Decerto
há relação íntima entre o aumento dos doentes e criminosos e a viabilidade da
empreitada capitalista. A inflação do capital, seja como efeito da superprodução
de bens e oferta de serviços, é garantida pela crescente demanda de mercado no decorrer da
história da sociedade, que progride desde o pretérito longínquo.
Nos
exemplos "doentes" e "criminosos", a demanda destes é garantida com uma contínua tendência de mantê-los, por facilitação dos meios para tal fim, pois quanto mais doentes e criminosos, mais
o capital se beneficia. Empresas de medicamentos, serviços e equipamentos
médicos justificam o aumento de sua receita conforme há mais doentes. Da mesma
forma, aparatos policiais e judiciários com seus interessantes criminosos. Eis
um mecanismo perverso do capitalismo laissez-faire.
A
situação teria a mesma lógica quando aplicada nas seguintes: indústria bélica e
a manutenção da desordem, terror e guerra; indústria energética e a manutenção
do consumo de fontes sujas não renováveis; a indústria alimentícia e o hábito prejudicial de alimentos processados e refinados; o poder invisível
do crime organizado e o consumo de drogas, jogos, apostas, vestimentas, investimentos e outras psicoclausuras compulsivas.
Nesta
seara, os sujeitos desta análise correlacionam-se entre si da seguinte forma abstrata: indústria farmacêutica e a indústria alimentícia não se importam com a saúde; indústria penitenciária e a indústria bélica não se importam com a ordem;
a indústria energética e a indústria automotiva não se importam com catástrofes ambientais. Por fim, o crime organizado correlaciona-se com todas as forças liberais, através de seus tentáculos de poder invisível.
Os
sujeitos elencados são instituições partes de uma sociedade dinâmica, que se
desenvolve continuamente num contexto complexo de meio ambiente e relações de
poder, e não necessariamente desempenham seus interesses obscuros de maneira
consciente. As implicâncias perversas de causas e efeitos desta abordagem são,
geralmente, eventos, apesar de dependentes, não intencionais.
Diante
dos fatos expostos, há no texto uma desejada indução do leitor a apreender o quão degradante ao caráter é o investimento neste sistema, tamanho é o prejuízo causado à sociedade. Mas, despersonalizados e focados na vantagem individual, é o que se faz os jovens
empreendedores do mercado financeiro. Seja feita a reflexão individual de cada leitor,
subjetivamente, a fim de se evitar a akrasia. Para qual empresa dedicarei meus investimentos, aspirando a imensuráveis fortunas em rendimentos, ora como cúmplice da sordidez denunciada, ora como uma hipocrisia viciante.
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