terça-feira, 4 de abril de 2017

OS INVESTIMENTOS E A SORDIDEZ DO CAPITAL


Tem futuro promissor um ambiente no qual é desejada uma sociedade com elevada ocorrência de doentes e criminosos? Proponho uma reflexão, partindo desta questão como premissa, que soa num tom provocativo propositalmente.

Decerto há relação íntima entre o aumento dos doentes e criminosos e a viabilidade da empreitada capitalista. A inflação do capital, seja como efeito da superprodução de bens e oferta de serviços, é garantida pela crescente demanda de mercado no decorrer da história da sociedade, que progride desde o pretérito longínquo.

Nos exemplos "doentes" e "criminosos", a demanda destes é garantida com uma contínua tendência de mantê-los, por facilitação dos meios para tal fim, pois quanto mais doentes e criminosos, mais o capital se beneficia. Empresas de medicamentos, serviços e equipamentos médicos justificam o aumento de sua receita conforme há mais doentes. Da mesma forma, aparatos policiais e judiciários com seus interessantes criminosos. Eis um mecanismo perverso do capitalismo laissez-faire.

A situação teria a mesma lógica quando aplicada nas seguintes: indústria bélica e a manutenção da desordem, terror e guerra; indústria energética e a manutenção do consumo de fontes sujas não renováveis; a indústria alimentícia e o hábito prejudicial de alimentos processados e refinados; o poder invisível do crime organizado e o consumo de drogas, jogos, apostas, vestimentas, investimentos e outras psicoclausuras compulsivas.

Nesta seara, os sujeitos desta análise correlacionam-se entre si da seguinte forma abstrata: indústria farmacêutica e a indústria alimentícia não se importam com a saúde; indústria penitenciária e a indústria bélica não se importam com a ordem; a indústria energética e a indústria automotiva não se importam com catástrofes ambientais. Por fim, o crime organizado correlaciona-se com todas as forças liberais, através de seus tentáculos de poder invisível.

Os sujeitos elencados são instituições partes de uma sociedade dinâmica, que se desenvolve continuamente num contexto complexo de meio ambiente e relações de poder, e não necessariamente desempenham seus interesses obscuros de maneira consciente. As implicâncias perversas de causas e efeitos desta abordagem são, geralmente, eventos, apesar de dependentes, não intencionais.

Diante dos fatos expostos, há no texto uma desejada indução do leitor a apreender o quão degradante ao caráter é o investimento neste sistema, tamanho é o prejuízo causado à sociedade. Mas, despersonalizados e focados na vantagem individual, é o que se faz os jovens empreendedores do mercado financeiro. Seja feita a reflexão individual de cada leitor, subjetivamente, a fim de se evitar a akrasia. Para qual empresa dedicarei meus investimentos, aspirando a imensuráveis fortunas em rendimentos, ora como cúmplice da sordidez denunciada, ora como uma hipocrisia viciante.

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