sábado, 20 de maio de 2017

Considerações sobre a surdez

CRONOTOPIA


MUNDO
A partir do século XVI houve atenção aos surdos.
Pedro Ponce de Léon, Espanhol, boticário, contratado para educação de herdeiros reais.

BRASIL
1855 – Hernest Huet, vindo da França a convite de D Pedro II. Fundou a escola INES.
1875 – Flausino José da Gama, aluno da INES, elaborou o primeiro dicionário de LIBRAS.

Língua portuguesa: mecanismo oral-auditiva
LIBRAS: visual-espacial

1)      configuração das mãos (CM)
2)      ponto de articulação (PA)
3)      Movimento (M)
4)      Orientação (Or)
5)      Expressão corporal/facial (EF/C)
Percepção do surdo visual-espacial é centralizada no objeto, seguido do sujeito e, por último a ação (verbo): O-S-V. O ouvinte segue a ordem de raciocínio S-V-O.




CONSIDERAÇÕES SOBRE A SURDEZ

O ser humano apresenta-se à vida em condições físicas e psíquicas diversas, que são entendidas através de conceitos de definição variável de acordo com uma relatividade filosófica, histórica e geográfica. Neste tocante, temos a surdez como tema. A genealogia da surdez, ou arqueologia desta, merece ser interpretada à luz da cronotopia - temporalidade e localidade - dos eventos. Portanto, pretende-se nesta dissertação abordar o povo surdo a fim de apresentar um panorama altivo dessa condição ao leitor.
Há séculos, quando éramos majoritariamente um povo medieval e rural que pouco sabia daquilo que os sentidos não alcançavam, a surdez era considerada uma condição de invalidez, a qual implicava na impossibilidade do surdo conviver no meio social e, quiçá, na clausura do surdo em situação de reclusão total. Havia povos que sacrificavam os surdos à morte, em ritos místicos, haja vista a condição primitiva que o homem de outrora vivia, onde a medicina e a religião se misturavam em meio à ignorância do ser. Ai de mim, tememos o desconhecido.
A surdez é um dos conceitos cuja definição variou no decorrer da história, ora uma doença intolerável, ora uma condição diferente da maioria. Pois bem, aprendemos mais com as diferenças que com as semelhanças, entretanto, na natureza inata do homem, as diferenças são destacadas diante dos nossos sentidos mais do que as semelhanças e a percepção daquilo que é diferente, intuitivamente, nem sempre é receptiva. Esta premissa filosófica explica a recusa inicial da inclusão dos surdos na sociedade de tempos atrás.
Ora, pois, o que há de ser ultrapassado é a ignorância que impedia o homem de compreender a condição de surdez, a qual não se caracteriza como impedimento ou inferioridade. Sim, há doenças que são causa de surdez, genéticas ou adquiridas, bem como há substâncias químicas oriundas do reino vegetal, animal ou mineral que são empregadas como panaceia e têm toxicidade potencial de causar surdez, seja na fase fetal, infantil ou adulta.
Ó pobre natureza humana, que repele o que seja diferente, que teme o que seja desconhecido, que subjuga a minoria a fim de perseverar em si enquanto ser, que protege somente sua prole e seus semelhantes numa posição permanente de cobiça, domina-te do resquício animal e emprega-te a razão! Entretanto, além de paixões deste naipe, nossa natureza também é provida de amor.
Foi a própria natureza nossa que promoveu a surdez à condição de igualdade, pois, primeiro, gente poderosa se viu diante de familiares surdos carentes de meios para libertarem-se rumo à inserção social, segundo, pessoas do bem que amaram o povo surdo assim como a si próprios promoveram grandes empreitadas a fim de dar plenitude à vida do surdo, dar acessibilidade à sociedade ouvinte majoritária, dar reconhecimento jurídico e direitos. A humanidade há de continuar evoluindo e estamos apenas no começo deste processo. Aprenda LIBRAS!

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