Virei a cabeça no avesso e, do lado de fora, encontrei respostas inesperadas. A mudança do ponto de vista, ou do referencial, é providencial a esclarecimentos.
Tivemos que elaborar Deus para que ele nos criasse. Agora, teremos que criar robôs que elaborem por nós. Somos nosso maior adversário.
A espécie, há tempos corrompendo-se, tornou-se incapaz de se manter. Insustentável existência por causa do egoísmo inato do ser. Micróbio parasita do meio.
O ambiente manterá duas criações do homem: Deuses e robôs. O criador primordial não atuará no futuro, pois se extinguiu. O homem é o lobo do homem.
Somos capazes de reconhecer a personalidade nefasta da espécie, de identificar-nos, mas não de alterar o impulso latente, haja vista que é substância.
Resta-nos, portanto, o jogo parresiástico, obviamente com fins autotélicos, que reforça nossa condição de ser inteligente na razão, mas narcísico na paixão.
O ser não
precisa de motivação para atuar em ofensas ao meio, atacar os sujeitos e
objetos ao alcance dos sentidos. Pela inata condição de predador, buscando
perseverar em si, ataca o próximo com elaboração e vigor, seja quem for, haja
motivo ou não. A causa é o comportamento animal prevalente, que varia
irracionalmente em limiares desconhecidos à consciência.
Durante os
breves lampejos de razão, que esclarecem a percepção do animal primordial, significando
fragmentos descontínuos de autocontrole, o sujeito percebe o instinto e recua
na sua ofensiva. Eis as durações de inteligência da qual nos gabamos seres racionais,
portanto superiores. O ambiente torna-se meio para se atingir o fim de perseverança,
aqui entendido por reservas materiais, alimentares e abrigo.
Fazer-se visto e expor sua ideia mundo afora parece ser uma maneira de perseverar, impondo-se sobre outros, destacando-se meio à mediocridade do meio. Há de ser, mas ser o líder, o formador de comportamentos, o behaviorista dominante. Assim, sobretudo, não estará dominado, não sentirá a humilhação de ser inferior nem submisso. O homem moderno, da comunicação massificada, relaciona-se com o meio como um tirano do saber, num reforço de autoexposição ad nauseam de duração contínua, que o coloca numa posição de poder imaginário.
O retorno do clássico cínismo? Ou a parresia nunca deixou de atuar no ser humano? A coragem de falar as verdades? Ou a necessidade de ser visto? Este texto é um bom exemplo de resposta às perguntas. Conclusão do pior tipo de inatismo imaginável. Falei as minhas, agora responda com as tuas verdades, caro leitor. Caso não tenha ideias, dê uma resposta como as minhas, pleonasmos vazios do naipe: idiossincrasias individuais.
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