terça-feira, 20 de junho de 2017

O SABER E O SABOR: Sapiem et Saporum

Negociamos diariamente conosco, na intimidade do nosso ser, um simples mecanismo de recompensa. Muito fazemos, mas nós pouco elaboramos nesses impulsos cotidianos nos quais o prazer domina a razão.

Não haveria atuação sem o presente dilema. Ainda que controlássemos o subconsciente e a intuição, ambas as substâncias manter-se-iam imóveis aguardando um estímulo recompensador.

Em transformação natural ininterrupta, que o devir nos apresenta, ora condicionada pelo sujeito, ora ao acaso do objeto, mantemos uma posição de negociação. Há de se apontar o prejuízo que o físico recebe em troca da satisfação do ego.

Mas, além de efeitos como a akrasia, a paixão movida à recompensa estimula a renovação de esperança. Sem esperança, a vida se esgota. O desejo pelo prazer envolve também a perseverança das pessoas amadas, não só a preservação de si próprio com requintes de gozo.


O corpo sente e a cabeça julga. Corpo limitado pela natureza do ser e pelas idiossincrasias do sujeito. Julgamento transitório entre o consciente e o subconsciente que retorna ao corpo a orexis da vida, a vontade de potencia. A energia há de fluir saudavelmente entre as partes através do órgão mediador: o coração. Ora, pois o corpo ingere, o coração absorve e a cabeça digere. Algo é transformado e assimilado, ora em alimento da alma, ora em excremento. Mantenha-se alimentado e não enfezado. Coma bem e cuide do teu intestino, pois somos o que comemos.

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