 3x3x3x3= 81. Sendo o 3 número trino, a tríade repleta de significados na Maçonaria, cujos significados merecem estudos dedicados.
A Corda de 81 nós possui 1 nó central com 40 nós de cada lado. O nó central remete ao Uno, Unidade, Princípio indivisível. Lembremos da definição n° 1 de Euclides, pai da geometria e da matemática: ponto é aquilo de que nada é parte. (5) O número 40 nós indica penitência e expectativa quando relacionados à Bíblia, pois 40 foram os dias do dilúvio (Gênesis, 7, 12), 40 foram os dias de Moisés no monte Sinai (Êxodo, 34,28), 40 dias durou o jejum de Jesus (Mateus, 4, 2), 40 dias Jesus esteve na Terra após sua ressurreição (Atos, 1, 3), 40 dias dura a Quaresma.
O número 81 é estudado por maçons sob a Luz da Cabala, pois representa os 72 Arcanjos que guardam o trono de D'us (Semanphores) somados aos 9 Mestres construtores do Universo (Elohims). Se dividirmos a unidade do tempo (hora) pelo número 3, temos 20 minutos, logo, a cada 20 minutos um Arcanjo visita a Terra, o que resulta em 72 Arcanjos diariamente.
Na Cosmogonia dos Druidas, as Tríades dos antigos Bardos eram em número de 81 e os três círculos fundamentais de que trata esta doutrina têm como valor numérico o 9, o 27 e o 81, todos múltiplos de 3.
Sobre a Posse do Ir∴ Louis Philippe Joseph d'Orléans, duque de Orleans eleito Grão-Mestre da Grande Oriente da França em 23 de agosto de 1773, não há registros oficiais, portanto, temos como lenda que na ocasião da transmissão da Palavra Semestral e da Posse estavam presentes 81 Grão-Mestres e a decoração da abóbada celeste continha 81 estrelas. O Sereníssimo Grão-Mestre Louis foi guilhotinado em 6 de novembro de 1793, aos 46 anos, durante o Reino do Terror. (6)
POESIA
Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, e processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados."
Fernando Pessoa, "Livro do Desassossego".
REFERÊNCIAS
(1) Rizzardo
Da Camino. Endereço eletrônico pelo URL https://dacamino.com.br/a-corda-de-81-nos/, acesso online em
02/04/2023.
(2)
Rizzardo da Camino. “Aprendizado Maçônico”, Livraria Maçônica Paulo Fuchs,
2001.
(3) João
Dias. “Simbólica do Primeiro Grau”, 2° Edição, Fundação Biblioteca Nacional,
2016.
(4) Grande
Oriente de São Paulo. “Ritual de Aprendiz”, Rito Escocês Antigo e Aceito, 2022.
(5)
Euclides. “Os Elementos”, Tradução de Irineu Bicudo, Editora Unesp, 2009.
(6)
Wikipédia. Luís Filipe II, Duque de Orleães, Endereço eletrônico pelo URL https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Filipe_II,_Duque_de_Orle%C3%A3es, acesso online em 02/04/2023.
Trabalho
feito pelo Apr∴ M∴ Dαnιεl Mιyαhιrα Guεrrαzzι
A∴R∴L∴S∴ ΑΤΗΕΝΑΣ № 3.913 - GOSP - R.E.A.A.
ABRIL
2023
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