
Estaríamos num Estado moderno, de política centralizada nos poderes executivo e legislativo, ambos representativos à sociedade, e no Judiciário, intocável guardião da Constituição?
Não. Retrocedemos ao período feudal.
País descentralizado, no qual a nobreza e o clero, há cinco séculos, detêm a
terra loteada pela Coroa, cada um com seu próprio feudo, todos bilionários. O
Brasil não é um Estado moderno de Direito democrático e sua vasta continentalidade ultrapassa as fronteiras dos centros
urbanos, centros nos quais passamos toda a nossa vida focados em produção e consumo.
Os oligarcas dominam o senado e a
câmara, e perpetuam a sua linhagem branca à custa do mau uso do Estado, no
esquema perverso de suserania e vassalagem que remete ao período colonial. Usam
todas as formas de poder invisível, aderem ao lobby nefasto, conspiram e saem
incólumes.
As leis são feitas pela oligarquia e
para ela. Os togados sequer estão à altura para interferir neste esquema, têm
seu preço e são cúmplices. O Estado controle a massa através da bala (aqui, cabem
maiores detalhes do uso perverso da propaganda, mídia, internet, interesses yankees,
que não serão abordados).
A urbanização do Brasil pós-ciclo do café
merece uma análise separada em virtude da sua importância na formação da atual
sociedade. Não obstante, de grande importância temos também a publicação da lei
Áurea, o fim dos ciclos de extrativismo (borracha, madeira, minérios), de
monocultura (cana, café) e o início da Industrialização do país. A vasta
população rural migrou desordenadamente às cidades, em debandada, sem que o
devido planejamento fosse feito.
O fim destes ciclos foi logo
substituído, sem prejuízos aos tais oligarcas, pela pecuária extensiva e pela
monocultura (milho, soja, café, cana, laranja, eucalipto), de forma também
desordenada, o que resultou em devastação funesta do meio ambiente. Áreas indígenas são, ainda nos tempos atuais,
ignoradas para estender as fronteiras feudais. Pouco é o incentivo para
agricultura familiar (fumicultura, apicultura, citricultura, avicultura, entre
outros). Nenhum é o interesse para a reforma agrária.
O Estado, oportunamente, não tem
magnitude para atuar nas fronteiras rurais. À mídia, notícia da roça, do
sertão, da floresta não interessa. Portanto, cada feudo oprime seus servos com
seu próprio exército e sua própria justiça. Caso alguém reivindique por
direitos neste território, será brutalmente castigado até que se cale.
Também participa nesta trama a alta
burguesia, composta, sobretudo, por industriais, baixo clero, militares e
outras figuras medonhas. Estes, por sua vez, têm sua origem na vinda da família real de Portugal, que ocorreu após o imperialismo napoleônico, e também provêm da imigração europeia
tardia, que ocorreu após a lei Áurea, incentivada para abastecer as demandas de
trabalho qualificado e para reforçar o espírito racista da supracitada classe
dominante.
Dados demográficos recentes calculam
uma sociedade com cerca de 200 milhões de habitantes, feminina e jovem. Porém,
infelizmente, ainda acusam um elevado analfabetismo e um subúrbio urbano
concentrado, de baixa renda e desamparado pelo Estado.
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