Diziam das letras de MPB que eu ouvia na infância, carregadas de críticas explícitas à organização de poder vigente na época, que eram escritas para enganar o censor. Na minha cabeça, a dúvida “Como não perceberam? A mensagem é óbvia!”. A resposta está vindo a tona.
“Orexis” é vital sob intensidade controlada, pois, quando se torna escassa ou excessiva, conduz o ser a movimentos egoísticos, de pulso de morte e ou aniquilação, por vezes de coisas que nem sequer transmitam ameaça. Eis que o poder atua como tônico de apetite, cujo clímax é uma das recompensas da Política, controle maior do poder público.
Poderia o censor liberar propositalmente conteúdos a fim de criar pretexto? Ameaça comunista era “fake” e é “fake”. Cria-se o monstro, constrói-se uma ameaça a ser combatida a fim de gerar medo, prometem a salvação para justificar o uso da força, com mobilização e obediência das massas ao movimento histérico de ataque às diferenças. Papinho de filosofia prolixa e mercadológica de era pós-verdade, auto-verdade etc. Publicação de “fake news” é parte do nosso comportamento - a parte sádica - muito usada por tiranias e caudilhos formadores de rebanho.
Ontem fui no Roger Waters e me rendi à emoção. Identificado esse comportamento humano do Waters, de arrebanhar fãs em nome de sua antiga causa, da onda fascista que ameaça a paz mundial, cada lágrima que chorei reforça um sentimento de fracasso, efeito do espírito humanista que me cobra perfeição.
Estou buscando um equilíbrio saudável entre empatia frugal e razão prazerosa, que, pela óbvia contradição entre os objetos e as qualidades e entre as duas qualidades, mostra-se impossível.
Tento abranger ao máximo o ambiente antes de sacar a câmera e apontar a lente a um quadro para disparar uma fotografia. Tirar foto ao léu aleatoriamente seria agir do fim ao meio, retroceder às escuras. Fechar o ângulo ou aumentar o “zoom” possibilita uma profundidade, especificidade, desde que tenha ciência do cenário amplo, altivo. Primeiro estabelece-se o objetivo, depois o identifica-se o objeto. Primeiro define-se o destino, depois planeja-se qual caminho percorrer. Por último, atua-se ordenando e relacionando o contingente com o continente. A finalidade desses exercícios pode estar num bom diagnóstico do sujeito, numa boa avaliação do objeto, na constância da sabedoria ou, destarte, na felicidade.

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