quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Fazenda Brasil: Um desabafo a quem interessar


Estaríamos num Estado moderno, de política centralizada nos poderes executivo e legislativo, ambos representativos à sociedade, e no Judiciário, intocável guardião da Constituição?
         Não. Retrocedemos ao período feudal. País descentralizado, no qual a nobreza e o clero, há cinco séculos, detêm a terra loteada pela Coroa, cada um com seu próprio feudo, todos bilionários. O Brasil não é um Estado moderno de Direito democrático e sua vasta continentalidade ultrapassa as fronteiras dos centros urbanos, centros nos quais passamos toda a nossa vida focados em produção e consumo.
         Os oligarcas dominam o senado e a câmara, e perpetuam a sua linhagem branca à custa do mau uso do Estado, no esquema perverso de suserania e vassalagem que remete ao período colonial. Usam todas as formas de poder invisível, aderem ao lobby nefasto, conspiram e saem incólumes.
         As leis são feitas pela oligarquia e para ela. Os togados sequer estão à altura para interferir neste esquema, têm seu preço e são cúmplices. O Estado controle a massa através da bala (aqui, cabem maiores detalhes do uso perverso da propaganda, mídia, internet, interesses yankees, que não serão abordados).
         A urbanização do Brasil pós-ciclo do café merece uma análise separada em virtude da sua importância na formação da atual sociedade. Não obstante, de grande importância temos também a publicação da lei Áurea, o fim dos ciclos de extrativismo (borracha, madeira, minérios), de monocultura (cana, café) e o início da Industrialização do país. A vasta população rural migrou desordenadamente às cidades, em debandada, sem que o devido planejamento fosse feito.
         O fim destes ciclos foi logo substituído, sem prejuízos aos tais oligarcas, pela pecuária extensiva e pela monocultura (milho, soja, café, cana, laranja, eucalipto), de forma também desordenada, o que resultou em devastação funesta do meio ambiente.  Áreas indígenas são, ainda nos tempos atuais, ignoradas para estender as fronteiras feudais. Pouco é o incentivo para agricultura familiar (fumicultura, apicultura, citricultura, avicultura, entre outros). Nenhum é o interesse para a reforma agrária.
         O Estado, oportunamente, não tem magnitude para atuar nas fronteiras rurais. À mídia, notícia da roça, do sertão, da floresta não interessa. Portanto, cada feudo oprime seus servos com seu próprio exército e sua própria justiça. Caso alguém reivindique por direitos neste território, será brutalmente castigado até que se cale.
         Também participa nesta trama a alta burguesia, composta, sobretudo, por industriais, baixo clero, militares e outras figuras medonhas. Estes, por sua vez,  têm sua origem na vinda da família real de Portugal, que ocorreu após o imperialismo napoleônico, e também provêm da imigração europeia tardia, que ocorreu após a lei Áurea, incentivada para abastecer as demandas de trabalho qualificado e para reforçar o espírito racista da supracitada classe dominante.
         Dados demográficos recentes calculam uma sociedade com cerca de 200 milhões de habitantes, feminina e jovem. Porém, infelizmente, ainda acusam um elevado analfabetismo e um subúrbio urbano concentrado, de baixa renda e desamparado pelo Estado.

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