Alguns camaradas, companheiros, anarquistas, comunistas, pseudoleftists, newleftists etc. costumam questionar o papel da religião na política de esquerda. Haja vista a influência que a igreja exerce na organização do Estado, de novas seitas neopentecostais com fins lucrativos, além da sátira na qual Jesus é socialista. Ora, pois há algum mal em ser de esquerda e ter religião? Que tal ser um anarquista cristão?
Neste tocante, adoto aqui a famosa parábola de Cristo, do joio e do trigo. Veremos...
Temos dois tipos: os religiosos monásticos em busca de mística nos textos metafísicos, mas também temos os pigs em busca de isenção fiscal e dízimo nas empreitadas "evangélicas".
Separar o joio do trigo é necessário para se tentar chegar num senso comum?
Minha leitura da história e opinião subjetiva indicam que os religiosos verdadeiros mais se aproximam do espírito esquerdista (o trigo) que da direita perversa à la Lutero e Calvino (joio).
Obras de Tomas de Aquino inclinam-me à teoria personalista do contemporâneo Karol Wojtila, por exemplo, e isso merece um momento de introspecção social, anárquico e de coletividade.
Lembro-me também dos textos disponíveis no sítio eletrônico do Vaticano, um territorio essencialmente capitalista, que revela um arsenal teórico, grosso modo, esquerdista. Há produção de qualidade nos cômodos contíguos à nojenta instituição financeira católica. Novamente, o joio e o trigo. No senso comum, não podemos reduzir o julgamento do caráter à religião, mas elevar o juízo à consciência de se viver um coletivo de compaixão e igualdade (a essência da religião!).
Tete a tete, entre nós, de esquerda, torna-se mister um discurso mais racional que apaixonado. Por exemplo, a ideia exagerada de igualdade já implica em akrasia, pois valoriza os semelhantes e exclui "o joio".
Portanto, vejo que os textos bíblicos foram precursores deste nosso atual paradigma calvinista-iluminista-liberal. E que os esquerdistas radicais muito se aproximam do espírito segregador dos tiranos capitalistas, cujos interesses são reforçar os semelhantes e eliminar os diferentes. A influência da religião é notória na nossa sociedade, independentemente da posição política. Os nossos primórdios de moral, juízo, senso e ética resumem-se num alicerce cristão, seja você religioso ou não, esquerdista ou liberal.
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