Negociamos
diariamente conosco, na intimidade do nosso ser, um simples mecanismo de
recompensa. Muito fazemos, mas nós pouco elaboramos nesses impulsos cotidianos
nos quais o prazer domina a razão.
Não haveria
atuação sem o presente dilema. Ainda que controlássemos o subconsciente e a
intuição, ambas as substâncias manter-se-iam imóveis aguardando um estímulo
recompensador.
Em
transformação natural ininterrupta, que o devir nos apresenta, ora condicionada
pelo sujeito, ora ao acaso do objeto, mantemos uma posição de negociação. Há de
se apontar o prejuízo que o físico recebe em troca da satisfação do ego.
Mas, além de
efeitos como a akrasia, a paixão movida à recompensa estimula a renovação de
esperança. Sem esperança, a vida se esgota. O desejo pelo prazer envolve também
a perseverança das pessoas amadas, não só a preservação de si próprio com
requintes de gozo.
O corpo sente
e a cabeça julga. Corpo limitado pela natureza do ser e pelas idiossincrasias
do sujeito. Julgamento transitório entre o consciente e o subconsciente que
retorna ao corpo a orexis da vida, a
vontade de potencia. A energia há de fluir saudavelmente entre as partes
através do órgão mediador: o coração. Ora, pois o corpo ingere, o coração
absorve e a cabeça digere. Algo é transformado e assimilado, ora em alimento da
alma, ora em excremento. Mantenha-se alimentado e não enfezado. Coma bem e
cuide do teu intestino, pois somos o que comemos.
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